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Pureza e convidadas

Por Mauro Gonçalves
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Durante três dias, Pureza Mello Breyner deixa as noivas em fila de espera e concentra todas as atenções nas convidadas. Depois de umas quantas viagens, a designer de vestidos de noiva reuniu uma colecção com cerca de 50 peças, entre vestidos de renda, pretos, brancos, curtos e compridos. Durante o fim-de-semana, abre as portas do ateliê, compõe os charriots e ainda junta sapatos, carteiras, chapéus e toucados à festa. Para nós, o pretexto ideal para dois dedos de conversa com a criadora.

As noivas já não davam trabalho suficiente para ainda se meter com as convidadas?

Pois, mas isso foi porque todas as noivas que cá vêm pedem vestidos para as mães, para as madrinhas, para as irmãs, para as amigas. Nós não conseguimos ter, como eu gostaria, uma colecção de convidadas totalmente feita aqui. Então, a solução que encontrámos foi esta. Alguns são feitos por nós, os outros são comprados em showrooms. Se os quisesse fazer aqui, acho que tinha de abrir uma fábrica e nós somos uma equipa de quatro pessoas. Se eu fizesse a minha própria colecção, também ia estar muito mais limitada pelos fornecedores, pelos tecidos, até mesmo pelas máquinas que tenho aqui. Assim, sou muito mais livre. São vestidos exclusivos e, em alguns casos, só existe mesmo um exemplar.

Ainda assim, decidiu fazer alguns no ateliê. Porquê?

Porque não consigo controlar a minha vontade. Houve muitos que vi no showroom, mas que não funcionavam, ou pelo tecido ou por algum detalhe. E há vestidos que eu tenho imensa vontade de fazer.

Há coisas que quer muito fazer e não pode com os vestidos de noiva?

Eu acho que as noivas portuguesas são muito clássicas. Chegam aqui cheias de ideias, porque viram coisas muito giras numa noiva australiana, numa espanhola ou numa americana. Mas quando chega a hora, não arriscam. Há imensas coisas que eu tenho vontade de fazer e o facto é que posso arriscar muito mais nos vestidos de festa – transparências, decotes, vestidos curtos, costas abertas e cores. Podemos brincar um bocadinho mais.

Bem, agora quem vem acompanhar a noiva até tem mais com que se entreter.

Há muita gente que se senta aqui e que passa o tempo a dizer “ah, se fosse para mim” ou “ah, se fosse eu não fazia assim”. Às vezes, dou por mim a fazer de mediadora familiar. A pessoa dá a volta e elas que tratem do assunto, mas há alturas em que é complicado. Mas sim, é giro que agora essas pessoas também tenham algo para escolher.

E o que é que as noivas vão usar este ano?

Eu penso que são os jogos de transparências e rendas diferentes. É que mais depressa arriscam numa renda mais inesperada, que não é aquela típica renda do vestido de noiva, do que um design completamente diferente. Os algodões, os bordados feitos à mão. É mais por aí. Nos últimos anos, as noivas têm ficado cada vez menos noivas. Já não querem aquelas caudas enormes, as saias com volumes, os véus com não sei quantos metros. Estamos a caminhar muito para a descontracção. 

E as convidadas continuam a ligar às cores?

Dois dos vestidos desta colecção são brancos. Talvez a mãe da noiva não use, mas outra pessoa pode perfeitamente ir com um destes. E tenho vestidos pretos que dão para uma festa ou até para ir jantar fora. Essa regra, hoje em dia, já não se aplica. O mesmo em relação aos vestidos compridos, que as espanholas sempre usaram. Agora, as portuguesas já usam na maior. A coisa está cada vez mais descontraída, mais leve, mais divertida.

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