The Swimming Pool Party

Teatro
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The Swimming Pool Party
©Estelle Valente

O transborde vertival de piscinas em enchimento
 por falta de absorção do solo é matéria de que ninguém fala apesar das vítimas que provoca. Outra pessoa diria que só neste país. O problema, embora por enquanto apenas registado
em piscinas particulares, é universal, pois o seu potencial de crescimento, alastrando
a equipamentos públicos e incluindo parques aquáticos e fontes, é imenso. De qualquer maneira, apesar de relacionado, isso não interessa nada, pois não é este realmente o assunto de The Swimming Pool Party.

O assunto do texto de Ricardo Neves-Neves (n. 1985) é... Bem. Sabe-se que é inspirado em Agatha Christie; que a ideia nasceu à encenadora, Mónica Garnel, a propósito de Anúncio 
de Um Crime; que há por ali uma pitada de Cocktail Party, de T. S. Eliot, e um toque de drama sacado às telenovelas guatemaltecas (ou talvez nicaraguenses), a engrenagem rodando ao som de muita salsa e outras latinices, mais um bocado de rap e outras músicas criadas ou alinhadas por Sofia Vitória. Ah, também há um crime. Porém, o assunto da peça não é propriamente o crime. Confuso? Objectivamente (é uma maneira de falar) pode dizer-se que as personagens criadas para Álvaro Correia, Ana Água, Inês Vaz, José Miguel Vitorino, Mónica Calle, Mónica Garnel, Rute Cardoso e Tiago Vieira são um grupo de aristocratas reunidos para uma festa na piscina (em lento enchimento) de uma anfitriã com um segredo por revelar. Segredo cabeludo, tão fundamental ao entrecho que só se dá por ele quando revelado e bem explicadinho por uma enfermeira de língua bífida e muita perseverança.

Daí que o assunto da peça – digo eu – seja essa aristocracia burlesca, tratada pela encenação como
 uma ilustração grotescamente lustrosa, movimentando-se
 em manada, falando de si e dos seus em uníssonos ou tiradas individuais com a elevada
 estima dos que convivem por conveniência. O que, aliás, também não interessa nada. Porque The Swimming Pool Party é, com todos os seus condimentos, uma real pândega.

Por Rui Monteiro

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