Do “circo Chen” à Liga MEO, saiba como tudo começou

A liga nacional de surf vai coroar este mês os campeões nacionais masculino e feminino. Enquanto se espera por acção na água, fique a par da história do circuito.
Teresa Bonvalot em Junho na praia da Ribeira Grande, nos Açores, a festejar o 6o título nacional
D.R.
Time Out em associação com MEO
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Quatro miúdos empreendedores e obcecados por surf na casa dos 20 e um camião TIR com dois contentores. Foi assim que há quase 35 anos nasceu a liga nacional, actualmente conhecida por Liga MEO e que nos dias 24 a 26 de Outubro encerra mais uma época, desta feita na praia de Supertubos, em Peniche. Como recorda João Capucho, um dos jovens do grupo e presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS) de 2003 a 2011, a iniciativa de andar com o “circo Chen” pelo país surgiu após uma discussão pelo título nacional que acabou na justiça. E quem eram os protagonistas? Os lendários José Gregório e João Antunes, como não poderia deixar de ser, ou não fossem eles os rivais mais rivais da história do surf em Portugal.

“Na última etapa, em 1998, não ficou claro entre o regulamento e os comunicados da Federação Nacional de Surf quantos pontos eram atribuídos ao vencedor, se 1000 ou 1200. E foi essa diferença mais a divergência nas interpretações que fez com que o derrotado, ou seja, o Gregório, protestasse contra a vitória do Antunes. Nessa altura o circuito era organizado directamente pela Federação e esse episódio acabou por ser um dos factores principais que acelerou a divisão entre os surfistas profissionais e este órgão”, explica Capucho. 

“Acelerou a divisão? Não, isso foi a gota de água!”, reage “Grego”. “A partir daí todos os surfistas, mas todos os surfistas mesmo, até o Antunes, começaram a boicotar os eventos da Federação, incluindo as representações da selecção lá fora”, justifica o tricampeão (1997, 2003 e 2007). Segundo o local da Ericeira, “a troca das pontuações não passou de uma retaliação por ser sócio-fundador da ANS”, responsável pela criação de um circuito paralelo, e com isso aquela taça nunca foi sua, nem passados 10 anos quando a decisão do juiz chegou. 

Voltemos à Liga

“Eu, o Henrique Balsemão, o Zé Calheiros e o Luís Semedo éramos miúdos, mas desenrascados. Tínhamos de lidar com muito tubarão, autarquias, capitanias e os demais organismos que licenciavam os eventos, mas que não entendiam nada daquilo. Foi um período experimental e de muito improviso mas o que fizemos, e sem sabermos o que estávamos a fazer, foi um template móvel. Tínhamos um camião TIR com a estrutura toda pronta, DJs, passagens de modelos, concursos de biquíni e levávamos tudo a seis ou a sete pontos do país. O conceito era quase o de uma companhia de circo, o país ainda não estava preparado para isto, usávamos coisas muito específicas, bandeiras, colunas para instalar na praia, sistemas para pontuar as baterias...”, explica João.

Quando olha para trás e pensa nos momentos mais engraçados, “Grego”, ex-campeão nacional de surf e responsável da Quiksilver Portugal – marca que em tempos patrocinou Afonso, o filho mais novo de Antunes e que actualmente patrocina a liga –, recorda a festa de encerramento do circuito em 1992, onde pela primeira vez os surfistas foram obrigados a apresentarem- se de fato escuro. “Foi na Ericeira, numa discoteca chamada Cangalho, acabou tudo destruído e o pessoal portou-se que nem animais”, garante. Já Capucho, além da maravilha que era andar rodeado de moças em biquíni, não sabe como é que conseguiram fazer uma etapa vários anos seguidos na praia da Luz no Porto. “O campeonato era completamente dentro da cidade! Era quase como fazer uma prova no Terreiro do Paço!”

O conceito que existe em Portugal até hoje só mais tarde veio a ser implementado pela Association of Surfing Professionals (actual World Surf League), que organiza o circuito mundial desde 1983. Por cá andará novamente à roda no último fim-de-semana do mês na famosa capital da onda.

O que está em jogo na praia de Supertubos? 

A pequena cidade piscatória (mas enorme quando o assunto é surf), vai receber a 5.a e última etapa da Liga MEO, o Bom Petisco Peniche Pro. Enquanto a campeã nacional já se encontra definida – parabéns, Teresa Bonvalot, pelo 6.o título –, nos homens está ainda tudo em aberto. Luís Perloiro vai à frente no ranking, seguido de Francisco Ordonhas, mas que, por ter uma etapa a menos, passará a liderar a tabela assim que levantar a lycra em Peniche. A completar o pelotão da frente está ainda João Mendonça, atleta de Aljezur.

Joaquim Chaves, Afonso Antunes, Jaime Veselko, Tomás Fernandes, Martim Nunes, Tiago Stock, Matias Canhoto, Frederico Morais e o campeão nacional em título Guilherme Ribeiro completam o grupo dos 12 surfistas que ainda estão na disputa. Todos necessitam de um grande resultado em Peniche para conquistarem a taça, ficando ainda dependentes da pontuação de terceiros. A vida está mais difícil para Guilherme Ribeiro e Frederico Morais, para quem somente a vitória torna o título matematicamente possível, embora muito condicionado por múltiplas combinações de resultados dos outros surfistas em campo. 

MEO Beachcam

Quem vai ao mar, informa-se em terra. Através do MEO Beachcam, pode ter a certeza de que não faz a viagem em vão, sempre que a ideia for procurar uma praia com condições ideais para o surf e outros desportos aquáticos – ou simplesmente para ir a banhos. O serviço é maioritariamente gratuito e disponibiliza imagens de mais de 150 live-cams colocadas em praias de todo o país. Além de estar disponível numa plataforma online própria (beachcam.meo.pt), também pode ser consultado na TV através da sua MEO Box ou através de telemóvel, em iOS e Android, bastando para isso descarregar a aplicação (Beachcam Live) no iTunes ou Play Store. 

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