Agustina Bessa-Luís no cinema

Domingo é dia de anos para Agustina Bessa-Luís. Aniversário que é motivo de homenagens à escritora de tantos romances. A Time Out não podia ficar indiferente, e com desejos de feliz aniversário passamos à sua contribuição para o cinema.
agustina bessa-luís
Por Rui Monteiro |
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Aos 95 anos e com dezenas de romances publicados, apenas três realizadores, Correia Alves, João Botelho e Manoel de Oliveira, que repetiu mais de uma vez as suas incursões e inspirações na obra, se atreveram a adaptar ao cinema um número, aliás, muito reduzido, dos tantos romances e contos de Agustina. Aqui ficam as seis melhores.

Agustina Bessa-Luís no Cinema

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Francisca (1981)

Manoel de Oliveira não foi o primeiro a adaptar obra de Agustina Bessa-Luís. De facto, um ano antes, o realizador Correia Alves apresentara um filme para televisão, Xarope de Orgiata, baseado em trabalho da escritora, e interpretada por Ana Bustorff, Adelaide João e Rui Madeira. Filme de que não se encontra rasto, o que faz Francisca encabeçar a lista de adaptações. Fanny Owen, publicado em 1979, é o romance que está na origem desta versão e onde, a partir de factos verídicos que envolveram o círculo intelectual e boémio portuense frequentado por Camilo Castelo Branco, se desenvolve esta história de amor e ciúme com Teresa Meneses, Diogo Dória, Manuela de Freitas, Mário Barroso e João Guedes.

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Vale Abraão (1993)

A inspiração em Madame Bovary, de Gustave Flaubert, é por demais evidente e nem a escritora nem o realizador (Oliveira, mais uma vez) a negam ou rejeitam. Antes, e de maneiras diferentes, no romance e na película, a utilizam para estruturar as suas respectivas obras. E, em ambas, Ema (Leonor Silveira), uma mulher tão atraente que é costume carros despistarem-se mal os condutores a vêem, casa com um homem (Luís Miguel Cintra) que não ama nem a atrai e que acaba por trair.

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Party (1996)

Desta vez, Manoel de Oliveira não adaptou escritos de Agustina mas não hesitou em requisitar o seu trabalho para a criação dos diálogos deste filme, que é uma espécie de exercício sobre, talvez, a batalha dos sexos, ou o conflito entre as forças do desespero e da sedução. Com Michel Piccoli, Irene Papas, Leonor Silveira e Rogério Samora, o entrecho leva as personagens até à ilha de São Miguel, nos Açores, onde um casal endinheirado dá uma festa no jardim da sua vivenda que vai desencadear uma variedade de crise psicológica-matrimonial.

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Inquietude (1998)

Continuando no cinema de Manoel de Oliveira, desta vez o cineasta constrói a sua narrativa a partir de Mãe de Um Rio, de Agustina, e de um conto de Prista Monteiro, Os Imortais. Sequência de histórias, com uma tímida ligação entre si, dominadas pela presença asfixiante da ansiedade das personagens (Luís Miguel Cintra, José Pinto, Isabel Ruth), o filme decorre em tom tenso e negro como um retrato de sofrimento.

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Espelho Mágico (2005)

A Alma dos Ricos é o romance aqui adaptado por Oliveira. E, no seu filme, encontramos Luciano (Ricardo Trêpa) que, acabadinho de sair da prisão, é levado pelo seu irmão, Flórido (David Cardoso), para servir na casa da abastada Alfreda (Leonor Silveira). Que logo o surpreende ao contar-lhe que o seu maior desejo é ver a Virgem Maria, como se não lhe bastasse um Aston Martin e um Jaguar na garagem e um guarda-vestidos repleto.

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A Corte do Norte (2008)

João Botelho foi o último cineasta a pegar num romance de Agustina. Precisamente A Corte do Norte, publicado em 1987, que o realizador abordou – como disse em entrevista à Time Out – como a epopeia familiar que é, acentuando a “noção de que as mulheres é que são fortes e grandes e geniais e os homens são arrastados por elas”. Para tornar mais cinematograficamente eficaz a narrativa, o realizador não hesitou em fazer desaparecer do seu argumento uma geração inteira presente no texto original, para melhor realçar a história individual da protagonista, interpretada por Ana Moreira (aliás responsável por outros papéis femininos no filme, entre eles Sissi, vinda directamente da corte austríaca).

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