Entrevista a Denis Villeneuve, realizador de 'Blade Runner 2049'

Denis Villeneuve juntou-se a Ridley Scott para realizar um dos filmes mais aguardados do ano. 'Blade Runner 2049' chega esta quinta-feira às salas de cinema

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Quando era mais novo, Denis Villeneuve era obcecado por Blade Runner: Perigo Iminente (1982), o seminal filme de ficção científica de Ridley Scott. Anna Smith, da Time Out Londres, falou com o realizador de Blade Runner 2049, que se estreia esta quinta-feira, dia 5 de Outubro, e descobriu que ele ainda se está a beliscar para ter a certeza que não é tudo um sonho.

Estavas nervoso por trabalhar com Ridley Scott, o realizador do Blade Runner original?

Desde muito novo que os meus heróis eram realizadores de cinema, e ele era um deles. Não é fácil estares com alguém que admiraste durante toda a vida. Apenas conversar com ele é um privilégio. Quando estava a fazer o filme senti uma grande pressão. Mas estivemos juntos depois de ele ver a versão final do filme, e ele foi magnânimo e disse que adorou. Fiquei logo mais descansado.

Como é que surgiu o convite para realizares o Blade Runner 2049?

Recebi uma chamada de um produtor que conheço. Queria reunir-se num lugar discreto. Fui ter com ele a um pequeno café no Novo México, e ele pôs um envelope à minha frente onde estava escrito apenas “Queensborough”. Ele olhou para mim e disse: “Queensborough não existe. Isto é o argumento do Blade Runner 2049.” Sabia que estavam a desenvolver uma sequela, e achava que era uma grande, tresloucada, belíssima, má ideia [risos]. Quando soube que o Ridley Scott estava envolvido fiquei entusiasmado, mas demorei muito tempo a dizer que sim ao convite, porque achei que era uma loucura. Podia ser suicídio artístico.

Até agora eras tu que escolhias os filmes que ias fazer, em vez de as pessoas irem ter contigo?

Sim, acho que sim. Normalmente estou a andar na rua, ocorre-me uma história e digo para os meus botões: está aqui o meu próximo projecto. Apesar de ser um filme brilhante, as políticas de género do original são problemáticas.

Achas que este novo filme é diferente?

Que pergunta fantástica. Digamos que uma das coisas que me atraiu para o projecto foi que havia muitos papéis de personagens femininas fortes. Desde femme fatales à antiga a arquétipos mais contemporâneos. É um filme que mostra diferentes facetas da feminilidade. No primeiro isso não acontecia, e por isso é estranho ver algumas daquelas cenas agora.

Dirias que o primeiro Blade Runner é mais assustador do que o novo?

Não diria isso. Diria que o novo filme é igualmente misterioso. Espero conseguir capturar a poesia do Blade Runner: Perigo Iminente. Sei que gostaste da ambiguidade do final do primeiro filme.

Esperas que agora as pessoas também saiam da sala com perguntas por responder?

Espero que sim. Adoro filmes que são desafiantes, que levantam questões interessantes e fazem o público pensar. Esses são os meus favoritos, e tento fazer o mesmo, à minha maneira.

E diz-me: como foi trabalhar com o Harrison Ford?

Foi tocante. Porque estava a trabalhar com alguém cujos personagens marcaram a minha adolescência, que ocuparam a minha imaginação durante décadas. O Harrison é muito calado e só fala quando tem alguma coisa importante para dizer. Ou alguma coisa muito engraçada [risos]. É uma pessoa generosa e muito humilde, e ainda se deixa espantar pela magia do cinema, por ver dezenas de pessoas a trabalhar juntas e a tentar encontrar a coreografia perfeita, aquela que vai criar um momento poético. Nunca sonhei que um dia ia dirigir um Harrison Ford. Aliás, oiço-me a dizer isto e ainda não sei se não é tudo um sonho.

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