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Erich von Däniken
Time Out Lisboa

Erich von Däniken: “Não era a Nossa Senhora de Fátima, eram extraterrestres”

Erich von Däniken vem a Lisboa falar sobre a sua teoria de que o homem primitivo foi visitado por extraterrestres. Telefonámos ao autor fortemente contestado por especialistas.

Por Raquel Dias da Silva
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A crença na existência de vida extraterrestre, não necessariamente inteligente, tem adeptos na comunidade científica. Mas a teoria de Erich von Däniken tem sido criticada desde a publicação do bestseller Chariots of the Gods? (1968), onde defende que os deuses descritos nas escrituras das principais religiões e civilizações eram na realidade extraterrestres que teriam visitado o planeta Terra. Apresentado como arqueólogo pelo Cinema São Jorge, onde estará no dia 22 de Fevereiro para a conferência “Eram os Deuses Astronautas?” (15.30, 10€), o autor suíço de 84 anos não tem formação na área e escreveu o seu segundo livro, Gods from Outer Space (1971), enquanto cumpria uma pena por fraude, peculato e falsificação. Apesar do percurso polémico, as suas obras fizeram furor na década de 1970 e a reacção dos académicos, embora contundente, foi infrutífera. Carl Sagan apontou-lhe “erros lógicos e factuais”, mas von Däniken continua a vender livros como pãezinhos quentes. É difícil imaginar extraterrestres a andar entre nós, mas o maior promotor da Teoria dos Antigos Astronautas parece ter certezas.

Como é que começou a escrever o seu primeiro livro?

Tive uma educação católica na Suíça e acreditava profundamente em Deus. Ainda acredito, mas naquela época sentia-me confuso sobre o Deus da Bíblia. Por exemplo, o profeta Ezequiel descreve como vê uma carruagem nas nuvens. Eu queria descobrir se outras comunidades da antiguidade tinham histórias semelhantes às nossas. Mas entretanto já publiquei 42 livros. Esse primeiro era muito provocativo. Não foi escrito de forma científica. Foi escrito de forma popular, mas não faz mal.

Agora escreve de forma científica?

Faço-o de ambas as formas, mas as pessoas comuns não lêem livros científicos, não percebem e não se interessam. Mas quais são as evidências que apresenta? Há evidências em escritos antigos. Por exemplo, no livro de Enoque, o profeta conta como foi levado pelos Guardiões do Céu. Mas há mais textos sobre os deuses do espaço na antiguidade e a verdade é que existem muitos mistérios, como o de Fátima em Portugal.

Pode resumir a suposta “mentira do milagre de Fátima” a que se refere no seu livro?

Em 1917, milhares de pessoas viram em Fátima uma espécie de milagre do Sol e mais tarde a Igreja Católica disse tratar-se da aparição da Virgem Maria. Mas não era a Nossa Senhora de Fátima, eram extraterrestres. Podemos prová-lo porque diferentes papas deram diferentes explicações, sempre em contradição uns com os outros. Por isso é possível provar que a Igreja não nos disse a verdade acerca de Fátima.

Afirma frequentemente que, mais cedo ou mais tarde, os extraterrestres de que fala vão voltar a entrar em contacto connosco. Por que é que acha que isso ainda não aconteceu?

Nós já estamos a ser observados, mas não é do conhecimento da maior parte das pessoas. Se aparecessem agora, por exemplo, num estádio de futebol em Lisboa, as pessoas ficariam chocadas, teriam medo, pensariam que era uma invasão e que nos iam escravizar.

Mas, se os extraterrestres entraram em contacto com civilizações antigas, como afirma, por que é que não o fazem connosco?

Estamos em contacto com extraterrestres, mas essas histórias não aparecem nos media.

Já foi acusado de forjar evidências. Como reage às acusações?

Eu escrevi 42 livros sobre extraterrestres, sei onde estão as minhas fontes e as minhas provas, por isso sei mais do que os críticos. E quando os críticos são cientistas e académicos? Muitos dos meus discursos são em universidades e temos discussões maravilhosas. Mas também temos indicações nos textos sagrados. Por exemplo, na Bíblia, na minha opinião, Ezequiel descreve naves espaciais. Mas, do ponto de vista dos teólogos, descreve simplesmente uma visão de Deus a voar numa carruagem.

Então, quando fala de evidências, fala do quê?

Se olharmos para um mapa da Grécia, conseguimos perceber que os templos estão todos à mesma distância entre si. Estamos a falar de matemática e geometria avançadas na Idade da Pedra grega, muito antes da existência de grandes matemáticos ou de alguém fazer um padrão geométrico. Alguém o deu aos nativos e disse para os construírem assim. E não há como negar isso.

E essas pessoas vão voltar, é isso?

