As 25 melhores séries de comédia

De 'Seinfeld' a 'Benny Hill', eis as 25 melhores séries de comédia de todos os tempos. Menos do futuro, claro

The Monty Python team in 1969

As listas, como quase tudo nesta vida, são relativas. Mas depois de enchermos uma espécie de conselho de aministração com loucos de séries televisivas e outros consultadores da redacção da Time Out, chegámos a estas 25. Portanto, se vai começar a disparar insultos e a pedir justificações para as suas séries de comédia preferidas não estarem aqui avisamos já que não vai ter sucesso. Podiam ser outras, mas são estas. E pedimos desculpa às que ficaram de fora.

Mais um alerta à tripulação: elas estão ordenadas apenas por ordem alfabética, que não queremos alimentar ainda mais a polémica. Ria-se connosco. 

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As 25 melhores séries de comédia

A Ilustre Casa de Blackadder

De terras de sua majestade esperamos sempre do melhor. O que seria do humor sem o humor britânico? Algo sem dúvida mais pobre. A ilustre casa de Blackadder, transmitida na BBC1 entre Junho de 1983 e Novembro de 1989, foi uma sitcom que explorava as várias vidas de Edmund Blackadder (Rowan Atkinson), um anti-herói desastrado e do seu moço de recados Bladrick (Tony Robinson). Sem isto dificilmente teria existido Mr. Bean. E mais uma vez: o que seria feito de nós sem a trapalhice dessa personagem?

Arrested Development, De Mal a Pior

A série criada por Mitchell Hurwitz está aqui por ter uma importância extrema no mundo da comédia televisiva. A ideia de filmar uma família através de uma só câmara influenciou uma grande quantidade de produções que sucederam a esta, que esteve no ar de 2003 a 2006. A família Bluth é, como quase todas, ultra disfuncional e isso, embora na vida real nem sempre seja motivo de riso, no ecrã tem muita piada. É como nos vermos ao espelho com uma coragem que nunca teremos.

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Benson

Interpretada por Robert Guillaume, que autonomizou aqui a sua personagem do mordomo refilão da memorável série Soap, Benson é uma boa combinação de sitcom cómica tradicional (longe de pisar o risco como Soap fazia constantemente) e de paródia política, já que a personagem principal trabalha como director de assuntos domésticos na mansão de um governador estadual, um político bem-intencionado mas distraído e trapalhão. 'Benson' durou sete temporadas, de 1979 a 1986, e na última delas o protagonista meteu-se na política e concorreu contra o seu antigo patrão ao cargo de governador.

Bojack Horseman

Ele foi uma estrela de televisão dos anos 1990, mas agora está caído em desgraça. Os tempos áureos já lá vão e Bojack não sabe muito bem como lidar com isso. É um rabugento, cuja desgraça nos diverte. Já dissemos que estamos a falar de um cavalo que fala? É isso mesmo. A série da Netflix conta já com quatro temporadas e a quinta está a caminho.

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Cheers, Aquele Bar

De Setembro de 1982 a Maio de 1993, Cheers, Aquele Bar ofereceu 11 temporadas aos seus fãs, tudo na NBC. É muita fruta. O nome lança a escada para se entender do que aqui se fala: uma sitcom passada num bar em Boston, onde trabalhadores do dito cujo e alguns cidadãos locais se juntavam para abordar temas triviais ou mais sérios (quase nunca isto acontecia, claro). Criada por James Burrows, Glen Charles e Les Charles, Cheers, Aquele Bar foi das primeiras séries a levar-nos para este ambiente de copos e amena cavaqueira. E isso, se não for por mais nada, já é bonito o suficiente. Ted Danson, Shelley Long, Rhea Perlman e Woody Harrelson eram alguns dos actores presentes no elenco.

Fawlty Towers

Depois do final de Monty Python's Flying Circus (que obviamente se encontra nesta lista com o nome português: Os Malucos do Circo), John Cleese criou e protagonizou, com Connie Booth, com quem era casado na altura, outra das obras-primas da televisão britânica. Neste caso, uma sitcom sobre um hotel manhoso, o Fawlty Towers do título, na chamada Riviera inglesa. Com um total de 12 episódios, divididos por duas temporadas, a série centrava-se nas relações entre os pobres hóspedes e os funcionários do estabelecimento, o mal encarado e ainda pior pessoa Basil Fawlty (Cleese), a sua mulher, a venenosa Sybil (Prunella Scales), o simpático mas incompetente empregado de mesa catalão Manuel (Andrew Sachs, num papel inesquecível) e Polly Sherman (Booth), a única pessoa minimamente competente do hotel e a voz da razão.

