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Christophe Raynaud de Lage / Festival d’Avignon

As melhores peças de teatro e dança em Lisboa para ver em Setembro

Há muitos e bons espectáculos para ver em Lisboa. Passámos a agenda em revista e trazemos-lhe as melhores sugestões para este mês.

Raquel Dias da Silva
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Em Lisboa, não faltam opções para ir ao teatro, muitas delas com preços bem apetecíveis (olá, dia do espectador). Mas algumas estão tão pouco tempo em cena que é preciso correr, já que nunca se sabe se (e quando) são repostas. Entre companhias históricas e emergentes, encenadores e actores conhecidos e até os que ainda estão a tentar conquistar o seu lugar, encontra-se um generoso conjunto de peças de teatro e dança a não perder em Setembro. Aqui ficam as nossas sugestões, para que na hora de escolher seja tudo mais fácil. Bom espectáculo!

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As peças de teatro em Lisboa em Setembro

  • Lisboa

Com encenação de Pedro Sousa Loureiro aka Feathering, em co-autoria com Miguel Stichini, este espectáculo tem como musa Margarida Oliveira, uma mulher que, na década de 60, se muda de Mangualde para Sacavém com crianças ainda nos braços. Apelidada de “mulher-homem” sempre que se deslocava a Lisboa sozinha, ou com a ajuda de um dos filhos, para comprar e acartar mercadorias, sobreviveu e reergueu-se sob o peso da dupla responsabilidade que a sociedade lhe atribuía, no limiar do que lhe era – ou não – esperado. Em cena a 10 de Setembro, na Sala Estúdio Valentim de Barros. O bilhete custa 5€.

  • Dança

A partir de Manuel António Pina, com dramaturgia de Jacinto Lucas Pires e Victor Hugo Pontes, que também assina a direcção, esta peça transporta-nos para um universo (en)cantado, acrobático e compósito, musicado por A garota não. Em cena nos dias 10 e 11 de Setembro, sexta e sábado às 20.00, no Centro Cultural de Belém. O bilhete custa entre 12€ e 20€.

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  • Belém

O Centro Cultural de Belém dá início à temporada de artes performativas com um fim-de-semana programado dentro e fora de portas. A Festa da Temporada vai ocupar diferentes espaços do recinto e espalhar dança, música, teatro, performance e instalação pelo CCB. C’est Pas Là, C’est Par Là, uma instalação participativa da companhia sul-coreana Galmae, vai estar na Praça CCB no dia 11 de Setembro às 21.30. A par deste, outros espectáculos gratuitos vão preencher a agenda – Di/STRAUSS Technique, de Ivo Dimchev (Praça CCB, 12 Set 21.30), Please Do Not Touch, de Nuna (MAC/CCB, 12 e 13 Set 14.00 e 16.00), e Da Gare do Oriente para o Centro Cultural de Belém – Krump Session, Associação Cultural e Artística Via Urbana | Dougie Knight (MAC/CCB 12 e 13 Set 17.00). Destaque ainda para The Desappearing Act, de Yinka Esi Graves (Pequeno Auditório, 11 Set 19.00), e para Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem, de Victor Hugo Pontes (Grande Auditório, 11 e 12 Set 20.00). Alguns dos eventos têm bilheteira. Veja os preços, bem como toda a programação aqui. Os espectáculos gratuitos requerem levantamento prévio de bilhete.

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Em cena no TBA, dois performers transgénero: um traz passaporte português e identidade criptojudaica; o outro, passaporte sírio e identidade islâmica. Ao centralizar os corpos e as histórias que foram expulsas da ideia de Portugal, esta peça de Odete propõe uma reconfiguração crítica da ideia de pertença, não como raiz única, mas como relação, tensão e convivência irreconciliada.

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  • Avenida da Liberdade

Após o sucesso de público em 2025, a comédia Agora É Que São Elas! está de regresso a Portugal, com paragens confirmadas em Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Águeda, Vale de Cambra e Funchal. Escrita pelo humorista Fábio Porchat, a peça desafia as barreiras de género. Em palco, três actrizes transformam-se em 20 personagens distintas, masculinas e femininas, para protagonizar nove sketches. São elas a carioca Maria Clara Gueiros, estrela que conquistou o grande público no fenómeno televisivo Zorra Total; Júlia Rabello, actriz que explodiu no panorama digital como um dos rostos mais marcantes do colectivo Porta dos Fundos; e a paulistana Priscila Castello Branco, que tem consolidado o seu espaço no stand-up comedy e esgota salas há anos com o espectáculo a solo Tô Quase Lá. O que se propõe, mais do que um bom momento, é uma reflexão mordaz sobre a sociedade, a política e o comportamento humano contemporâneo.

  • Carnide/Colégio Militar

Com dramaturgia de Daniel Céu Silva e Filipa Burnay, este espectáculo mergulha na vida intensa e complexa da pintora Frida Kahlo, sobretudo os momentos de dor física e emocional de Frida, provocados pelos seus problemas de saúde e pela tumultuosa relação com Diego Rivera, enquanto celebra a sua resiliência e a forma como transformou sofrimento em arte. Em cena de 26 a 28 de Fevereiro, de quinta a sábado às 21.00, na Boutique da Cultura. O bilhete custa 10€.

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  • Marvila

Em plena Segunda Guerra Mundial, Nan Shepherd escreve A Montanha Viva, descrevendo as suas viagens pelas Cairngorms numa meditação sobre o consolo e a força das regiões indomadas, focando-se nos elementos ocultos da montanha e na nossa relação imaginativa com o mundo selvagem. Em 1940, a publicação do manuscrito é recusada e ficaria guardado numa gaveta durante mais de três décadas. Com criação de Bruno Alexandre e Maria Gil, este espectáculo parte dessa Montanha Viva.

