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Portefólio: As emoções remotas de Home Office Home

Guilherme Nunes encontrou humanidade nas reuniões em salas virtuais, durante a pandemia. Falámos com o publicitário carioca depois de entrar nos escritórios domésticos de Home Office Home.

Escrito por
Vera Moura
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Enxergar é um verbo que se usa mais do outro lado do Atlântico do que deste. Mas é uma palavra forte, bonita, que parece ir um pouco mais longe do que “ver” ou “olhar”. Pedrinho Fonseca, escritor, fotógrafo, realizador e amigo de Guilherme Nunes, usou-a para descrever o projecto Home Office Home. Disse o brasileiro: “O fotógrafo Gui Nunes está a registrar, em cada reunião em salas virtuais que participa, aquilo que respira, ainda humano, em nossos distanciamentos, confinamentos, isolamentos. A fotografia como exercício de enxergar o exílio de cada uma e de cada um que – ao se deparar com os espelhos-tela – ainda consegue admirar os rostos das outras pessoas tal qual o nosso rosto se revela a elas, nos sorrisos, seriedades, distrações e focos.” 

Foi quando em Março ficou sem poder sair à rua para fotografar estendais, como tanto gostava, que o carioca em Lisboa Guilherme Nunes começou a enxergar, através do computador, as pessoas com quem tinha reuniões à distância. Nos seus retratos espontâneos, feitos com uma máquina fotográfica chamada print screen, enxergou as mais diversas expressões – aborrecimento, cansaço, stress e preocupação, mas também entusiasmo, concentração, entrega e alegria. Enxergou, acima de tudo, “que as conexões não se perderam, mesmo estando longe”. 

“Comecei meio despretensioso”, descreve à Time Out. “Sem saber se isso daria algo de facto. Fui clicando, experimentando e guardando numa pasta. Depois de um tempo, e já com algum material, comecei a analisar e, conversando com uma amiga, vi que tinha algo transversal ali. Tinha gente feliz. Tinha contacto. Tinha afecto. Tinha aproximação, mesmo com a distância.” Os modelos não sabiam que estavam a ser fotografados até ao dia em que o publicitário meteu tudo num site e mostrou a cada um o que andava a tramar. “A reacção foi maravilhosa. Toda gente adorou, elogiou e, num geral, quebrou uma tendência que temos de não gostarmos de nós mesmos nas fotos. Mas é na imperfeição e no sorriso aberto que as pessoas se enxergaram e ignoraram os seus defeitos.” 

Home Office Home regista, essencialmente, reuniões de trabalho, mas também há fotografias do pai de Guilherme a chorar ao ver o seu neto, da mãe “sempre a sorrir”, ou da amiga Lu Cani em Tóquio. A sequência de imagens que mais o marcou até agora foi a da colega Cuca a ser abraçada pelos filhos. “Para mim, essa é a melhor vacina já inventada. Um bom abraço.”

O projecto Home Office Home está para durar. Guilherme, de 33 anos, quer “fotografar mais amigos” – “gente que conheço, gente que não conheço, gente que me convidar, gente que se sente curiosa, gente que precisa de uma foto para algum fim específico. [Quero ser] quase um fotógrafo lambe-lambe – ou fotógrafo à la minute: um fotógrafo ambulante que faz retratos mas, dessa vez, apenas pelo digital”. Concluiu o amigo Pedrinho Fonseca, conjugando mais uma vez o verbo enxergar: “Home Office Home é um trabalho-prefácio. Inconcluso. Por não sabermos quando isso termina. Por não sabermos como isso termina. Por não sabermos se isso termina. É um convite a continuarmos nos enxergando profundamente. Mesmo sem saber quando, como e se isso termina.”

Para amantes de fotografia

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