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Friends

Amigos, amigos, séries à parte. Só que como é que resolvemos isto quando falamos de Friends? Bom, resolvendo. A produção criada por David Crane e Marta Kauffman (e que esteve uma década na NBC, de 1994 a 2004) foi vista por milhões (sejamos concretos: 52,5 mihões de pessoas viram o último episódio) e nomeada 62 vezes para os Emmy Awards. E Friends é, no fundo, o conjunto de peripécias de seis amigos, na sua grande maioria solteiros, que começam a cruzar vivências e hábitos. Num drama forçado que precipita o riso. Ou seja, no final do trabalho juntamo-nos todos num bar/café ou na casa de alguém para debitar os problemas do trabalho ou os episódios caricatos que passámos nos transportes públicos, certo? Isso é Friends.

Louie

Não é possível fazer uma lista das melhores séries de comédia e não incluir Louie. Para muitos, Louis C.K é um dos nomes maiores da comédia e esta série mostra-nos porquê. Em Louie, C.K dá-nos uma versão ficcionada (será?) da sua vida. Não é a típica série de comédia, pela forma como foi realizada, mas é para rir a bandeiras despregadas.

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M*A*S*H

Comecemos pela sigla que dá nome à série: Mobile Army Surgical Hospital. M*A*S*H, que durou entre Setembro de 1972 e Fevereiro de 1983 na CBS, faz-se com um grupo de médicos e seus ajudantes em plena Guerra da Coreia, mais precisamente na localidade de Uijeongbu, na Coreia do Sul. É obviamente um piscar de olho à Guerra do Vietname, que, à data da emissão original da produção, ainda subsistia. É, seguramente, humor negro, pois nem toda a gente está para levar com piadolas sobre assuntos sérios como este. Mas se hoje estamos todos prontos para isso, à época a conversa era outra. E M*A*S*H (baseada em MASH: A Novel About Three Army Doctors, 1968, de Richard Hooker) sobreviveu para contar. Mas não é por gostar de Anatomia de Grey que vai gostar disto.

Os Malucos do Circo

Isto até pedia um hashtag, mas por respeito a Terry Jones, Michael Palin, Eric Idle, John Cleese, Graham Chapman e Terry Giliam não o faremos. Emitida de 1969 a 1974 na BBC, esta Monty Python’s Flying Circus (Os Malucos do Circo, chamaram-lhe em Portugal) é certamente dos objectos mais míticos que a comédia ja concebeu enquanto estilo. Um sem fim de sketches cujos o humor depende de uma inteligência e cultura geral superior e que aniquila, com um estilo inigualável, toda a sociedade britânica, os seus costumes e politiquices.

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O Escritório

Há poucas séries com o alcance do The Office. Pois claro, todos nós que trabalhamos em escritórios sabemos bem do que se trata. Criado por Ricky Gervais e Stephen Merchant estreou a 9 de Julho de 2001 na BBC Two. Pena que só tenha durado duas temporadas. Mas todos reconhecemos as temáticas: o comportamento humano em pleno local de trabalho é um mimo. E se aqui todas essas situações laborais e de relações interpessoais são levadas ao extremo…também nos inclinamos a afirmar que não estão assim tão longe da realidade. A série é tão boa que até gerou uma versão americana protagonizada por Steve Carell (opinião polémica: é tão boa como a inglesa).

Os Simpsons

Muito temos que agradecer a Matt Groening, James L. Brooks e Sam Simon. Sem eles não poderíamos “d’oh”, não poderíamos rir como Nelson nem ousar ter o cabelo de Marge. E aquilo que os Simpsons têm de surreal é que continuam por aí para as curvas, actualmente na 28ª temporada. É a produção americana há mais tempo no ar. E esperemos que seja para continuar. Dificilmente nos encontraremos sem esta família de Springfield.

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Parks and Recreation

Criada por Greg Daniels e Michael Schur, com Amy Poehler à frente de um elenco que incluía também Aziz Ansari, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza e Chris Pratt, entre outros, Parks and Recreation é uma das melhores sitcoms americanas do século XXI. Uma sátira política inspirada por The Office que se centrava nos desafios e elementos ridículos da administração política local, com uma enorme empatia e sem nunca ceder ao cinismo.

Seinfeld

Sem Seinfeld, provavelmente, não estaríamos aqui. Ou, por outra, até podíamos estar, mas estaríamos, certamente, menos interessantes e com uma taxa de riso na vida bastante inferior. A sitcom criada por Larry David e Jerry Seinfeld é o humor a desmembrar-se pelo nada, pelas situações caricatas que tentamos evitar toda a vida. Produzida pela Castle Rock Entertainment, a série teve nove temporadas, tudo transmitido na NBC de 1989 a 1998. É daquelas coisas para ver e nunca parar de ver.

