Um skater de câmara na mão à solta no MAAT

"O que eu sou" é a exposição que se instala na Central Tejo na reabertura do MAAT

©Paulo Alexandrino"O que eu sou"

O título da exposição vem de um poema de Teixeira de Pascoaes – “O Que Eu Sou”. Na reabertura do MAAT, a Central Tejo renova-se também com uma nova exposição que organiza parte da colecção da Fundação EDP em torno do tema da identidade, da biografia, da relação entre a vida e o trabalho artístico e da família. Falámos com Luiza Teixeira de Freitas, curadora convidada da exposição O Que Eu Sou, e chateámos Miguel Faro para saber todos os pormenores de Downhill, que fecha a exposição.

Um skater de câmara na mão à solta no MAAT

A mostra está organizada por núcleos e explora temas como os desgostos de amor, os diários ou as memórias. Helena Almeida, António Olaio, Lourdes Castro e Priscila Fernandes, entre outros, apresentam a sua visão conceptual da relação entre o indivíduo e a prática artística contemporânea. Uma das obras-novidade é um vídeo da autoria de Miguel Faro, vencedor do prémio Jornal Público para melhor curta-metragem no DocLisboa 2016. Downhill surge enquanto registo visual de uma vivência particular: a dos skaters lisboetas, grupo de que Miguel faz parte.

Apresentada pela primeira vez numa espécie de split screen em que duas curtas são exibidas, à vez, lado a lado, a obra tem uma estética muito própria, em parte devido ao facto de ter sido filmada com a combinação de câmara Sony VX1000 e lente MK1, mítica para os skaters mais comprometidos com a causa. Por que raio isso importa? Há guerras entre skaters no eBay para conseguir obter o conjunto que origina a chamada “dead lens”. O resultado é uma imagem distorcida, à semelhança da fisheye, mas polvilhada com um toque de anos 90. Dentro do circuito, é inconfundível. Há mesmo quem tatue a câmara na perna, como mostra um dos primeiros planos do documentário, qual símbolo oficial da contra-cultura skatiana, diferente da ideia “bonitinha, publicitária” que agora se te tem do skate, explica Miguel Faro.

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A primeira parte do vídeo é uma exploração visual da relação entre o corpo e a cidade. Ao cair, os skaters ficam numa espécie de oscilação entre a dor e o êxtase sendo o espectador uma testemunha da simbiose que se forma entre a prática e o meio, descreve o artista. A segunda desenvolve uma faceta mais documental, mostrando uma descida colectiva de skate desde a prisão de Campolide até à Praça da Figueira, em plena madrugada, e em plano-sequência. A cidade está vazia, e o prazer de cada membro do grupo transparece na projecção.

 

O Que Eu Sou. Central Tejo, Avenida Brasília, Central Tejo, Qua-Seg 12.00-20.00. 5€ (Central Tejo), 9€ (Central Tejo+MAAT). Até 29 Maio.

 

 

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