  • Chiado

Gonçalo Waddington encena uma das peças mais ferozes do dramaturgo sueco August Strindberg, escrita em 1887. O enredo centra-se no conflito aberto entre o Capitão e a mãe, Laura, sobre o futuro e a educação da filha, Berta. Para impor a sua vontade, Laura instila no marido a dúvida sobre a sua real paternidade, lançando-o num processo de paranóia, alucinação e demência. O espectáculo, que retrata as relações entre homens e mulheres como uma luta pelo poder, conta com a tradução de António Cabrita e Luís Miguel Cintra, e um elenco composto por Carla Maciel, Cecília Borges, Gonçalo Waddington, Hugo Narciso, Joana Bárcia, João Pedro Vaz e Miguel Sopas. Em cena de 16 a 27 de Setembro, quarta a sábado às 20.00 e domingo às 17.30, no São Luiz. O bilhete custa 12€ e 15€.

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  • Belém

Georg Büchner morreu aos 23 anos, em 1837, e nunca terminou Woyzeck, uma das peças que anunciam o teatro moderno. Também por isso é um campo aberto a múltiplas possibilidades. Esta é a versão dos auéééu. Um espectáculo inspirado na célebre personagem de Büchner – vítima e anti-herói, proletário e louco, “pobre diabo” que carrega o fardo de um mundo em rápida transformação – e nos tableaux vivants do filme de Serguei Paradjanov, A Cor da Romã (1969). Em cena de 24 a 27 de Setembro, quinta e sexta às 20.00, sábado às 19.00 e domingo às 17.00, no Centro Cultural de Belém. O bilhete custa 15€.

  • Santa Maria Maior

Após obras de requalificação, o Teatro Nacional D. Maria II regressa ao seu histórico edifício no Rossio. Para assinalar a reabertura, a casa promove três dias de festa de entrada livre. A programação conta com a estreia de Macbeth, encenado por Pedro Penim, bem como visitas guiadas aos espaços renovados, o lançamento do livro da peça e uma exposição sobre os 180 anos do teatro, além da estreia do seu novo coro.

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  • Avenidas Novas

Com texto e direcção de Tiago Rodrigues, esta peça leva-nos até 2077. Enquanto a humanidade luta para sobreviver, assolada pela precariedade económica e as consequências da emergência climática, parte da população vive exilada em Marte. A partir da Terra, um pai esforça-se por manter uma relação com a filha, que se encontra no Planeta Vermelho. A interpretação é de Alison Dechamps e Adama Diop. Em cena de 10 a 20 de Setembro, na Culturgest.

  • Avenida da Liberdade

Com libreto, música e letras de Irene Sankoff e David Hein, encenação de Pedro Pernas e direcção musical de Nuno de Sá, este musical baseia-se nos acontecimentos ocorridos na cidade de Gander, em Newfoundland, no Canadá, na semana que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro de 2001. Nesse período, com o espaço aéreo dos EUA fechado, 38 aviões com quase 7000 passageiros foram desviados para Gander. Os residentes da localidade acolheram essas pessoas, hospedando-as, alimentando-as e apoiando-as até que pudessem prosseguir viagem.

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  • Campolide

Entre mortes inesperadas, karaoke e uma paixão que surge onde menos se espera, tudo pode acontecer. É esta a promessa da nova produção d’A Comuna, um musical sobre duas famílias rivais: uma dedica-se ao universo da ópera, outra ao do pimba. A encenação é de Hugo Franco, a direcção musical de Carlos Pires.

  • Parque das Nações

Com texto e encenação de Renato Arroyo, o clássico de Shakespeare é recontado através do olhar de Rosaline, a primeira paixão de Romeu que, para complicar a história, é prima de Julieta. Afinal, o amor mais famoso de sempre não é bem como nos contaram. Mas este musical repõe a verdade e dá-nos a conhecer a história por trás da história. A direcção musical é de Miguel Amorim, que co-assina a música com Filipe de Albuquerque, e as letras de Inês Branco. Em cena de 23 de Setembro a 4 de Outubro, no Casino de Lisboa.

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  • Chiado

Num tempo em que a história parece condenada a repetir os mesmos padrões de violência, medo e exclusão, Caminho do Céu, de Juan Mayorga, confronta-nos com a fragilidade humana e a facilidade com que o horror se pode tornar normalidade. A peça mergulha num universo onde o despotismo, a culpa colectiva e a necessidade de sobrevivência revelam até onde pode ir o ser humano quando deixa de questionar. Em cena de 30 de Setembro a 11 de Outubro, sexta às 19.30 e domingo às 16.00, no São Luiz. O bilhete 12€.

  • Carnide/Colégio Militar

Com encenação de Miguel Thiré, esta comédia de Stefan Cuvelier conta a história de Francisco, uma estrela do mundo do espectáculo com um feitio insuportável. Tão insuportável que os actores de uma peça com estreia para breve recusam-se a participar. Como precisa de substituir o elenco o mais rápido possível, Francisco contrata um grupo de pessoas que não são actores, nem querem ser: o seu agente, a empregada e um canalizador. A trama fica rocambolesca, como seria de esperar… Em cena de 10 de Setembro a 11 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Teatro Armando Cortez.

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  • Chiado

Com texto de Constança Bourgard e encenação de Miguel Fragata, este espectáculo, distinguido com o Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, acompanha um casal decidido a construir uma vida a dois, no apartamento com que sempre sonhou, no centro de Lisboa. Mas diferenças salariais, ressentimentos de classe e expectativas de género transformam o refúgio idealizado num fardo constante.

O melhor da agenda cultural de Lisboa

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