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Jerry O'Connell: "Carter é uma série que goza com a própria televisão"

Carter, cuja segunda temporada se estreia agora no AXN, goza com séries policiais. Falámos com o protagonista Jerry O'Connell

Por Renata Lima Lobo |
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Carter - Season 2
©Peter H Stranks

Carter (Jerry O’Connell) é um actor de uma série policial famosa que volta à sua terra natal para se tornar um detective, usando na realidade os conhecimentos que adquiriu na ficção. O guião expõe a fórmula dos policiais para televisão e segue agora para a segunda temporada que estreia esta quinta-feira no AXN. Sentámo-nos à conversa com Jerry O’Connell no Bairro Alto Hotel para falar sobre a série policial que goza com as séries policiais. O actor norte-americano, também com nacionalidade britânica, esteve em Lisboa em Novembro a promover a série.

Está-se a divertir em Lisboa?
Sim, mesmo! Nunca tinha estado em Portugal. 

Mas o Jerry não é britânico também?
Sou. O meu pai é inglês e sei que é perto. Na verdade, tenho vergonha de nunca ter estado em Portugal. Há tanta história aqui, tanta história marítima...

[pede um café] E bom café.
O melhor café. É mesmo bom. E adoro carne, adoro porco, adoro queijo. 

Pode mudar-se para Portugal.
Devia. Mas tenho de dizer isto: andei a ver o preço dos imóveis e é muito caro aqui.

Sim, é um problema recente.
Tenho pena. Quer saber o que é mais bonito? Os passeios. 

Sim, chama-se “calçada”. Há técnicos especializados nisso que fazem tudo à mão.
É incrível, nunca tinha visto nada assim. Quando és de Nova Iorque comparas todas as cidades a Nova Iorque. E a pura beleza desta cidade… nunca vi nada assim. Antes de eu vir, alguém me disse que Lisboa se ia tornar na minha cidade preferida. E não estava errado.

Vai ter tempo de passear?
No domingo fui dar uma volta a Marvão. Eles têm um festival da castanha, comi dois sacos. Foi tão bonito e as pessoas são tão simpáticas. Hoje vamos à praia, fazer um bocadinho de surf.

É um homem do desporto?
Nem por isso. Vivo em Los Angeles, temos ondas lá, mas não são tão grandes como aqui. Eu sigo alguns surfistas que praticam na Nazaré e… é uma loucura. Disse que queria fazer surf, mas não na Nazaré. Nem me mandem para lá.

Vamos então falar do Carter. Quão orgulhoso está desta série?
Bastante. Porque não é como as outras séries sobre crimes. Em Carter seguimos as regras, mas eu interpreto um actor que interpreta um polícia na televisão e que usa essas competências para resolver crimes. Acaba por ser bastante divertido de fazer e, ao mesmo tempo, goza com todas as outras séries.

 

©Peter H Stranks

Já fez uma, a Crossing Jordan. Como se sente agora quando olha para trás?
É muito divertido, porque quando se é actor numa série policial é muito entediante. Mas quando li o guião de Carter vi que era uma série policial que goza com outras séries policiais e fez-me mesmo rir. Tenho falas como: “Ouve, estamos a entrar no terceiro acto, algo louco está prestes a acontecer. É só para te avisar”. Depois dizem-me que estou doido, que isso é televisão e não a vida real e depois algo acontece e o Carter diz: “Eu disse que isto ia acontecer!”

Ou falas como “Get out of my light”.
Sim! É muito engraçado.

O Jerry é um actor que interpreta um actor que trabalha para a polícia. Alguma vez usou a sua experiência como actor para fazer algo incrível na vida real?
Sim, enganei a minha mulher a casar comigo. É uma modelo e actriz muito famosa [Rebecca Romijn] e podia ter ficado com qualquer pessoa no mundo. Não sei como é que a convenci a casar comigo, é o melhor trabalho de actor que alguma vez fiz. Isso e fazer o Carter todos os dias. Acho que tens de ser um actor maluco para fazer o Carter, porque não posso estar preocupado em fazer figuras tristes. Quando mais eu estiver disposto a fazer figura de parvo, melhor irá funcionar a série.

É um desafio ou nem por isso?
É muito mais divertido. Mas o que o Carter vai fazer por mim é arruinar todos os trabalhos para televisão que eu possa ter, porque goza com a própria televisão. Por isso, vamos imaginar que depois da série eu consigo um papel num NCIS: Lisboa. Vou ter de ser sério e não sei se serei capaz de o fazer.

Há muitas séries policiais, mas é possível que os fãs da série Castle, que acabou em 2016, a comparem a Carter?
Castle inspirou-nos. É engraçado porque os meus chefes na AXN disseram-me, há três anos, que ia terminar e que ia ficar um vazio na televisão. Queríamos fazer o próximo Castle e acho que conseguimos com Carter. Mas não podes repetir, tens de dar um passo em frente: és um actor que trabalhou numa série policial como Castle. Isso é engraçado.

