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A Rádio Quântica faz dois anos e a festa é no Lux

Por Miguel Branco
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São dois anos de Rádio Quântica, emissora e plataforma congregadora de arte livre e underground. Na próxima quinta-feira todos ao Lux celebrar o projecto. 

Os bebés adormecem. Os adultos têm epifanias. Eis a vida dentro de um carro. Que o digam Inês Coutinho (Violet) e Marco Rodrigues (Photonz), fundadores da Rádio Quântica, que em Junho de 2015 muito se desiludiram com o que saía das colunas do seu auto-rádio. “Começámos a perceber que a música portuguesa que mais nos entusiasmava não rodava na rádio cá – o mesmo para as ideias e projectos emancipatórios que circulam no underground. Pensámos que seria perfeito criar uma plataforma para todas essas vozes serem ouvidas”, contam. Bem dito, bem feito. Formaram um grupo secreto no Facebook com artistas e activistas e em Novembro a transmissão online arrancava. Já lá vão dois anos. 

Só que mais do que uma rádio, a Quântica é uma plataforma de concretização de manifestações artísticas e diálogos que andavam por aí encaixotados em caves, a esgueirar o marginal. Não é que agora sejam abertura de telejornais – nem essa nunca foi a ideia –, mas existe um lugar, um mecanismo, onde todos podemos convergir, fazer e ver fazer: “Passámos de uma comunidade inicial de 70 broadcasters para 150, com perto de cem programas de autor que cobrem um espectro enorme: do metal ao jazz, do feminismo às artes performativas, do techno à música clássica, do humor à cultura queer”, explicam. 

O estúdio físico é na Ruadasgaivotas6, pólo cultural do Teatro Praga, têm uma residência bimensal no Luxfrágil, onde convocam artistas que lhes parecem revelantes e que de outra maneira não teriam voz, ou, neste caso, mesa. Já marcaram presença em inúmeros festivais, sempre com o intuito de reflectir sobre a importância política daquilo que estão a fazer. 

É por estas e outras tantas razões que a Rádio Quântica é, seguramente, um dos projectos mais importantes e disruptivos que surgiram em Portugal recentemente. Há uma mudança real e palpável do seu aparecimento. Embora Violet e Photonz afirmem que a papinha já estava quase toda feita: “Todos os agentes de mudança responsáveis por esse novo ‘paradigma’ já existiam na cidade – estava tudo lá. Aquilo que fizemos foi criar uma plataforma comum a essas forças e, com isso, surgiu naturalmente um espírito de colaboração que sempre deveria ter lá estado.” 

Tanta foi a ousadia que quase apetece chamar-lhes rádio pirata, embora isso, para os fundadores, fosse atribuição injusta na medida em que agora não é preciso fugir de qualquer perseguição. A Quântica encara “apenas o formato rádio de uma forma menos formal e mais livre; sem sponsors, sem objectivos financeiros e com uma missão comunal, cultural e musical que usa o formato rádio como pretexto para estabelecer colaboração onde ela revele potencial de emancipação”, afirmam. E afirmam-no há dois anos, com a confiança de que assim vai continuar por muito mais tempo. O aniversário acontece no Luxfrágil, esta quinta-feira, com os habituais: Maria Amor, Catxibi, Odete, Satan Made Me Do It e JOSÉ ACID; e Marco Shuttle como convidado especial. Viva a Quântica? Viva.

Luxfrágil. Qui 23.45-06.00. 

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