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Sérgio Godinho. O escritor de canções agora em BD

Sérgio Godinho. O escritor de canções agora em BD
©Osvaldo Medina

Sérgio Godinho já fez muitas coisas. Agora é também protagonista de um livro de BD, escrito por Fernando Dordio e desenhado por Osvaldo Medina.

“É sempre surpreendente ver o meu mundo criativo vertido para outras linguagens, usado em pontos de partida narrativos que quase poderiam desaguar em novas canções. Agrada-me isso, sobretudo quando o resultado é consistente em si mesmo, criativo – e autónomo. E é o caso, tanto no texto como nas ilustrações. As canções nunca são estruturas fechadas. Cantam-se, tocam-se, transformam-se. É também para isso que foram feitas.”, partilha o cantor e compositor. Entretanto, falámos com os autores de O Elixir da Eterna Juventude. O encontro foi na loja de BD da editora. Confessos admiradores da música do “escritor de canções”, perante os super-heróis nas paredes, desvendaram um pouco desta aventura.

Os autores de O Elixir da Eterna Juventude

 

Os autores de O Elixir da Eterna Juventude

 

O texto tem várias falas que funcionam como um jogo de espelhos entre extractos de letras do Sérgio, passagens que são apenas implícitas... como foi construir esse percurso?

Fernando Dordio – Foi um processo longo. Eu comecei por conceber a história, apresentar a sinopse ao Sérgio, mas ele achou que estava demasiado centrado em músicas mais antigas, e pediu- -me para que fosse uma coisa mais abrangente. Nos diálogos, houve letras que entraram naturalmente – mesmo pela cena, pelo percurso da narrativa – e houve outras coisas que foram afinadas numa fase final. À medida que fiz o guião fui percebendo o que poderia ou não funcionar. Por exemplo, eu tinha uma outra versão para final e a forma como o Osvaldo fez os vampiros ajudou a decidir por uma outra opção… os vampiros já tinham sido desenhados no disco do Sérgio Caríssimas Canções (pelo Nuno Saraiva) e era uma versão muito definitiva. Mediante o que ele fez, acabei por alterar o final da história.

Há alguma coisa de jogo de computador nesta odisseia, como o recolher de pistas e objectos para subir de nível…

Osvaldo Medina – Não tinha pensado nisso, mas vendo a coisa assim… faz sentido, sim, é um bocado como um RPG [Role-Playing Game; jogo em que as opções dos jogadores definem a direcção do jogo] em que estamos a seguir as opções.

FD – O livro tem duas estruturas, um McGuffin, à maneira do Hitchcock, para se fazer uma interligação entre coisas que seriam díspares, e a viagem do herói. A forma como o Zeca Afonso surge e o ajuda a encontrar uma voz própria… é como uma espécie de mentor que regressa quando ele tem uma hesitação.

Como foi esse processo de articular figuras emblemáticas – o Sérgio, o Zeca Afonso, o Jorge Palma – com outras que estão no nosso imaginário, mas não tinham rosto, como Etelvina?

OM – As pessoas perguntam-me essas coisas como se houvesse sempre um processo criativo enorme. A minha grande preocupação foi que as pessoas reconhecessem o Sérgio Godinho, o Palma, se assim não fosse as personagens perderiam algo. Foi essa a minha preocupação. A verdade é esta: normalmente, quando acabo um livro de BD, eu não sei qual é a história, porque não é nisso que estou a pensar. O único comentário que me fizeram sobre a Etelvina, ainda durante a elaboração do livro, foi: “fá-la mais velha!”. E fazia sentido, tinha de ser uma mulher mais vivida…

Como foi desenhar este vilão, que tem um cartão de visita onde se apresenta como “o Rei do Zum Zum”?

OM – Ele vinha com um detalhe, uma nota indicando que o visual poderia ser uma mistura entre o Manuel Luís Goucha [risos] e uma personagem que surge num livro do super-homem, criada pelo Grant Morrison, e que tem um “technicolor coat”, um casaco da cor do arco-íris [mais risos]. FD – … o que está nos antípodas do Sérgio Godinho, a ideia era mesmo criar uma espécie de anti-Sérgio Godinho. Este vilão é alguém que se afirma “famoso só por ser famoso” e o Sérgio busca um “elixir da eterna juventude”. Uma oposição… FD – E o vilão diz que quer “apalpar de perto o corpo à eternidade”, ou seja, ele sabe que a fama é a sua eternidade. Por outro lado, o poder da fama… é uma espécie de novos vampiros.

Uma última dúvida: já mostraram o livro à Etelvina?

OM – Ela achou que estava um bocado gorda…

O Elixir da Eterna Juventude

**** (quatro estrelas)

Fernando Dordio (texto), Osvaldo Medina (ilustrações), Nuno Saraiva (capa)

Kingpin of Comics

88 pp

12,99€

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