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La vie en Rossy: a musa de Almodóvar vem a Lisboa receber prémio

Por Clara Silva
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#LAVIENROSSY tem sido por estes dias o hashtag mais usado por Rossy de Palma no instagram. A actriz espanhola que ganhou fama graças aos filmes de Pedro Almodóvar está em Paris para apresentar Madame, o filme de Amanda Sthers onde é a protagonista Maria, a criada de um casal norte-americano rico a viver em Paris, e que estreia esta quartafeira em França.

“Uma comédia muito divertida e um pouco ácida sobre a luta de classes sociais e sobre como o dinheiro hoje em dia é como a cor da pele”, conta a actriz de Palma de Maiorca, agora com 53 anos, por telefone. “É muito interessante.”

A Lisboa chega este sábado para receber o Troféu Internacional de Artes Cénicas Finalmente Club, o prémio entregue pela segunda vez pela discoteca conhecida pelos espectáculos transformistas, e que o ano passado distinguiu Herman José. O prémio homenageia “mulheres e homens que se dedicam à arte de se dar aos outros com talento”, escreve o Finalmente, e este ano coube à “iconicamente transformada numa das musas LGBTI internacionais”. Rossy de Palma vai pela primeira vez no sábado ao Finalmente – “é um sítio muito lendário, não é?” – e nem consegue explicar como se tornou um ícone da comunidade LGBT. “Na verdade também não tenho tempo para muita análise”, ri-se. “Mas o que mais gosto em ser ícone é que não temos idade, somos ageless.”

A homossexualidade sempre fez parte da sua vida desde os tempos da movida madrilena.“Toda a minha vida foi assim, nos anos 80, com o meu grupo pop Peor Impossible [foi com a banda que se mudou de Palma de Maiorca para Madrid], alguns de nós eram gays. É uma coisa natural.” Diz-se “hetero pura”, mas não vê “diferenças na sexualidade das pessoas”.

Foi nos anos 80, quando trabalhava como empregada de mesa num café madrileno, que conheceu Almodóvar, que acabou por convidá-la para entrar no filme A Lei do Desejo, de 1987, no papel de uma apresentadora de TV. “O primeiro filme que fiz com o Pedro contava esta relação de casal de um realizador [protagonizado por Eusebio Poncela] e viam-se as primeiras cenas de dois homens a fazer amor”, recorda. “Espanha estava muito aberta nesta altura, mas outros sítios não e muita gente que fui encontrando ao longo da vida disse-me que os filmes [de Almodóvar] foram muito importantes para que nessa altura não se sentissem estranhos.” Mais que com o humor, “com a naturalidade com que as coisas eram tratadas”. Entrou em sete filmes de Almodóvar (o último deles Julieta, de 2016) e participou em inúmeros desfiles de moda de estilistas como Jean Paul Gaultier.

“Não sei porquê mas a figura de Rossy entrou muito bem na nossa comunidade LGBTI”, diz o galego José Marquina, há 11 anos proprietário do Finalmente, e presidente do júri que este ano elegeu a actriz. “Há uma química, há alguma coisa a produzir essa maravilhosa atracção.” A escolha de Rossy para segunda galardoada numa altura em que o Finalmente comemora 41 anos foi “uma decisão quase unânime” do júri, conta. “Eu achava que por ser espanhola não era muito conhecida, mas é conhecida e reconhecida. Houve uma receptividade muito grande do júri e é uma figura que representa muito bem esta casa. É uma actriz que só tem um maravilhoso passado, como um esplêndido presente.” A cerimónia de entrega do prémio faz-se em dois actos até porque o espaço é apertado: o primeiro uma festa mais oficial só para convidados e a partir da meia-noite aberta a toda a gente e com a estreia do novo espectáculo da casa. 

Sábado, 00.00, no Finalmente. Rua da Palmeira, 38 (Príncipe Real). 10€

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