Cinema: foi há 40 anos que Rocky se estreou em Lisboa

Parece muito tempo. E 40 anos é muito tempo. Mas foi mesmo em 1977 que Rocky se estreou em Lisboa. O filme sacou três dos dez Óscares para os quais fora nomeado, criou uma série e fez de Sylvester Stallone um astro. Aqui vai a memória em seis volumes.
rocky_drago.jpg
Por Rui Monteiro |
Publicidade

Rocky é daqueles filmes dos quais se gosta ou se odeia, e, amando ou odiando, não se resiste. As razões são variadas e geralmente opostas. Para uns, fascínio pela porrada; para outros, patetice machista no seu melhor. Haverá outras razões, mas não interessam, Rocky é um marco da cultura pop a socar há 40 anos.

Cinema: Rocky, ou 40 anos em Lisboa

Camera

Rocky (1976)

Levou quase um ano a chegar às telas lisboetas e quando chegou – pode dizer-se com propriedade – já trazia larga bagagem. Bagagem, ou fama. Quando estreou não foram os esclarecidos que correram aos cinemas, que se encheram de povo ignorante dessas opiniões, para quem, aliás, a história se resumia a um conto de sacrifício, superação e vitória de fácil empatia. O que é verdade neste episódio inicial, dirigido por John G. Avildsen, com argumento de Sylvester Stallone propriamente dito, onde Rocky Balboa inicia sua saga disputando o título mundial de pesos-pesados com o super-campeão Apollo Creed (Carl Weathers), e ainda introduz personagens que a série tornará célebres, senão, em determinados momentos, mesmo fundamentais, como o velho treinador Mickey Goldmill (Burgess Meredith) e a mulher do pugilista, Adrian Pennino (Talia Shire).

Camera

Rocky II (1979)

Até para os devotos é um pouco penoso ver o segundo episódio das aventuras de Rocky Balboa, tamanha a confusão da sua realização. Já casado com Adrian, a gozar da fama e do dinheiro ganho no combate (que perdeu à justa) do primeiro filme, mais ou menos com a cabeça a pensar numa profissão com menos dor. Porém, a carreira publicitária não corre nada bem. Rocky perde os patrocínios, entra em crise existencial, passa por uns empregos – enfim – merdosos e, finalmente, compreende que a sua vida é o pugilismo. No primeiro filme que dirige (o que quase sempre repetirá no futuro), Stallone, enquanto Balboa, por portas e travessas, consegue convencer Creed (entretanto assediado pelos fãs devido à sua pouco convincente vitória e conservação do título) a um combate de desforra. Que acontece, claro. E que Rocky Balboa vence com muita cor e sacrifício para acabar coroado como campeão do mundo.

Publicidade
Camera

Rocky III (1982)

Outra vez cheio de dinheiro e sem necessidade de andar ao murro, Balboa faz vida de publicidade e participação em múltiplos programas de televisão. Depois de defender o título mais de uma vez começa a pensar em reforma. Contudo, o seu principal opositor, James “Clubber” Lang (interpretado por Mr. T, um figurão da televisão dos anos 80), desafia-o em público com aquela verve própria de boxeador. Rocky, nativo de Filadélfia, mas italiano lá no fundo, pulsando a sangue latino efervescente, não resiste ao desafio. E lá vai, depois de ter de lidar com o ataque cardíaco do treinador mesmo antes do combate, levar uma tareia do candidato que o manda ao tapete logo no segundo “round”. Derrotado o campeão, morto o treinador, é o velho rival, Apollo Creed, quem vai tirar o herói da fossa, treiná-lo ao estilo nova escola e preparar o homem para dar um tareão a Lang que o deixa de borco no chão do ringue. A cereja em cima do bolo do terceiro tomo da saga é o combate, homem a homem, sem câmaras nem público, entre os dois rivais, agora literalmente unha com carne. Chato é só se ver o primeiro golpe.
Camera

Rocky IV (1985)

Por esta altura a saga de Rocky Balboa entra em modo político. Para compreensão popular diga-se que foram os anos da presidência de Ronald Reagan e que a Guerra Fria poucas vezes esteve mais quente do que nestes meados da década de 1980. Portanto, enquanto o lutador andava na sua calma vida com o seu novo compincha, Apollo Creed, as forças do poder congeminaram um combate com o super-homem soviético, sujeito treinado com recurso a alta tecnologia, um tal Ivan Drago (Dolph Lundgren). Balboa não vai na conversa. Creed toma o seu lugar e morre à brutalidade de Drago. Rocky, agora, já não se fica. Vai daí desafia o soviético para um combate, em Moscovo, no dia de Natal. E leva mais porrada do que alguma vez levou em toda a série. Mas adivinhem quem ganhou…

