"VÉNUS – Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos"
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Exposições em Lisboa a não perder este mês: o essencial da agenda de arte

Pintura, escultura, fotografia. A agenda de Lisboa está cheia de opções para quem procura arte.

Mauro Gonçalves
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Entre grandes museus e pequenas galerias independentes, a cidade está cheia de boas ideias para quem procura traçar um roteiro artístico. Falamos de exposições de pintura, escultura, fotografia e de moda, assinadas tanto por talentos locais que estão a dar que falar como por grandes nomes do panorama internacional. Afinal, Lisboa transformou-se num relevante centro para a arte contemporânea, onde coleccionadores e galeristas andam à caça de novidades. Seleccionámos as sugestões que merecem o seu tempo. Pegue na agenda e tome nota das exposições em Lisboa a visitar nas próximas semanas.

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Exposições em Lisboa este mês

  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Alcântara
Nesta exposição multidisciplinar, a fotografia apresenta-se como o meio mais recente no percurso de Igor Jesus. O artista tem desenvolvido um trabalho na área da escultura, muitas vezes associada a vídeo, som e tecnologias obsoletas ou em desuso. Nesta exposição, o centro é um conjunto de peças escultóricas especificamente concebidas para o espaço do Torreão Nascente, uma nova série de fotografias e um grupo de três esculturas videográficas. "Em todas as obras está patente o seu interesse pela mutabilidade das coisas, por estados de transição e mudança (daí o título), gerando objectos e situações para os quais não temos nome ou catalogação."
  • Arte
  • Fotografia
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
O artista angolano Edson Chagas apresenta uma mistura de três séries fotográficas, essenciais no seu percurso e desenvolvidas ao longo dos últimos 20 anos: "Found Not Taken" (2008-2014, Londres, Newport, Luanda), "Archives of Absence: Involuntary Images" (2019, Namibe), e "Common Walls" (2022-2024, Lisboa, Brescia). A primeira fez parte da Bienal de Veneza em 2013, contribuindo para que Angola ganhasse o Leão de Ouro para melhor pavilhão nacional. Agora, no Pavilhão Branco (Jardins do Palácio Pimenta), o fotógrafo coloca em diálogo diferentes formas de olhar. Vindo do fotojornalismo e de uma abordagem documental, Chagas foi tomando um percurso mais introspectivo e conceptual, nunca esquecendo a cidade como tema. As obras evocam, assim, diferentes modos de habitar Luanda (onde nasceu e viveu), Lisboa, Londres e Newport (cidades onde viveu e estudou fotografia), mas também paisagens do Namibe, em Angola, e de Brescia, em Itália.
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  • Arte
  • Cerâmica e olaria
  • Avenidas Novas
Da Bienal de Veneza ao Victoria and Albert Museum, o trabalho do britânico Jeremy Gardiner teve sempre como medium primordial a pintura. Mas, aos 69 anos, o autor decidiu transferir para a cerâmica a sua pesquisa sobre paisagem, geologia e passagem do tempo, que desenvolve há décadas. O resultado são 18 placas em cerâmica, inspiradas em duas regiões inglesas reconhecidas como Patrimônio Mundial pela UNESCO: a Costa Jurássica e o Lake District. Nelas, ganham forma falésias, lagos e cascatas, a partir da memória do artista. O interesse de Gardiner pela cerâmica, no entanto, é antigo e teve dois momentos-chave: a visita à Oficina Cerâmica Francisco Brennand, no Brasil, em 2001, e o confronto com o painel de Querubim Lapa na pastelaria Alcôa, em Lisboa, em 2020. Para desenvolver a presente série em exposição, Gardiner trabalhou durante três meses na Oficina do Castelo, em Lisboa, ao lado de Suzana Barros, viúva de Querubim Lapa, e Vera Teotónio, sua sócia e colaboradora. A mostra concretiza-se numa "geologia da paisagem".
  • Arte
  • Fotografia
  • Lisboa
A crise da habitação em Lisboa (Gonçalo Fonseca), animais imaginários em cenários improváveis (Joan Fontcuberta), planos reprodutivos na Alemanha nazi (Marc Schroeder), as mitologias da região ucraniana de Poltava (Viktoria Sorochinski), feridas e imagens idílicas do Líbano (Ian Cheibub), a luta pela igualdade de género por uma influente poeta (Rocío Bueno), o branco na fotografia (José Luís Neto), ficções futuristas (Chloé Azzopardi) ou o questionamento da autoridade do arquivo colonial (Délio Jasse). A lista de temas é extensa e poderia continuar, abarcando a amplitude a que já nos habituou o festival de fotografia Imago. Os lugares do evento são, também eles, uma manta diversa, da Livraria Sá da Costa à loja da Leica, passando pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado ou pela Sociedade Nacional das Belas Artes (sem nunca esquecer, claro, a própria Galeria IMAGO). O festival integra a rede europeia do Mês Europeu da Fotografia, centrando-se na promoção de artistas contemporâneos e no diálogo entre criadores, especialistas e público. Além das exposições, o programa inclui debates e oficinas, tudo sobre o mote "Repensar a Fotografia: Ecologias da Imagem", para uma reflexão crítica sobre os impactos das novas tecnologias na fotografia artística. A agenda completa pode ser consultada aqui.
