Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Caras da ModaLisboa #3: a maquilhagem de Antónia Rosa e os cabelos de Helena Vaz Pereira
Antónia Rosa (maquilhagem) e Helena Vaz Pereira (cabelos)
Manuel Manso Antónia Rosa e Helena Vaz Pereira ModaLisboa

Caras da ModaLisboa #3: a maquilhagem de Antónia Rosa e os cabelos de Helena Vaz Pereira

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Já várias vezes experienciaram aquela sensação de “desta é que não vai dar mesmo”, mas dá sempre. Até porque já lá vão alguns anos nos bastidores da ModaLisboa: para Helena Vaz Pereira são 20, para Antónia Rosa, são 26, tantos quantos os anos do próprio evento.

A última vez que sentiram que o mundo ia colapsar foi no desfile de Dino Alves no Teatro Municipal São Luiz, em 2015. Os cabelos e a maquilhagem era difíceis: cada manequim levava apanhados complexos e uma espécie de coroas em metal, a maquilhagem era forte nos olhos e no carmim das maçãs do rosto. Até aqui, tudo normal, mais um desfile. Mas equipa teve de mudar-se em uma hora para o teatro e, quando chegaram, os camarins que iam servir de backstage estavam fechados.

Quando se abriram, “estávamos todos separados em camarins pequeninos”, relembra Helena, “dois cabeleireiros em cada sala, quase não nos conseguimos mexer”. “Já estava a dar a música de entrada e ainda estávamos a maquilhar. O que eu faço nestas alturas é meter três a maquilhar a mesma pessoa e um faz um olho, outro faz o outro, outro faz a boca”, conta Antónia, “Depois é mesmo à entrada da passerelle que vamos confirmar se está tudo bem e aperfeiçoar. Trabalhamos muito aí”. 

Antónia Rosa

 

Antónia Rosa
Manuel Manso

 

 

 

 

Na primeira edição de ModaLisboa, Antónia Rosa maquilhou 120 pessoas sozinha. As manequins ajudavam, faziam a sua própria boca, e aplicavam o rímel, mas não havia um patrocínio de maquilhagem e tinha de ser tudo preparado em casa pela maquilhadora. 26 anos depois tem uma equipa de 40 e Helena tem 19 cabeleireiros - no conjunto são capazes de executar maquilhagem e cabelos de 20 mulheres em 60 minutos, o que é frequentemente necessário, porque se começam os preparativos com quatro horas de avanço no primeiro desfile, o tempo vai magicamente diminuindo para uma hora ao longo do dia.  “Mas não há gritos, não há pessoas stressadas, sabem que vamos cumprir e que àquela hora vai estar tudo pronto”.

A loucura dos camarins não as intimida, mas “o momento em que eu não queria estar aqui é quando o designer chega 15 minutos antes do desfile e diz 'não era nada disto, quero mudar tudo', quando houve uma falha de comunicação, houve alguém que não transmitiu o que era pretendido”.

Por isto Helena Vaz Pereira insiste no contacto com os designers de moda, nas semanas anteriores: é normal que desde a primeira vez que falam ao momento do desfile as ideias evoluam e as ambiências transmitidas pelos cabelos e maquilhagens tenham de ser outras. Por isso mesmo a comunicação não pode ser vaga, tem de ir ao pormenor: mandem imagens do que querem a esta dupla.

Helena Vaz Pereira

 

Helena Vaz Pereira
Manuel Manso

 

 

“Isto é o momento deles, estiveram seis meses a pensar e a criar a colecção, nós estamos cá para eles, embora também para dar o nosso input. E tem de haver alguma psicologia da nossa parte para trazê-los um bocadinho à realidade”, acrescenta Helena, nas traseiras do Centro Cultural de Belém, enquanto fumam um cigarro de intervalo. São dez minutos de pausa e, mesmo assim, há sempre alguém que precisa de fazer uma pergunta ou tomar uma decisão com uma das duas.

Esta estação, Helena e Antónia aconselham que não se percam os desfiles de Dino Alves – “vai ser uma coisa que vocês não estão mesmo à espera”, diz a maquilhadora — e Valentim Quaresma. Luís Carvalho, no sábado, foi um bom exemplo de como gostam de fazer este trabalho. Os lábios de um vermelho vibrante traziam colados uns grãos da mesma cor que quase não se notavam, mas que davam um certo vigor ao rosto. Esta edição está cheia de pormenores que mudam tudo, dizem, e é isso que entusiasma esta dupla.

 

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