©Peter H Stranks

Acha que o Carter está a tentar ser melhor actor enquanto é detective?
Ele vai ser o melhor detective. Vai ser melhor do que o Horatio Caine [CSI: Miami]. Porque o Horatio não consegue trabalhar à paisana. O Horatio Caine só pode ser o Horatio Caine e o Carter pode ser qualquer pessoa. Incluindo o Horatio Caine. 

Vai mesmo acontecer algo do género?
Seria o meu sonho ter o David Caruso na série. Quero que ele leia esta entrevista e participe no Carter.

Já alguém falou com ele?
Não. Eu não conheço ninguém tão famoso. Sabe o quão rico ele é? Ele não fala com pessoas como eu.

Nunca conheceu o David Caruso?
Vi-o uma vez numa fila. E queria dizer olá, mas eu estava muito intimidado e não disse nada. Ele também estava com a filha, pequenina, e não o quis incomodar.

Carter como um projecto de longa duração?
Acho que pode continuar por um tempo. Há muitas séries policiais e não sei porque a AXN não aposta em nós para os próximos dez anos. Seria espectacular, vamos fazer acontecer.

As filmagens são no Canadá e o Jerry foi nomeado para um prémio nos Canadian Screen Awards, pelo seu papel na série Carter.
Sim, foi a primeira vez na vida que tive uma nomeação. 

A sério?
Sim! Estes prémios são como os Emmys do Canadá. E fiquei muito entusiasmado. Pedi à minha esposa para arranjar um vestido, fomos e perdi. 

Como se sente com isso?
Fiquei muito zangado. A minha esposa perguntou o que eu tinha de errado, porque ser nomeado é uma honra… Agora tornou-se a minha missão de vida ganhar aquele prémio. Todos os dias vou trabalhar, chego cedo, vou ao ginásio, trabalho as minhas falas, porque quero ganhar esse Canadian Screen Award. Tornou-se a minha obsessão.

Vamos ver agora como corre com a segunda temporada.
É melhor que aconteça.

©Peter H Stranks

No primeiro episódio da segunda temporada o Carter diz para a câmara: “Se este fosse o meu show, eu diria que seria incrível”. Por isso, quão incrível vai ser esta segunda temporada?
Vai ser espectacular. Divertimo-nos muito a fazer e acredito que as pessoas que vêm também.

E têm um personagem novo, o capitão Joyce Boyle.
Sim, interpretado pelo Lyriq Bent. É um óptimo complemento na série, porque é muito bem parecido e ajuda-nos bastante. É super musculado e um actor muito dramático que nos ajuda a trazer a série mais à terra. Sinto-me honrado de chamá-lo colega e amigo.

Na série, o Carter diz mesmo que ele é um homem muito bonito.
Sim e o que é engraçado no Carter é isto: se o Lyriq Bent fosse para o CSI: Miami, o Horatio Caine tirava os óculos e diria “Bem vindo ao CSI: Miami”. Seria tudo. Mas o Carter tiraria os óculos e diria: “Oh meu Deus, tens tão bom aspecto! Bem-vindo ao Carter”.

Apesar de ter dito que a sua vida estaria provavelmente arruinada a seguir a isto, está a trabalhar em mais alguma coisa neste momento?
Sim, vou fazer um espectáculo na Broadway chamado A Soldier's Play, com o David Alan Grier e o Blair Underwood. É muito dramático e vai estrear a 21 de Janeiro.

Já se está a preparar?
Sim, ando a memorizar as minhas falas. Andam sempre comigo.

É a primeira vez na Broadway?
É a minha terceira vez. A minha estreia foi com uma peça chamada Seminar, com o Alan Rickman, foi um grande sucesso. A minha segunda vez esteve em cena pouco tempo, foi um falhanço.

É verdade que odeia que lhe falem do filme Stand by Me, porque estava gordinho na altura? É que essa informação está no IMDB.
Não! Adoro falar sobre isso, é uma filme fantástico. Ainda o vi a semana passada com os meus filhos. Eles não gostaram, mas… Alguém na internet disse isso e não podia estar mais afastado da verdade.

Na série, há um episódio em que a Dot [uma figura materna para Carter] está a servir panquecas e diz que o Carter era um miúdo gordo. É uma referência ao Stand by Me?
Sim. Essa actriz chama-se Brenda Kamino e acrescenta essas coisas só para me chatear. Sabe, eu não gosto que as pessoas me chamem gordo, isso é um problema. Estivemos agora em Espanha e muitas pessoas chamaram-me “gordito” e isso aborreceu-me.

Está em forma.
Eu sei, não sou um “gordito”.  Mas o rapaz que me chamou ‘gordito’ era.

AXN, Qui 22.50 (Estreia T2)

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