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45 anos do 25 de abril
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Música, passeios e leituras: o que não pode perder no Abril em Lisboa

São cravos, senhor, em Abril são cravos. Mas não só. Descubra o que não pode perder no programa Abril em Lisboa

Por Francisca Dias Real
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Apesar de muitas das nossas liberdades adquiridas estarem suspensas devido aos constrangimentos pandémicos, Abril é mês de celebrar essa conquista que é a liberdade. A EGEAC, em mais um programa Abril em Lisboa, volta a fazer mexer a cidade com música de intervenção, sessões de leitura, passeios guiados, teatro e ainda conversas, debates e cinema – tudo sempre de entrada e acesso gratuito e quase tudo em formato virtual, que os tempos ditam que assim seja. Em 2021, é tempo de “Coragem hoje, abraços amanhã”. É cumprir o mote à risca para que no próximo ano o Abril se celebre na rua. 

Recomendado: Ponha a tocar estas canções revolucionárias

O que não pode perder no Abril em Lisboa

Os cinemas e outros lugares de encontro na Avenida Almirante Reis: uma memória emocional de resistência ao Estado Novo
Os cinemas e outros lugares de encontro na Avenida Almirante Reis: uma memória emocional de resistência ao Estado Novo
©Arquivo municipal de Lisboa

Avenida acima, avenida abaixo

“Um passeio pelas salas de espectáculos e outros lugares de encontro no eixo Rua da Palma – Avenida Almirante Reis, que tiveram o seu apogeu durante o período do Estado Novo” – o nome é longo mas os percursos valem o tempo que vai demorar a ler e decorar. O programa do Abril em Lisboa arranca com alguns itinerários digitais guiados pelo geógrafo Aquilino Machado, que nos leva num passeio pela vida cultural e boémia da Avenida Almirante Reis e algumas das ruas anexas, construídas em torno dos cinemas, cafés e cervejarias da zona.

Os itinerários digitais têm transmissão online aos sábados e domingos (10, 11, 17, 18, 24 e 25 de Abril), e também na segunda e terça (12 e 13 de Abril), sempre às 17.00. Nestes passeios virtuais vai ser possível recordar o Cinema Lys, o Cinema Imperial, o Cinema Império e o café com o mesmo nome. Mas nem só de espectáculos se fazia a movida da Avenida Almirante Reis – descobre-se ainda o antigo Café Herminius, que foi uma espécie de incubadora do movimento surrealista português. 

Também aos sábados (10, 17 e 24 de Abril), além da transmissão do passeio, acontecem, meia hora mais tarde, tertúlias online com vários convidados. A de dia 10 tem como tema os cinemas e os lugares de encontro na Avenida Almirante Reis, a de 17 é dedicada à sua paisagem literária sob reflexo do Estado Novo. Dia 24 fala-se sobre os lugares de resistência à ditadura. 

Cinema São Jorge
Cinema São Jorge
Fotografia: Cinema São Jorge

Política e não só

Discutir, gerar consciência cívica, individual e colectiva. São estes os compromissos do Festival Política, que está de regresso ao Cinema São Jorge, entre 22 e 25 de Abril.  “Fronteiras” é o tema desta quinta edição e o fio condutor de quase 20 actividades gratuitas, do teatro e da poesia, ao cinema e outras expressões artísticas. Claro está que também haverá espaço para o debate político. Em destaque na extensa programação do festival está a sessão de stand-up do humorista Carlos Pereira, que reflecte sobre as “discriminações e direitos humanos” através do humor (24 Abr, 11.00). Atenção ainda a Fronteiras (22 Abr, 18.00), uma performance do encenador e dramaturgo André Murraças, que fala da ideia de imigração e o espectáculo Homens que são como fronteiras invadidas (23 Abr, 19.15), do escritor Valério Romão e do músico José Anjos.

Aqui, o cinema continua a merecer muita atenção. Ao todo, serão exibidos 18 filmes “que retratam realidades tão diferentes como as fronteiras de Lisboa, os conflitos sociais que a Europa atravessa, a ascensão dos nacionalismos e as migrações”, detalha o comunicado. 

