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Doclisboa 2018: dez filmes a não perder

Com a época de festivais de cinema a entrar em velocidade de cruzeiro, o Doclisboa regressa entre 18 e 28 de Outubro

Doclisboa: Alis Ubbo
Alis Ubbo
Por Eurico de Barros e Rui Monteiro |
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O número não é pequeno. Nada menos do que 243 filmes. Portugueses são 59, estreias mundiais 68, tudo dividido por uma dezena de secções que cobrem todos os géneros e abordagens ao longo de várias décadas. Ou seja, entre The Waldheim Waltz, de Ruth Beckermann, na sessão de abertura, a 18 de Outubro, e Infinite Football, de Corneliu Porumboiu, no encerramento,  a 28, está uma vasta mina de cinema por explorar. Escusado será dizer que os críticos da Time Out tiveram que penar muito para resumir o doclisboa a dez filmes essenciais. E entre os documentários que ficaram de fora da lista de sugestões encontra-se Fahrenheit 11/9, de Michael Moore, talvez o filme mais mediático que vai passar no festival – será exibido pelas 16.00 de 20 de Outubro.

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Doclisboa 2018: 10 filmes a não perder

"Monrovia, Indiana", de Frederick Wiseman

Aos 88 anos, Frederick Wiseman continua a andar de câmara em punho, à procura da América e dos americanos. Em Monrovia, Indiana, exibido na secção Da Terra à Lua, o mestre documentarista instala-se de armas e bagagens na cidadezinha de Monrovia, uma comunidade rural do estado de Indiana, com uma população de apenas 1430 habitantes, para dar a conhecer os habitantes, mostrar como vivem o dia-a-dia, o que pensam e como se organizam em instituições de entreajuda. EB

Cinema Ideal. Qui 18, 22.15; Cinema São Jorge. Dom 21, 18.00.

"Terra Franca", de Leonor Teles

Há tempos, a curta-metragem Balada de Um Batráquio, ainda antes de premiada no Festival de Berlim, na sua passagem pelo IndieLisboa em 2016, mostrou o talento de Leonor Teles para abordar a realidade de maneira originalmente lírica. Passado um par de anos, eis a chegada da realizadora à longa-metragem com este filme passado à beira do Tejo, onde Albertino Lobo vive as “contingências da vida” entre a tranquilidade solitária do rio e as relações que o ligam ao dia-a-dia em terra. RM

Culturgest. Sex 19, 21.30; Cinema São Jorge. Seg 22, 14.00.

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"Alis Ubbo", de Paulo Abreu

Paulo Abreu, o ano passado premiado por I Don’t Belong Here, é um dos nomes a ter em conta nesta edição da Competição Portuguesa. Até por o seu filme Alis Ubbo (ou porto seguro, em fenício) ter o condão de juntar actualidade e ironia. Pois é de ambas, mas principalmente de ironia, que é feita esta obra dedicada ao acompanhamento dos últimos anos de mudança e transformação da paisagem lisboeta, quando, depois da crise, o turismo chegou para ficar. RM

Cinema São Jorge. Sáb 20, 16.00, Seg 22, 16.30.

"Westwood: Punk, Icon, Activist", de Lorna Tucker

A secção Heart Beat é, como de costume, lugar de reunião entre a arte, a música e, claro, o cinema, ofícios que vêm todos juntos no filme de Lorna Tucker dedicado a Vivienne Westwood. Ícone do punk tornada grande dama da moda, a criadora não limita a sua provocação à roupa, investindo o seu prestígio no activismo ambiental, como demonstra este documentário biográfico que, misturando imagens actuais com outras recolhidas em arquivos vários, é quase um manifesto sobre a importância e significado cultural da estilista. RM

Cinema São Jorge. Sáb 20, 18.30; Culturgest. Sáb 27, 21.30.

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Dreams of the City

"Dreams of the City", de Mohammad Malas

Incluído na secção Foco – Navegar o Eufrates, Viajar o Tempo do Mundo, composta este ano por filmes dedicados ao rio mais longo do Médio Oriente e aos países e culturas que atravessa, Dreams of the City, do sírio Mohammad Malas (1984), passa-se nos conturbados anos 50 e segue uma viúva e os seus filhos que tiveram que se mudar para Damasco. EB

Culturgest. Sáb 20, 21.30; Cinema São Jorge. Qua 24, 21.30.00.

"Turno do Dia", de Pedro Florêncio

A quem pertencem as vozes que atendem as chamadas de urgência na sede do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), feitas para o número 112? Quem são as pessoas que as atendem e encaminham as equipas médicas de socorro para os seus destinos? O que pensam elas do seu trabalho, o que sentem quando atendem um telefonema? E como funcionam diariamente para poderem prestar este serviço fundamental? Foi em busca de respostas para estas perguntas que Pedro Florêncio registou um turno do dia na central do INEM, nesta fita com o mesmo nome, que passa na Competição Portuguesa. EB

Cinema São Jorge. Ter 23, 18.45; Sex 26, 16.45.

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"Un Tigre de Papel", de Luis Ospina

É a primeira retrospectiva exaustiva do realizador colombiano Luis Ospina na Europa, pelo que é oportunidade rara para conhecer a sua visão atenta e bem-
-disposta, mas nem por isso menos crítica do seu país e da América Latina. Neste filme de 2007, Ospina filma a vida de Pedro Manrique Figueroa, pioneiro da colagem na Colômbia, como um romance de aventuras satírico que acompanha a vida do artista entre 1934 e 1981 – quando desapareceu misteriosamente –, mostrando como arte, política, verdade e mentira andam sempre juntas. RM

Cinemateca. Ter 23, 19.00; Sáb, 27, 18.30.

"Dead Souls", de Wang Bing

O chinês Wang Bing continua o seu meticuloso trabalho de testemunha das consequências das mudanças radicais no seu país, evocando em paralelo o passado repressivo do tempo do maoísmo. Em Dead Souls (secção Da Terra à Lua), Bing vai ao encontro, no Deserto de Gobi, dos sobreviventes dos prisioneiros políticos que para ali foram enviados nas purgas do Partido Comunista nos anos 50, e depois abandonados e esquecidos. EB

Culturgest. Qua 21, 10.00.

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"Mischka", de Jean-François Stévenin

 

Jean-François Stévenin já foi actor de Godard, Maurice Pialat, Jacques Rivette, Jacques Demy e, nesta edição do Doclisboa, ainda pode ser visto em Silent Streams, de Philippe Ramos, ou Neige, de Juliet Berto e Jean-Henri Roger. Mas o que agora interessa são os filmes que dirigiu. Como é o caso de Mischka (parte da secção Riscos), realizado em 2001, no qual o protagonista acompanha a família do filho em férias… até ser abandonado numa área de serviço na auto-estrada. RM

Cinema Ideal. Qua 24, 22.15.

"Para la Guerra", de Francisco Marise

Chama-se Andrés Rodríguez Rodríguez, foi “combatente internacionalista” cubano e respondia pela alcunha de El Rayado quando lutou em Angola entre 1975 e 1977, na sangrenta guerra civil que se seguiu à independência desta ex-colónia portuguesa, e que envolveu também forças sul-africanas; e chamou-se Mandarria quando esteve na Nicarágua entre 1983 e 1987. Hoje, este sexagenário que viveu para fazer a guerra, continua a elogiar Fidel Castro e o comunismo, faz exercícios de combate e recorda as peripécias da sua vida para a câmara do documentarista Francisco Marise, neste filme da Competição Internacional. EB

Culturgest. Qui 25, 21.30; Sáb 27, 14.00.

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