Publicidade
Camera

Rocky V (1990)

John G. Avildsen volta à realização, e, como sempre, Sylvester Stallone controla o argumento. Na sequência do combate com Drago, Balboa é diagnosticado com danos cerebrais e obrigado a abandonar a profissão. Como um mal nunca vem só, a fortuna desaparece nas mãos de um pouco escrupuloso contabilista. A família, sem dinheiro, regressa ao seu antigo bairro, Adrian ao seu emprego na loja de animais, enquanto Robert Jr. (interpretado pelo filho do protagonista, Sage Stallone) enfrenta uns rufias na escola, e Rocky reabre o ginásio de Mickey. Estamos nisto quando o ex-pugilista descobre o talento de Tommy Gunn (na vida real o também lutador Tommy Morrison), desenvolve seus dotes e, está feito, o rapaz vai a caminho do combate pelo título do mentor. É então que entra em cena um agente desportivo, o qual convence o novo candidato de que o Rocky é um peso morto na sua carreira. O povo, contudo, não esquece nem perdoa com facilidade, e, conhecedor da traição ao seu treinador, cada vez que Tommy, entretanto tornado campeão do mundo, surge em público, é insultado. Ora, com gente demais a cuspir-lhe na cara que não é o novo Rocky quem quer, o rapaz exalta-se e desafia o lendário pugilista. Este não aceita, mas não se importa em travar com Tommy um verdadeiro combate de rua, daqueles sem luvas nem nada. Pois. Mais uma vez: adivinhem quem ganhou? E, já agora, quem resolveu os problemas do filho com os rufias da escola, quem foi?

Camera

Rocky Balboa (2006)

Chegados ao filme final da série (depois virá Creed, mas isso é outra conversa), Sylvester Stallone volta a acumular realização com argumento e interpretação, e aparece em cena há muito retirado. Com a mulher morta, o filho ainda problemático e ausente, Rocky abre um restaurante. Até ao dia em que um canal de televisão desportivo apresenta, em simulação de computador, o que seria um combate entre o veterano campeão e o actual, Mason Dixon (Antonio Tarver), o que levanta alta especulação, leva Rocky a compreender que ainda é um pugilista, e, evidentemente, a aceitar o repto e subir ao ringue com o outro. A luta é justa e renhida (e provavelmente a mais bem filmada de toda a série). Rocky perde, mas por um tecnicismo. E, na última cena, é visto junto à campa de Adrian, dizendo “Yo Adrian, we did it” com orgulho. Fim.

Clássicos de cinema para totós

Filmes

Clássicos de cinema para totós. Lição 1: o cinema mudo

Há falta de palavras usa-se a expressão. Há falta de cor manipulam-se todos os cinzentos existentes entre o preto e o branco e fazem-se malabarismos na montagem. Assim começou o cinema. E assim começou a tornar-se arte. Alguma inesquecível, como estes 10 exemplos incontornáveis.

Filmes

Clássicos de cinema para totós. Lição 2: os anos 30

A ascensão do cinema falado acabou com o mudo e com as carreiras de muitos actores. A tecnologia do som (e depois da cor) provocou uma, como agora se diz, “destruição criativa”. Certo é que, apesar das baixas, a década de 1930 é uma das mais dinâmicas da história de Hollywood, culminando no excepcional ano de 1939, quando nasceram três destes 10 clássicos de cinema obrigatórios.

Publicidade
Filmes

Clássicos de cinema para totós. Lição 3: os anos 40

A guerra foi a principal preocupação do mundo durante metade da década de 1940. Mas isso não impediu o cinema de crescer como arte, nem estes filmes deixaram de entreter o público, umas vezes como escapismo, outras como alerta de consciências. Sempre, porém, progredindo na narrativa e na montagem, dando a ver um novo e cada vez mais diverso cinema.

Filmes

Clássicos de cinema para totós. Lição 4: os anos 50

Ora aqui está uma década de prosperidade, medo nuclear, que entretanto começara a Guerra Fria, e esperança. Uma década em que o cinema prosperou artisticamente e ainda mais comercialmente. Dez anos em que o preto e branco resistiu quanto pôde, mas acabou batido pela cor.

Publicidade
Esta página foi migrada de forma automatizada para o nosso novo visual. Informe-nos caso algo aparente estar errado através do endereço feedback@timeout.com