Zazah

Restaurantes, Petiscos Chiado/Cais do Sodré
4 /5 estrelas
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O restaurante Zazah no Príncipe Real
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Estava prestes a descartar os croquetes de alheira, quando ao meu lado ouvi um “crssssshhhh” notável, um camião TIR contra um Boeing 747. O som saiu directamente da boca fina de uma mulher fina que os mastigava finamente, sentada 
na mesa ao lado, uma artista 
de vestido preto admiradora de Chico Buarque – “É Deus no céu e Chico na terra”.

Sendo um freak do crocante, resolvi experimentar. A minha boca não é fina e o que aconteceu 
à primeira mordidela foi um abalo de grau 8, uma coisa suficiente para acordar os patos do Príncipe Real.

Com isto, engoli o dito e engoli um preconceito. Normalmente, quando a palavra “alheira” aparece numa carta para descrever algo que não é uma alheira daquelas em forma de alheira, torço-me todo: puré
de alheira, folhado de alheira, risoto de alheira, rissol de alheira, hambúrguer de alheira – tudo me causa refluxo gástrico. Nesta matéria,sigoateoriade quea única excepção admissível à alheira servida dentro da tripa de uma vaca é conseguirem algo ainda mais estaladiço do que a tripa de uma vaca.

E foi isso que o Zazah conseguiu.

A crosta do croquete, aparentemente feita de flocos
 de farinha panko, era grossa mas seca, só uma nota discreta de 
um óleo com saúde muito bem contrastado com a acidez da mostarda escura, servida à parte e perfumada com orégãos. E, com isto, o Zazah pôs-me em sentido.

À partida, este restaurante do Príncipe Real, aberto há quatro meses, era só mais um restaurante moderninho com bar de cocktails, galeria de arte (João Louro, José Pedro Croft, Ascânio Monteiro, Sakir Gokcebag e Dora Longo Bahia fazem parte do acervo) e petiscos para partilhar. Mas os croquetes mostraram logo que podia não ser assim. E havia mais.

O “conscious whisky sour” deixou claro que também tínhamos artista atrás do
 balcão. Foi dos cocktails mais equilibrados e surpreendentes que bebi, com mistura de whiskeys “bourbon” e “rye” (destilado de centeio), polpa de maçã agridoce e “tintura” de canela – um elixir inebriante de especiarias, como se Jim Morrison tivesse regurgitado um mercado de Nova Deli.

O resto dos pratos confirmaria a qualidade da introdução, por vezes até elevando a fasquia.
O ceviche de atum estava ao 
nível dos melhores da cidade (incluindo esse, sim). O leite de tigre aromático, picante, sem doce nem sal a mais, com vestígios
 de cebolinho, coentros, aros de malagueta e cebola roxa fresca,
 e o atum em cubos firmes.

Por sua vez, os cones de sapateira eram bonitinhos, práticos e agradáveis, ainda que o sabor do marisco tivesse sumido. Extraordinária a bifana de bochecha de porco com mostarda de Dijon, o pão insípido mas fino como uma bolacha. E o puré de batata com trufa era o que costuma ser um puré com batata a sério e óleo de trufa a sério: um montículo fofo e amanteigado por onde se solta o aroma sensual e dúbio da trufa, ali entre o queijo de ovelha e o boleto.

Em síntese. Não há só embrulho de capital europeia (e preçário condizente) neste Zazah. Temos comida feita com cuidado e técnica, um serviço meio distraído mas simpático, e boa onda.

PS: Já depois da visita, o restaurante começou a abrir também ao almoço, com menu executivo. Calculo que passe a ser mais regular a existência de pratos do Brasil na ementa, visto que os donos são de lá e o chef também. Mais uma razão para a visita.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Nome do local Zazah
Contato
Endereço Rua de São Marçal, 111
Príncipe Real
Lisboa
1200-420
Horário Seg-Qua 19.00-00.00, Qui-Sáb 19.00-02.00
Transporte BUS 706, 773, 727
Preço 30 a 40€
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