Na margem de lá – Um lamento

Teatro, Teatros públicos e nacionais
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Na margem de lá – Um lamento
©JORGE GONÇALVES

“Ao propor-me trabalhar aqui o trágico episódio de Dido e Eneias sabia que estaria nos limites do teatro, arte do poder, arte da honraria, arte da celebração real. Pois como se pode fazer entrar num palco aqueles mesmo a quem retiramos o direito à vida? O direito à história? Impotentes, choramos. E não fazemos nada, vivemos.”

As palavras são de Jorge Silva Melo, que encena este Na Margem de Lá - Um Lamento. Em palco, na sala estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, André Loubet, Andreia Bento, Catarina Wallenstein, Gonçalo Silva, Hugo Tourita, João Pedro Mamede, Luís Coelho, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Baptista trazem até ao palco o amor e a vida, a esperança e a morte dos que não têm história. Afinal, mais do que nunca, é preciso dar voz a quem vê a esperança afogar-se numa interminável travessia no Mediterrâneo. 

Em fundo, os clássicos que cantaram as proezas nas suas margens ao longo de séculos. Os poemas épicos como a Eneida de Virgílio ("Eu canto as armas e o homem", assim começa), fios condutores para a queda de Tróia, as fugas pelos mares e todos os seus cadáveres. Os fantasmas povoam as águas, mas é também nelas que se procuram os vencedores. Aqueles que nos ajudam a aguentar o barco todos os dias. 

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