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  • Arte
  • Fotografia
  • Baixa Pombalina
Seis artistas experimentaram o novo para desafiarem e tentarem expandir a própria definição de fotografia e o resultado é esta exposição colectiva, integrada no programa EMOP Repensar a Fotografia. Os autores são Marta Djourina, Serge Ecker, Marco Godinho, Raisan Hameed, Carine Krecké e Paulo Simão e a exposição, dizem os organizadores, é "para quem quiser ver até onde a fotografia pode ir". Para ver há fotografias que se transformam de acordo com a posição do observador, imagens com recurso a técnicas de análise open source e inteligência geoespacial ou trabalhos sem câmara, em que a luz, a água, a bioluminescência e descargas eléctricas são ferramentas centrais. 
  • Arte
  • Fotografia
  • Marvila
Georgs Avetisjans, da Letónia, Louisa Boeszoermeny, da Alemanha, e Sonia Hamza, de França, fizeram uma residência artística na associação Procurarte, em 2025. Daqui nasceu um projecto artístico que usa a fotografia como ferramenta de leitura crítica da cidade enquanto espaço político, social e simbólico. Como flâneurs e observadores, os três autores criaram um retrato contemporâneo e multifacetado da zona oriental de Lisboa, "território marcado por profundas transformações urbanas, diversidade social e tensões associadas ao direito à cidade".
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  • Arte
  • Fotografia
  • Alcântara
Nesta selecção de obras de uma das mais relevantes colecções privadas portuguesas, a de Américo Marques, alguns dos melhores fotógrafos mundiais da contemporaneidade ocupam uma parte do MACAM. "Espaços Outros (Parte I)" (a segunda parte chega em Novembro) alberga, assim, obras de Andreas Gursky, Andres Serrano, Bernd Becher & Hilla Becher, Candida Höfer, Cindy Sherman, Edgar Martins, Eija-Liisa Ahtila, Helena Almeida, Helmut Newton, João Penalva, Jorge Molder, Martin Parr, Nan Goldin, Richard Prince, Thomas Ruff ou Wolfgang Tillmans, num total de 36 artistas.
  • Arte
  • Fotografia
  • Alcântara
Artistas portugueses e estrangeiros (cujas obras partem da Colecção Américo Marques) exploram, através da fotografia, as formas de construção, negociação e dissolução dos vínculos humanos. O ponto de partida é, quase sempre, a experiência amorosa, fazendo com que o visitante da exposição atravesse camadas como o desejo, a intimidade, a aproximação, a tensão, o afastamento e a perda. Aqui, a expressão "linha de falha" socorre-se do seu significado original – o de uma fractura na crosta terrestre onde duas placas tectónicas se encontram, acumulando tensão e, na deslocação, transformando a paisagem – para abarcar as relações humanas. Cada aproximação contém em si a possibilidade de mudança.
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  • Arte
  • Feiras
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real
É a nona edição deste evento que reúne dezenas de autores de desenho contemporâneo no interior da Sociedade Nacional de Belas-Artes. De 22 a 25 de Outubro, 23 galerias em representação de mais de sete dezenas de artistas juntam-se num evento que liga galeristas, coleccionadores e curadores, mas também um vasto público interessado nesta expressão artística. Com um crescente destaque internacional, a Drawing Room Lisboa inclui, este ano, autores de Espanha, Peru, Moldávia, Angola, Países Baixos, Itália, Suíça, Polónia, Bélgica, Irão e Brasil. Entre os artistas portugueses, destaque para o carácter multigeracional da amostra criativa, com nomes como Pedro Calapez, Pedro Cabrita Reis, José Pedro Croft, Maria Capela e Diana Policarpo incluídos.
  • Arte
  • Fotografia
  • Oeiras
Referência mundial do fotojornalismo, a exposição de 42 fotografias dos acontecimentos mais marcantes de 2025 ocupa o Parque dos Poetas. Em destaque estão as crises de Gaza ou do Sudão, mas também os incêndios que devastaram Los Angeles, nos Estados Unidos, ou a Galiza, em Espanha. Com entrada livre, a mostra também abarca histórias de resistência, como um casamento no meio de uma inundação nas Filipinas ou a conquista de espaço por mulheres na Tbourida, uma tradição equestre que, durante séculos, foi privilégio dos homens, em Marrocos. A par da exposição, existe ainda um programa de debates, workshops, um passeio fotográfico e visitas guiadas.

Mais coisas para fazer em Lisboa

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor, de fogo, para peixe fresco, neo-tascas e os mais diversos projectos de cozinha internacional.

  • Compras

Lisboa não pára de somar novos balcões e montras que merecem uma visita. Entre laboratórios de perfumaria de nicho onde as fragrâncias são misturadas na hora, marcas nacionais empenhadas em promover um consumo sustentável, uma nova vaga de lojas de segunda mão e outras que honram o comércio tradicional da cidade, o roteiro de compras está em permanente renovação.

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