Vinhos Verão
Time Out | Vinhos tintos para o Verão
Time Out

Tintos no Verão? Sim, e temos provas

Nem todos os tintos são pesados. Selecionámos cinco garrafas leves, frescas e cheias de energia para provar que o Verão não pertence apenas aos brancos e rosés.

Liana Saldanha
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Vivemos tempos de temperaturas altíssimas em Lisboa. E, claro, a tendência natural é deixar os tintos de lado. Mas será que temos de nos divorciar do vinho tinto quando os termómetros sobem? A resposta rápida é: não.

O problema de muitos tintos em dias de 35°C não é a cor, é a estrutura. Um vinho com taninos muito agressivos, álcool alto e sem acidez suficiente para equilibrar a carga alcoólica torna-se pesado e cansativo. O segredinho, então, está precisamente no contrário: procurar tintos com taninos menos extraídos, álcool mais baixo e uma acidez vibrante que nos faz salivar.

Existe um truque técnico que pode facilitar a drinkability (amo essa palavra, mesmo sendo em inglês): a temperatura de serviço. Muitas vezes, um tinto de corpo médio, servido a uns refrescantes 12°C / 13ºC, ganha uma nova dimensão. É a ciência da temperatura a actuar sobre a nossa percepção sensorial: o frio atenua a sensação de álcool e faz a acidez parecer mais viva e refrescante.

Indicamos cinco tintos que brilham mesmo quando o Verão lisboeta resolve transformar a cidade num forno. Sirva-os fresquinhos, chame os amigos e depois nos conte se tinto não merece também um lugar à mesa na estação quente.

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Vinhos tintos para o Verão

Flui Clarete

Com cor aberta, estrutura delicada e enorme facilidade de beber, este clarete feito com Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot e Moscatel Galego entrega fruta fresca, tensão e uma personalidade difícil de catalogar: um pouco tinto, um pouco rosé e um pouco branco. É precisamente essa versatilidade que o torna perfeito para os dias mais quentes.

PVP: 12,50€

Tubarão Fera 2024

Ricardo Garrido trabalha com vinhas junto ao mar, nos solos arenosos da Póvoa de Varzim. Este blend de Vinhão com um toque de Loureiro resultou num vinho leve, energético e cheio de identidade. Com apenas 11,5% de álcool, perfil atlântico e uma mineralidade que pede sempre mais um golo, é daqueles vinhos que desaparecem depressa da mesa.

PVP: 13€

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Tretas 2022

Produzido no Dão pelo talentoso João Tavares de Pina, a partir de Jaen (maioritária), Touriga Nacional e Rufete, este vinho privilegia a elegância em vez da potência. Marcado pela fruta vermelha fresca, pela acidez viva e por taninos sedosos, tem uma leveza quase viciante. Dá água na boca só de lembrar. Servir fresquinho, não se esqueçam!

PVP: 10,50€

Uivo Renegado 2024

Um palhete nascido de um field blend com mais de 25 castas tintas e brancas co-fermentadas a partir de vinhas velhas do Douro. O resultado é um vinho pálido, leve, com sabor a fruta vermelha crocante e uma energia contagiante. Com apenas 11,5% de álcool e um perfil super fresco, desafia por completo a ideia tradicional de um tinto do Douro.

PVP: 10,45€

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Um Tintinho NV

Criação de António Maçanita e Gio Chezia, este vinho utiliza uma mistura tradicional de uvas alentejanas como Aragonês e Castelão, colhidas em 2023 e 2024. É um vinho cheio de fruta vermelha fresca, especiarias suaves e taninos macios. Tem fluidez, personalidade e uma leveza perfeita para almoços descontraídos e demorados.

PVP: 15€

Outros copos

Há uns tempos, dissemos que na hora de combinar vinho e comida, há dois caminhos clássicos que podemos seguir: o da semelhança e o do contraste. Com a pizza não tem de ser diferente (e, não, pizza não vai bem só com refrigerantes ou cerveja): existe, aliás, uma química quase sexual quando abrimos o vinho certo para acompanhar uma fatia.

O mundo do vinho adora vender como novidade algo que os monges do sul de França já criaram, por puro acidente, no século XVI. O Pét Nat (pétillant naturel) é o avô mais rústico do Champagne, porém com bolhas mais subtis, tampa de carica e rótulos que costumam ser bastaaaante criativos e livres.

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Durante um tempo, muita gente pensou que o vinho laranja era só uma moda passageira. Mas não: ele chegou para ficar. Também conhecido como ‘âmbar’ ou ‘branco de maceração’, é bastante antigo: nasceu há mais de 8 mil anos na Geórgia, quando deixavam uvas brancas fermentar com as cascas dentro de ânforas de barro (só as cascas das uvas, ok? Este vinho não tem nada adicionado da fruta laranja). Ou seja, o vinho laranja pode até parecer novo, mas é mais velho que a roda.

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