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Arte Urbana, André Carrilho, Estação de Sete Rios
©Melissa Vieira André Carrilho - Estação de Sete Rios

As novas obras de arte urbana em Lisboa

Desde Março que artistas de arte urbana têm saído à rua para, legalmente, darem novas cores à cidade.

Por Renata Lima Lobo
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São muitos os artistas urbanos que têm encontrado na cidade de Lisboa as telas perfeitas para exprimir a sua arte. Uma arte cada vez mais apoiada não só pela Câmara Municipal de Lisboa (através do Gabinete de Arte Urbana) e juntas de freguesia, mas também por vários negócios da cidade. Desde Março, a cidade ganhou grandes peças de arte urbana, graças aos muitos os talentos que saíram à rua para dar novas cores à cidade, tendo por base os mais variados temas. Seguimos o cheiro da tinta e propomos um roteiro fresquinho para descobrir este Verão.

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As novas obras de arte urbana em Lisboa

Arte Urbana, Edis One, Pariz One e Ôje, Hospital dos Lusíadas
Arte Urbana, Edis One, Pariz One e Ôje, Hospital dos Lusíadas
©Melissa Vieira

Edis One, Pariz One e Ôje – Hospital dos Lusíadas

Os artistas urbanos portugueses Edis One, Pariz One e Ôje transformaram um dos muros laterais do Hospital Lusíadas Lisboa a convite do grupo Lusíadas Saúde. Inaugurado a 19 de Junho, presta homenagem a todos os profissionais de saúde, mas as caras não aparecem, ao contrário de um mural com propósito semelhante, oferecido por Vhils ao Hospital de São João, no Porto. “Desde o início tínhamos em mente que queríamos ter um mural o mais intemporal possível, por exemplo não usando as máscaras que hoje em dia fazem parte da nossa rotina. Porquê? Porque da mesma forma que não precisamos dos bombeiros só no Verão, o mesmo acontece com os profissionais de saúde. São essenciais para a nossa vida”, explica Edis One na sua página de Instagram, onde também deixa o alerta: “Não nos vamos esquecer do que estes heróis passaram e passam para proteger as nossas vidas, por isso vamos aliviar o seu dia-a-dia não esquecendo das regras de segurança da DGS”.

Arte Urbana, André Carrilho, Estação de Sete Rios
Arte Urbana, André Carrilho, Estação de Sete Rios
©Melissa Vieira

André Carrilho – Estação de Sete Rios

No passado dia 25 de Abril, o Diário de Notícias publicou na capa um cartoon exclusivo, assinado por André Carrilho, alusivo à Revolução dos Cravos e também à actual pandemia – com um cravo, uma criança, um arco-íris e o texto “Vai ficar tudo bem”. Uma imagem para recortar e colar à janela, desafiou o ilustrador. Foi um sucesso nas redes sociais e acabou por ir parar à Stolen Books, onde pode comprar uma edição impressa e assinada. “No meio de uma crise temos de nos agarrar a uma coisa boa. O 25 de Abril é uma das coisas que nos dá esperança, e a analogia está aí”, disse-nos então. Mas o ilustrador queria chegar a ainda mais pessoas e achou que a imagem devia estar num local público. A iniciativa concretizou-se com a ajuda da Galeria de Arte Urbana | GAU na movimentada estação de Sete Rios, numa parede junto à Avenida Columbano Bordalo Pinheiro.

stolenbooks.pt/product/pre-order-25-de-abril- sempre-andre-carrilho

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Arte Urbana, Smile1art, Avenida Calouste Gulbenkian
Arte Urbana, Smile1art, Avenida Calouste Gulbenkian
©Bruno Cunha/CML/DPC

Smile1art – Avenida Calouste Gulbenkian

Simboliza a união da cidade no caminho da sustentabilidade, no ano em que Lisboa é Capital Verde Europeia. O plano de acções a implementar pelo município até 2030 (disponível em lisboagreencapital2020.com) inclui a instalação de iluminação LED em todos os edifícios e veículos eléctricos e a eliminação de plásticos de utilização única. Este Mural do Compromisso do português Smile1art (Ivo Santos) é bem fácil de encontrar nas instalações da Polícia Municipal na Avenida Calouste Gulbenkian, junto ao viaduto do corredor verde de Monsanto: tem 1000 m2 e uma vasta área de azulejo, numa colaboração com a fábrica Viúva Lamego.

