Tomo

Restaurantes, Japonês Oeiras
4 /5 estrelas
Tomo - Atum frito com molho picante
Fotografia: Ana Luzia

Terá o Tomo sobrevivido a Tomoaki Kanazawa? Uma das grandes dúvidas da gastronomia actual foi finalmente escalpelizada

Imagine-se um restaurante chamado Bernardo. O Bernardo é o dono, um cozinheiro prestigiado e reconhecido. Um dia o Bernardo vai-se embora mas o restaurante Bernardo mantém-se aberto.
 À frente do negócio, fica um empregado antigo que não se chama Bernardo.

Ora, Tomo vem de Tomoaki Kanazawa, nome do mais extraordinário chef japonês a cozinhar em Portugal. Era ele a alma e a faca do restaurante de Algés que durante anos foi a melhor mesa de sushi do país. Ele fazia as compras, escolhia o peixe, amanhava-o, cortava-o, empratava-o, por vezes sozinho, para a sala cheia, algumas 40 pessoas. No ano passado, Tomo decidiu sair. À frente do negócio ficou Saif, experiente e discreto empregado de mesa que o acompanhava desde os tempos do Aya.

Tinha tudo para ser um desastre. Acontece que não.

Sem Tomo no Tomo, a casa continua bem frequentada. Num jantar recente, a uma sexta- feira, as mesas estavam todas ocupadas por pessoas que ainda preferem sushi tradicional a arroz enrolado com Philadelphia. Os únicos lugares vagos eram
os do balcão, muito procurados na outra regência – o que não será um acaso. Antigamente, o foco estava também no chef. Algumas pessoas doentes, como eu, iam ao Tomo para comer bom sashimi ou para degustações exóticas mas queriam assistir a uma performance. De perto. Os assentos do balcão, espécie de bancada central, andavam sempre esgotados para observar Tomo e a sua arte.

Hoje, não há artista nem menus kaiseki e é no serviço de sala que está o coração do restaurante. E isso está melhor. Desde logo, pareceu-me haver mais abundância nas oferendas. Mal me sentei, apareceram logo microacepipes: atum em molho de ponzo, salmão com sésamo, um patê caseiro, beringela frita, sopa de miso. E no fim, para além de uma salada de fruta fresquíssima e variada, ainda houve direito a umas lâminas de amêndoa caramelizada extraordinárias.

Tudo fora da conta.

À parte isso, há outra atitude, mais disponibilidade para ajudar o cliente. Um exemplo. Perante um pedido excessivo de comida, Saif teve a decência de alertar:
“É comida a mais”. Só um bom empregado/proprietário percebe que importa cuidar da carteira do cliente, que importa tanto o ânimo durante a refeição quanto, no fim, depois daquele papelinho chegar e se fizer a equação entre o que se comeu e que se gastou.

De resto, a carta está praticamente igual e o peixe continua acima da média. Há
boa barriga de atum (dez peças grossas de sashimi, 26€) e um 
dos melhores pratos de sushi to sashimi tradicional da cidade, com peixes nobres como robalo e peixe galo, para além dos invasores salmão e peixe manteiga. A diferença estará nos detalhes. Uma ou outra rosácea de peixe desmanchada, um ou outro corte de atum mal acabado; no tabuleiro de sushi bentou (35€), o polvo veio enrijecido, 
os camarões sobrecozidos. Depois, apesar de se ter provado os óptimos gelados de sésamo
e de chá verde, acompanhados com um mochi (7€) também muito bom, faltou a elegância franco-nipónica das sobremesas de Kayo Kanazawa, que acompanhou Tomoaki quando ele saiu.

Resultado. O Tomo está igual?
Não está.
Está bom? Está, pois.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Nome do local Tomo
Contato
Endereço Largo Comandante Augusto Madureira, 2
(Avenida Bombeiros Voluntários de Algés)
Lisboa
1495-012
Horário Ter-Sex 12.30-14.30/19.30-23.00, Sab 13.00-15.30/19.30-23.00
Transporte BUS 750, 751
Preço Até 40€
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