Os extraterrestres estiveram cá há milhares de anos. Quando foram embora disseram aos nossos antepassados que, num futuro longínquo, regressariam, por isso é que todas as religiões acreditam no retorno de um Deus. Essa promessa foi na verdade feita por extraterrestres. Eu acho que eles já cá estão como observadores. Mas não vão resolver os nossos problemas. A poluição, o lixo, tudo isso. Podemos é perguntar-lhes como é que os resolveram durante o seu processo evolutivo. Temos de preparar a humanidade.

O AUTOR VS OS CRÍTICOS

Mistérios

Erich von Däniken afirma que uma das últimas visões documentadas de extraterrestres aconteceu em 1917, em Portugal, no que ficou conhecido como o Milagre de Fátima.

“O chamado milagre de Fátima já foi estudado por diversos historiadores portugueses, nomeadamente por Luís Filipe Torgal, que tem dois livros publicados sobre o tema, O Sol Bailou ao Meio Dia (2011) e Fátima - A (des)contrução do mito (2017). São fontes de informação fiável sobre o fenómeno do culto popular surgido na Cova da Iria em 1917”, explica Diana Barbosa, comunicadora de ciência e Presidente da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa, com formação académica em biologia evolutiva. “Sucintamente, vivia-se em Portugal um período que este autor chama de “trilogia do caos”: fome, peste e guerra. O país vivia graves dificuldades económicas, havia entrado na Grande Guerra, proliferavam epidemias de tifo, varíola e “pneumonia” (gripe) e vivia-se uma grande tensão entre a Igreja Católica e o governo da I República (que tinha uma atitude anti-clerical). Neste contexto e entre vários cultos descritos na zona Oeste, a Igreja Católica instrumentalizou as alegadas aparições de Fátima, estimulando e enquadrando as mesmas de uma forma política — contra a guerra e o comunismo. Cientificamente, pode especular-se que é fácil de compreender que, crianças que passavam muitas horas sem comer, nos campos à intempérie, pudessem ver (ou inventar que viram) figuras mais ou menos divinas. É de realçar que, dos “três pastorinhos”, apenas Lúcia relatava o ocorrido e falava nas mensagens da Virgem Maria. E nunca podemos descartar a hipótese de ser uma brincadeira de crianças que foi longe demais. Traquinices são, como sabemos, um traço comum na infância. Em relação ao “Milagre do Sol”, as fontes da imprensa da época mostram que a maior parte das pessoas que ocorreram ao local nada viram. Uma vez mais, podemos especular que, sabendo como funcionam os nossos olhos quando fixamos o olhar no Sol, se alguém fica a olhar para o Sol durante demasiado tempo, vê essa luz a movimentar-se quando afasta o olhar — uma possível explicação do “bailar do Sol” descrito por alguns presentes.”

Megalitos

Erich von Däniken defende que é impossível comunidades pré-históricas, com recursos tecnológicos simples, terem construído monumentos megalíticos. O megalitismo é por isso uma evidência directa de contactos extraterrestres, pela dimensão dos elementos pétreos e pelos conhecimentos de astronomia pressupostos.

“Tendo participado em intervenções arqueológicas neste tipo de monumentos, compreendo a incredulidade das pessoas face à ideia de que comunidades pré-históricas com recursos tecnológicos simples possam ter construído estes monumentos, em especial alguns de grande dimensão, como a Anta Grande do Zambujeiro, ou mesmo o cromeleque dos Almendres e vários menires. Pessoas como Erich von Däniken exploram esta incredulidade e, de um modo geral, a falta de conhecimentos científicos da maior parte da população para criar a ideia de que existe um mistério”, declara João Tereso, arqueólogo e investigador no InBIO – Rede de Investigação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva, referindo ainda que já foram feitas experiências por várias equipas e sabe-se como poderiam ser construídos estes monumentos, o que é diferente de dizer que sabemos como foram construídos. “É esta brecha, criada pela honestidade da investigação científica,que é explorada. A suposta inexistência de conhecimentos de astronomia é também ficção. Esses monumentos são a prova de que esses conhecimentos existiam e as evidências têm-se acumulado, graças ao desenvolvimento da arqueoastronomia.”

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Pinturas rupestres

Erich von Däniken acredita que determinadas representações artísticas pré-históricas, em vários contextos culturais e cronológicos, são na verdade representações de seres extraterrestres.

“O uso de máscaras, atestado em arte rupestre em todo o mundo e até por amplos estudos etnográficos, é um comportamento cultural com muitos enquadramentos possíveis, como a incorporação em diferentes rituais, que terão sido imortalizados em gravuras rupestres. A maior parte das vezes não sabemos o que significam, mas a explicação extraterrestre é aquela que tem menos lógica”, diz também João Tereso, que lamenta que Erich von Däniken não conheça a arte da Idade do Ferro do vale do Côa, em Portugal, onde encontramos seres humanos com cabeças semelhantes a pássaros. “Na verdade, o que vemos estes seres fazerem – manejar lanças em cenas violentas – enquadra-se perfeitamente num comportamento humano, pouco expectável em seres extraterrestres com tecnologias bem avançadas que permitiam viagens intergalácticas.”

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