Vivemos tempos de temperaturas altíssimas em Lisboa. E, claro, a tendência natural é deixar os tintos de lado. Mas será que temos de nos divorciar do vinho tinto quando os termómetros sobem? A resposta rápida é: não.
O problema de muitos tintos em dias de 35°C não é a cor, é a estrutura. Um vinho com taninos muito agressivos, álcool alto e sem acidez suficiente para equilibrar a carga alcoólica torna-se pesado e cansativo. O segredinho, então, está precisamente no contrário: procurar tintos com taninos menos extraídos, álcool mais baixo e uma acidez vibrante que nos faz salivar.
Existe um truque técnico que pode facilitar a drinkability (amo essa palavra, mesmo sendo em inglês): a temperatura de serviço. Muitas vezes, um tinto de corpo médio, servido a uns refrescantes 12°C / 13ºC, ganha uma nova dimensão. É a ciência da temperatura a actuar sobre a nossa percepção sensorial: o frio atenua a sensação de álcool e faz a acidez parecer mais viva e refrescante.
Indicamos cinco tintos que brilham mesmo quando o Verão lisboeta resolve transformar a cidade num forno. Sirva-os fresquinhos, chame os amigos e depois nos conte se tinto não merece também um lugar à mesa na estação quente.
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