Arte Urbana, Tomás Reis, Edis One e Pariz One, Rua das Garridas
Arte Urbana, Tomás Reis, Edis One e Pariz One, Rua das Garridas
©Melissa Vieira

Tomás Reis, Edis One e Pariz One – Estrada das Garridas

A Junta de Freguesia de Benfica decidiu homenagear figuras ligadas ao bairro e eternizou 15 celebridades bem conhecidas dos portugueses num mural inaugurado a 28 de Maio. Para criar a obra que agora pode ver ao pé do Palácio Baldaya, chamou Tomás Reis, que desenhou, e Edis One e Pariz One (artistas com atelier em Benfica), que ficaram responsáveis pela pintura. Mas primeiro, o poder local contou com a ajuda dos fregueses. Em Outubro de 2019, a Junta lançou uma sondagem no Facebook para que fossem eleitas as personalidades que estariam em destaque na obra. E os votos resultaram em nomes como Carlos Paredes, Madalena Iglésias, Vasco Santana, António Feio, Ruy de Carvalho, Beatriz Costa, Ana Bacalhau, Nuno Markl e Lena d’Água.

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Arte Urbana, Fluvio Capurso, Rua Triste Feia
Arte Urbana, Fluvio Capurso, Rua Triste Feia
©Afonso Sousa

Fulvio Capurso – Rua Triste Feia

A 8 de Junho, a padaria Gleba, em Alcântara, mudou-se para um espaço novo e maior, na Rua Maria Pia. Mas não foram apenas os níveis de produção a aumentar: também a arte urbana na cidade ganhou mais um exemplar. É que, para assinalar a mudança, a Gleba contratou o artista urbano Fulvio Capurso, italiano radicado em Lisboa, para fazer um mural na parede exterior que faz esquina com a Rua Triste Feia, um dos topónimos mais peculiares da cidade. Uma intervenção que faz parte de um projecto que Fulvio gostaria de implementar na cidade, sobre o significado e origem dos nomes das ruas. “Encontrei o dono da padaria, comentei que era um artista urbano e que queria intervir no bairro. E ele comentou que tinha esta ideia de intervir nesta fachada que não pertence à Gleba, pertence a uma associação”, explica o artista, que pôs todos em contacto. O projecto foi enviado à Câmara Municipal para aprovação e assim nasceu esta Triste Feia. Reza a lenda que era a alcunha de uma de três irmãs, a menos formosa, que na sua velhice se sentava sozinha à porta de casa, numa “melancolia doente”. Além da lenda, o artista também ilustra armazéns da Rua Maria Pia, as varinas que equilibravam na cabeça a canastra com o peixe e “uns amigos aqui do bairro que trabalham numa oficina de metal, um pouco depois da padaria”. E também há algo para descobrir dentro da Gleba.

Arte Urbana, Bordalo II, Rua do Carmo, Pelicanos
Arte Urbana, Bordalo II, Rua do Carmo, Pelicanos
©Melissa Vieira

Bordallo II – Rua do Carmo

Um guaxinim em Belém, uma raposa na Avenida 24 de Julho, peixes na Avenida de Ceuta, um sapo na Avenida Infante D. Henrique, um lince ibérico no Parque das Nações. O artista urbano Bordalo II não pára de criar fauna feita com lixo reciclado por esta cidade fora, numa tentativa de alertar para o desperdício. Uma parede na Rua do Carmo transformou-se no início de Março no habitat de dois grandes pelicanos, encaixados numa área total de 5x5 metros. Uma encomenda da Associação Mutualista Montepio.

Arte pública

arte urbana na Amadora
Câmara Municipal da Amadora

Roteiro de arte urbana na Amadora

Coisas para fazer

“A Cidade da BD”, como se tem afirmado em Portugal e como confirma a parede de um túnel a caminho do Fórum Luís de Camões, é uma referência da expressão artística no espaço público e na cultura urbana da Grande Lisboa. Na rota da arte pública, contam-se mais de uma centena de murais, graças sobretudo ao projecto “Conversas na Rua”, organizado pelo município desde 2015, que promove todos os anos várias intervenções artísticas, em articulação com o património e a paisagem urbana da cidade. Entre as diferentes propostas visuais, encontramos obras de artistas como Odeith, Akacorleone, Vile e Smile. Pode vê-las num acervo virtual ou aproveitar para programar um passeio em família com este roteiro de arte urbana na Amadora, onde procurámos reunir alguns dos melhores graffitis.

Mural Capital Verde Europeia - Smile1art
© Bruno Cunha | CML | DPC | 2020

Siga este roteiro de arte urbana em Lisboa

Coisas para fazer

Vhils, Bordalo II, Aka Corleone, Smile, ±MaisMenos±, Tamara Alves ou Mário Belém são alguns dos nomes mais sonantes neste roteiro de arte urbana em Lisboa. A eles juntam-se artistas de todo o mundo, que escolhem Lisboa para servir de tela aos mais variados estilos e mensagens. Se por um lado Lisboa está em guerra com taggers com pouco talento para a coisa – e que fazem questão de espalhar assinaturas por tudo quanto é sítio –, por outro a cidade é cada vez mais um museu a céu aberto de belíssimas obras de arte urbana. Embarque connosco num passeio alternativo pela cidade.

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