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Ivan Barros | Dzudza, de Idio Chichava
Ivan Barros

Alkantara Festival: 12 espectáculos a não perder

Entre 13 e 29 de Novembro, o Alkantara Festival volta a correr a cidade. Estes são os espectáculos em destaque na edição deste ano.

Raquel Dias da Silva
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Nasceu como Danças na Cidade em 1993, mas mais de 30 anos depois muito mudou. Desde 2006 que se chama Alkantara Festival, e tem-se consagrado como um espaço de encontro entre dança, teatro e performance internacional, onde se pensam e debatem as urgências do mundo contemporâneo. Este ano, o festival ocupa várias salas de Lisboa – da Culturgest às Carpintarias de São Lázaro, passando pelo renovado CAM e pelo TBA – com criações que abordam temas como a liberdade da geração pós-genocídio tutsi, os corpos não normativos, os movimentos migratórios e a diáspora africana. Dos 17 espectáculos programados, escolhemos 12 a não perder. São os destaques desta edição.

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O melhor do Alkantara Festival

  • Chiado/Cais do Sodré

O Alkantara Festival está de regresso à cidade e a noite de arranque faz-se na pista de dança. A 13 de Novembro, o espaço DISASTER acolhe a festa-performance oficial de abertura, concebida e conduzida pelo colectivo MeioFio. Sob a premissa de um ciclo que cruza criação e consumo, luz e corpo, o colectivo propõe uma imersão performativa que habita o intervalo entre a festa e a celebração ritualística. Inspirada na metamorfose da matéria e na dança como reacção primordial, a noite pretende transformar o espaço num ponto de encontro entre artistas, público e noctívagos. O evento destina-se a maiores de 18 anos e os bilhetes têm o valor único de 5€.

  • Dança
  • Belém

Dois homens abraçados, em constante espiral, desafiam a gravidade e a resistência física no Foyer do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) a 14 de Novembro. Integrado na programação do Alkantara Festival, Save the Last Dance for Me, criação de 20 minutos do coreógrafo italiano Alessandro Sciarroni, resgata a polka chinata, uma dança de cortejo popular bolonhesa do início do século XX, outrora praticada exclusivamente por homens, caracterizada por giros contínuos, flexões profundas e uma exigência física quase acrobática. Em cena, os bailarinos Gianmaria Borzillo e Giovanfrancesco Giannini executam uma coreografia fundada no equilíbrio, na confiança mútua e na transmissão viva de uma tradição que, quando Sciarroni a descobriu em 2018, contava com apenas cinco praticantes no mundo. O bilhete custa 7€.

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  • Santa Maria Maior

Ao fim de 29 anos de resistência e invenção no panorama das artes performativas nacionais, a estrutura Cão Solteiro despede-se dos palcos em colaboração com André Godinho. A celebração faz-se através de Menos, uma criação que cruza os limites entre o teatro, o cinema, com a realização de excertos de um filme, em tempo real, e a festa de encerramento. Criadores, intérpretes, técnicos e toda a equipa estarão transversalmente presentes no palco, num movimento contínuo que terminará com o esvaziamento total da cena. A música será assegurada por uma DJ.

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Um ursinho de goma, um caracol e uma enguia encontram-se num pojangmacha, os tradicionais bares nocturnos de comida de rua da Coreia do Sul. É neste cenário insólito que se desenrola Haribo Kimchi, a mais recente criação do artista sul-coreano Jaha Koo, que chega ao TBA entre 13 e 15 de Novembro. Através de uma linguagem híbrida que alia música, vídeo e performers robóticos, o espectáculo utiliza a gastronomia como metáfora e refúgio para quem vive distante da sua terra natal. Ao longo de 70 minutos, a peça cruza a evolução da cultura do kimchi com relatos sobre a dor amarga do racismo, a vergonha dos processos de integração e a procura pela sensação umami do que significa estar em casa. Esta viagem entre a melancolia e o humor absurdo promete convocar todos os sentidos do público, acompanhada por cheiros intensos e som alto. A performance é apresentada em coreano e inglês, com legendas em português e inglês.

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  • São Sebastião

Três corpos, três territórios e um violoncelo encontram-se no palco do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian entre 14 e 16 de Novembro. A artista multidisciplinar Dorothée Munyaneza apresenta a estreia absoluta de Shikama, uma criação integrada na programação do Alkantara Festival 2026. O título deriva da palavra kinyarwanda Gushikama, que significa "criar raízes". Em cena, Munyaneza junta-se à bailarina e investigadora cultural Inés Sybille Vooduness e ao compositor e artista interdisciplinar Matthew Jamal. Através da improvisação contínua entre som, texto, canto e movimento, a peça aborda a ruptura como força dinâmica e questiona como é possível fixar pertença perante a instabilidade do mundo. A apresentação surge no âmbito do Prémio Salavisa European Dance Award. A sessão de 15 de Novembro conta com uma conversa pós-espectáculo com Dorothée Munyaneza e Aoaní (em inglês). Os bilhetes têm o valor único de 10€.

