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O Stop do Bairro reabriu esta sexta-feira: a paragem é Campolide

Stop do Bairro
Fotografia: Arlindo Camacho

É uma casa de desporto? Não, apesar da colecção valiosa de cachecóis e camisolas de futebolistas na parede. É uma garrafeira? Não, e ainda assim há placas de caixas de vinhos a cobrir duas paredes e prateleiras que expõem uma pequena parte das 500 referências da casa. Januário Paiva foi explicando a quem passava e parava pelo 173 da Rua Marquês de Fronteira, em Campolide, que o que estava para ali nascer – ou melhor, renascer – é um restaurante de comida típica de amantes do desporto, com uma lista de vinhos completa. Ou então respondia simplesmente que é o Stop do Bairro que vai reabrir em Campolide, depois de ter fechado há quatro meses em Campo de Ourique e ter deixado muitos aguados à porta.

A razão da mudança não foi o desejo do novo desafio, da criação de um novo conceito ou de fazer crescer a equipa e o espaço – até porque, como sabe João Sabino, antigo guarda-redes do Belenenses, em equipa que ganha não se mexe. Aos 79 anos, o homem que fundou o Stop, e não hesita em dizer a data exacta, 18 de Fevereiro de 1974, fechou as portas na Tenente Ferreira Durão porque o contrato de arrendamento de 43 anos não foi renovado. “Desde que fechei no dia 10 de Abril, nunca mais lá passei”, conta João Sabino à Time Out na noite de quinta-feira, 31 de Agosto, reservada para um jantar de inauguração com os clientes especiais, mesmo antes da abertura, na sexta-feira.

 

Dona Rosa e João Sabino trouxeram tudo o que era o Stop de Campo de Ourique para Campolide
@Arlingo Camacho

 

 

“Tentámos por tudo ficar em Campo de Ourique, mas não podíamos condenar o negócio porque uma renda custa quatro mil euros”, conta Januário Paiva, cliente e amigo da casa há décadas e agora também sócio do restaurante. No novo espaço está tudo o que estava antes: a camisola do mundial de 1966 assinada e com dedicatória de Eusébio da Silva Ferreira, a outra oferecida por Rui Patrício a João Sabino e que já tentaram comprar por 2500 euros. “Sou sócio número 600 do Belenenses, mas comercialmente sou do Sporting”, dispara João e explica que em Campo de Ourique toda a vida  se teve de dar bem com sportinguistas.

 

Para a reabertura houve choco frito com arroz de lingueirão
©Arlindo Camacho

 

 

Na cozinha, tudo igual, tirando o espaço, que é maior. A Dona Rosa, que chega à sala no final do jantar e é aplaudida por todos, continua a cozinhar a comida que aprendeu com João Sabino e a servi-la aos mesmos preços. Da cabidela de sexta-feira ao ossobuco, do pernil de cabrito à carne de porco à alentejana com tempero à açoriano. “Na minha terra [veio dos Açores nos anos 1970] tempera-se tudo com pimenta da terra e é o que ponho no lombo de porco”, explica o fundador. O famoso arroz de tamboril continua a ter a mão de João Sabino, que se viu na obrigação de inventar a receita quando, no início do Stop, lhe chegou um desses bichos com 270 quilos e o desmontou à frente de umas 30 pessoas, em cima de seis mesas de esplanada. “Nunca tinha cozinhado tamboril, nos Açores não havia. Com a cabeça e os fígados fiz um caldo e depois tem de se cozinhar pouco, se não o tamboril fica uma papa”, desvenda ligeiramente o segredo. 

 

 

O pijama do Stop até pode parecer desajeitado, mas leva todo o jeito: tarde de amêndoa, merengada, de leite condensado, torta de laranja e delícia de chocolate
©Arlindo Camacho

 

 

Apesar do espaço que ganharam – antes tinham cerca de 40 lugares, agora têm 70 no interior e, no futuro, mais uns quantos na esplanada – a ideia é não perder as mesas corridas, explica Januário Paiva. “Você vira-se para o lado e pede o saleiro e pronto, já começou a conversa”, diz o novo sócio. E até será maneira de dividir ao final um chá frio, como baptizou João a aguardente de marmelo que vem de perto de Viseu para os clientes amigos da casa.

 

A aguardente no Stop é um chá que não deita fumo
©Arlindo Camacho

 

Todo o lastro que o Stop do Bairro tinha em Campo de Ourique ficou lá – os azulejos, o sinal à entrada, a história do espaço. Dá saudades, diz quem está à frente da casa e quem janta na noite de inauguração. Mas voltou a comida e já se sabe onde pára o João do Stop, que afinal nem se chama Stop porque em 1974 não se podiam registar nomes estrangeiros. “Registei Paragem Obrigatória, mas nunca usei lá fora porque não tem jeito nenhum”, conta João.

Rua Marquês de Fronteira, 173A (Campolide). 21 585 2893. Seg 09.00-17.00, Ter-Dom 12.00-23.00.

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