De regresso à programação está também o Cara-a-Cara com Deputados (23 Abr, 17.00), um encontro entre cidadãos e deputados representantes dos partidos eleitos para a Assembleia da República que acontece por videoconferência. 

Além das actividades presenciais, o formato digital imposto pelo contexto pandémico trará uma sessão dedicada à participação cidadã na democracia e um workshop de escrita criativa. Pode descobrir mais aqui.

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Manuel João Vieira
Manuel João Vieira
©Inês Félix

E a música de intervenção?

Música Cineteatro Capitólio, Avenida da Liberdade

Não se celebra Abril sem um cheirinho dos sons da revolução. No dia 25 de Abril, às 11.00 e a partir do Capitólio, o icónico Manuel João Vieira conduz um concerto especial com fados revolucionários e canções de intervenção, cantados antes e depois do 25 de Abril. O espectáculo Nostalgia e Utopia será presencial e online, tendo entrada livre com lotação limitada e sujeita a levantamento de bilhetes nos dias 24 e 25, no Cinema São Jorge. Além disso, será transmitido em streaming nas redes sociais da CML e da EGEAC, espelhando aquilo que foi esta data e o que representou e continua a representar para Portugal e para as pessoas. Segundo a organização, serão revisitados temas do “nacional cançonetismo”, mas também canções originais “que retomam, de uma forma mais contemporânea, a canção de intervenção”. 

museu do aljube, lisboa
museu do aljube, lisboa
©José Frade

O Museu do Aljube ajuda à festa

Museus Santa Maria Maior

Entre 16 e 21 de Abril será apresentada a peça Amores na Clandestinidade, uma estreia online que decorre ao longo de cinco dias às 19.00. Esta é uma criação de André Amálio e Tereza Havlíčková que vem explorar as relações afectivas e familiares na luta antifascista em Portugal, concebida especialmente para o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade. 

O museu, em parceria com o Museu-Atelier Júlio Pomar, inaugura a exposição "8998 Pomar" que nos mostra uma selecção de desenhos, gravuras e pinturas do pintor Júlio Pomar (até 30 de Junho). Podem ser vistos documentos alusivos a obras e episódios de censura que remetem para o período de perseguição pela PIDE ao pintor, que acabou por ser preso em Caxias, em 1947. Mas há mais: a 22 de Abril, às 18.30, haverá uma conversa com Margarida Tengarrinha a propósito do seu livro Memórias de uma Falsificadora, sobre memórias de clandestinidade e resistência ao fascismo (inscrições). No dia 24, é possível percorrer os locais emblemáticos e os caminhos que permitiram a revolução – do Terreiro do Paço ao Largo do Carmo, da Misericórdia à antiga sede de PIDE – num peddy paper Pelos Caminhos da Liberdade (inscrições) às 10.00. 

Finalmente, para quem não conhece bem o Museu do Aljube, nos dias 24 e 25 de Abril, às 10.00, estão programadas duas visitas orientadas à exposição de longa duração (inscrições). No Dia da Liberdade, há ainda um concerto dos 50 anos das Cantigas de Maio, de Zeca Afonso, no auditório do museu. Será um concerto intimista com o músico Rogério Charraz e o compositor João Monge, e também requer inscrição prévia.

Liberdade sempre

25 abril
©DR

Documentários sobre a liberdade e o 25 de Abril

Filmes

A revolução dos cravos nunca foi pacífica. Numa coisa, porém, quase todos concordam: a liberdade tornou Portugal um país diferente, e a democracia, apesar dos seus defeitos, permitiu o progresso. Coisa que pode não se ver bem, agora. Contudo estes documentários, feitos entre 1975 e a presente década –  mostram o antes e depois. É só questão de comparar. 

 Cartas da Guerra
©IMDB

Os melhores filmes sobre o 25 de Abril

Filmes

A revolução dos cravos marcou uma página incontornável da história portuguesa, por isso, e porque também o cinema lhe prestou homenagem, damos-lhe os melhores filmes sobre o 25 de Abril para que respire a liberdade através da sétima arte.

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