  • Dança
  • São Sebastião

Inspirada na atmosfera ruidosa e viva do Mercado de Xiquelene, nos arredores de Maputo, a criação de dança Dzudza chega ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian a 17 de Novembro, às 21.00, em estreia nacional no âmbito do Alkantara Festival. Interpretada por 12 bailarinos, a peça desdobra-se através de uma fisicalidade intensa, cantos e passos rítmicos para reflectir sobre a resiliência, as fronteiras e a deslocação no mundo contemporâneo, utilizando a capulana, tecido tradicional associado à identidade e protecção, como elemento cénico e extensão do movimento. A apresentação insere-se no âmbito do Prémio Salavisa European Dance Award, cuja cerimónia de entrega decorre logo após o espectáculo, sendo complementada no dia seguinte, 18 de Novembro, por uma oficina gratuita ministrada pelo coreógrafo Idio Chichava no Espaço Alkantara. O espectáculo custa 15€.

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  • Dança
  • Avenidas Novas

Inspirado na busca por futuros possíveis a partir da capital do Mali, o novo espectáculo concebido pelo encenador Stefan Kaegi e pela criadora Kettly Noël chega em estreia nacional, de 21 a 22 de Novembro, no Auditório Emílio Rui Vilar da Culturgest, no âmbito do Alkantara Festival. Durante 90 minutos, um músico-griot em palco com uma cora e um sampler acompanha a transmissão de um plano-sequência filmado em tempo real nas ruas de Bamako, onde os intérpretes Diarrah Dembelé e Kassim Dagnogo percorrem a cidade a pé e de moto, estabelecendo uma ponte entre o teatro documental, o cinema directo e a ficção científica. Falada em francês e bambarra com legendas em português e inglês, a apresentação tem bilhetes a 16€ e é complementada por uma masterclass ministrada por Stefan Kaegi no dia 22 de Novembro, às 11.00, na Sala 2 da Culturgest.

  • Dança
  • Belém

Regressando à primeira linguagem de movimento que conheceu nas festas populares e casamentos em Marrocos, o bailarino Bilal El Had apresenta Ch’ttahh (“dançarino”) na Black Box do Centro Cultural de Belém de 20 a 22 de Novembro, em estreia nacional integrada no Alkantara Festival. A solo ao longo de 45 minutos, o espectáculo combina os ritmos, canções e simbolismos centenários do Chaabi marroquino com o vocabulário da dança contemporânea, explorando os gestos sociais de homens que historicamente desafiaram as normas de género e masculinidade através da música e da poesia. Falado em inglês e árabe com legendas em português e inglês, a apresentação tem bilhetes a 13€ e é acompanhada por uma conversa aberta no dia 21 de Novembro, com Bilal El Had e a artista Piny.

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  • Dança
  • Lisboa

O projecto coreográfico Espiões, concebido por Filipa Francisco e iniciado há quase três décadas com a premissa de inverter os papéis tradicionais entre criadores e intérpretes, chega à sua terceira edição na Sala Estúdio Valentim de Barros de 20 a 22 de Novembro, em estreia absoluta integrada no Alkantara Festival. Com direcção cénica de Sónia Baptista, a peça junta em palco a própria Filipa Francisco, Francisco Camacho, Miguel Pereira e Sílvia Real – figuras-chave na formação da encenadora –, num encontro que cruza o absurdo, a memória pessoal da dança e a reflexão sobre o fim do mundo contemporâneo. O espectáculo tem a duração de uma hora, custa 12€ (com descontos habituais), conta com legendas descritivas em português e inglês e é seguido de uma conversa aberta com o elenco e a artista Carlota Lagido no dia 22 de Novembro.

  • Avenidas Novas

Após a repercussão internacional do primeiro capítulo da trilogia Cadela Força, a encenadora e performer brasileira Carolina Bianchi e o colectivo Cara de Cavalo apresentam a estreia nacional de Capítulo II: The Brotherhood no Auditório Emílio Rui Vilar da Culturgest, de 26 a 28 de Novembro, no âmbito do Alkantara Festival. Ao longo de três horas e 40 minutos (com intervalo), o espectáculo investiga os pactos de masculinidade, os códigos de irmandade e a perpetuação da violência sexual como vocabulário de poder, mobilizando o teatro para reflectir sobre a História da arte, a misoginia e a representação do trauma real. Falada em português com legendas em português e inglês, a apresentação é classificada para maiores de 16 anos (contendo conteúdo sexual explícito e referências a violência sexual), tem bilhetes a 18€ e é antecedida pela conferência "Violência e Potência, no Feminino", com Carolina Bianchi e Gabriela Moita, a 24 de Novembro, no Pequeno Auditório.

Teatro em Lisboa

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