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Este sábado há matiné da (e para a) Odete

Por Clara Silva
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No sábado, dia 18, Odete junta um elenco de amigos e conhecidos para uma festa/fundraising para suportar a burocracia de transição de género com donativos e seis horas de música. Falámos com a performer e Dj.

“Um line-up de sonho para ajudar aqui a garota a acabar com a merda da burocracia patologizante, que é muito cara.” É assim que Odete descreve a festa de sábado nos Anjos 70, um banquete musical que se prolonga tarde dentro e que tem como objectivo ajudar Odete a conseguir cobrir as despesas de transição de género.

“O facto de querer fazer uma festa já tem antecedentes, no sentido em que as festas em Lisboa são sempre muito limitadas em termos de género musical, discurso, estética, contexto e entidades envolvidas”, começa. “Esta ideia aliou-se à minha necessidade de ter de pagar certas consultas e certas coisas burocráticas do processo de transição”, explica.

Mudar o nome no cartão de cidadão “são 200 euros” e antes disso há as muitas consultas psiquiátricas a que a lei, apesar de vários protestos, por enquanto ainda obriga, até surgir um relatório favorável que diagnostique uma “perturbação de identidade de género”. “O processo de transição é uma coisa urgente e indo para o público [para o Serviço Nacional de Saúde] implicava estar dois anos à espera. Assim, no privado, tenho de pagar 75 euros por consulta e todo o dinheiro que ganhei este ano gastei-o com isso.”

Odete tem tido um ano preenchido. Esteve com o Teatro Praga no CCB no Despertar da Primavera, em Fevereiro, e o mês passado apresentava DRLNG, em colaboração com Bruno Cadinha e financiado pela Fundação GDA, na Rua das Gaivotas 6.

Além das performances, começou a produzir música e tem-se refugiado em DJ sets (do Maus Hábitos à ZDB) que lhe têm permitido “sobreviver emocionalmente”, confessa. “Sinto que estou a guiar as pessoas, [os sets] têm essa coisa mais ritualística e não a parte da performance em que as pessoas consomem o meu corpo de uma maneira que começo a questionar.”

Com a ajuda do colectivo Rabbit Hole, a festa/fundraising (com donativos a partir de 3€) está montada e o line-up de sábado é diversificado. “Convidei amigos e pessoas que me influenciaram neste último ano e que de alguma maneira criam um espaço confortável para mim naquele dia.” Prec, Sallim, Vaiapraia, Taxila, Kéthia Mina, Pantera, Bleid, Gyur e Pombz d’Esplanada juntam-se à causa para seis horas de música (das seis à meia-noite). Depois, Odete ainda vai tocar ao Rive-Rouge na festa queer Groove Ball (até às 04.00).

“Espero que esta festa torne claras as condições precárias ds pessoas trans em Portugal, o que têm de passar, mesmo em termos económicos”, remata.

Sábado, 18.00-00.00, no Anjos70. Regueirão dos Anjos, 70. Entrada mínima de 3€.

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