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Rockefeller 30

Tina Fey, sempre. Que isto fique esclarecido, ok? Depois é imaginar que Rockefeller 30 é baseada na experiência da comediante quando era a principal guionista do programa Saturday Night Live. Goza com a própria NBC e a sua estrutura complexa enquanto empresa (com autorização, claro) e mais não é que uma equipa de loucos a criar um programa de sketches ao vivo. Foi transmitida na NBC de Outubro de 2006 a Janeiro de 2013 e fazia do humor surreal o seu prato forte. Alec Baldwin, Tina Fey, Tracy Morgan, Jane Krakowski, Katrina Bowden são alguns dos nomes do elenco.

Sim, Senhor Ministro + Sim, Senhor Primeiro Ministro

Criada por Jonathan Lynn e Antony Jay para a BBC em 1980, esta série passada nos gabinetes, corredores e bastidores de Whitehall, é uma hilariante e certeira sátira ao funcionamento dos ministérios e dos governos, dominados e manipulados pelos mandarins da administração pública, de que o secretário permanente Sir Humphrey Appleby (Nigel Hawthorne) é um exemplo consumado. Os políticos como o atarantado ministro Jim Hacker (Paul Eddington) passam, os burocratas ficam, carregados de privilégios. Também com Derek Fowlds no papel do subsecretário Bernard. Na senda do imenso sucesso obtido por 'Sim, Senhor Ministro' (era a série favorita de Margaret Thatcher), a BBC e o duo de criadores decidiram continuá-la por mais algum tempo (e durou entre 1986 e 1988), e “promover” Jim Hacker ao cargo de primeiro-ministro, levando com ele, naturalmente, o maquiavélico Sir Humphrey e o sorna Bernard. Hacker chega ao Número 10 de Downing Street após a demissão do primeiro-ministro, e a confusão política continua, agora ao mais alto nível governamental.

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Soap

Estávamos em 1977 e as fugas de informação (combinadas com muita desinformação) sobre uma série que se propunha satirizar às claras assuntos como a homosexualidade levantou uma onda de constestação de grupos religiosos decididos a travar a estreia. O canal de televisão ABC teve mesmo de baixar significativamente os valores de publicidade para conseguir anunciantes, mas todo o barulho à volta de Soap acabou por ajudar a uma sucesso de audiências logo na estreia. A série manteve-se por quatro temporadas, até 1981, e além de Jodie Dallas (Billy Cristal), umas das primeiras personagens gay permanentes no elenco de uma sitcom norte-americana, criou uma ilustre galeria de figuras bem-amadas da televisão norte-americana. Uma delas, Benson (Robert Guillaume), o mordomo negro da abastada família Tate, haveria de ter direito à sua própria série a partir de 1979.

South Park

É a grande série de animação para adultos. Se como tantas outras retrata o quotidiano absurdo de quatro amigos, por outro lado é ousada como poucas, ou seja, serve-se das asneiras, do humor surreal, de tudo quanto seja chocante para fazer das boas. Já vai em 20 temporadas e presume-se que esteja no ar pelo menos até 2019. Qual 2019, por nós é para sempre.

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Taxi

Danny DeVito e Andy Kaufman no mesmo enredo? Coisa épica, naturalmente. A série produzida pela John Charles Walters Company (e criada por James L. Brooks, Stan Daniels, David Davis e Ed Weinberger) seguia as desventuras de um grupo de taxistas nova-iorquinos da Sunshine Cab Company. Quase tudo se passa na sua garagem em Manhattan, onde o seu chefe Louie De Palma (DeVito) lhes fazia a vida negra.

The Benny Hill Show

É, provavelmente, a mais bem sucedida exportação do vasto e fértil universo da comédia televisiva britânica. Em 1991, quando Alfred Hawthorne "Benny" Hill foi encontrado morto em sua casa, aos 68 anos, a série que havia criado em 1955 era ainda emitida em 97 países (e Inglaterra não era um deles). Filho e neto de palhaços (sem qualquer ofensa), Benny Hill popularizou um humor simples, físico e burlesco, feito em skeches rápidos e de uma combinação pioneira entre piadas atrevidas (leia-se, de cariz sexual), canções originais e imitações. É um dos maiores sucessos de sempre da Thames Television, teve 40 longos anos de vida, alcançou picos de audiência superiores a 20 milhões de pessoas no Reino Unido no início dos anos 70 e deixou-nos uma das mais músicas de genérico mais incríveis de sempre.

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The League

Quem diria que uma liga de fantasy football podia ser tão interessante? O mérito é (quase) todo do elenco, que inclui Mark Duplass, Nick Kroll, Paul Scheer, Stephen Rannazzisi, Jon Lajoie e Katie Aselton nos papéis do disfuncional grupo de amigos que disputa a liga que dá o nome à série, e secundários como Jason Mantzoukas, Brie Larson ou Seth Rogen, entre outros. Gente com infinita piada que, com as suas capacidades de improviso, tornou os diálogos da série de Jeff Schaffer e Jackie Schaffer verdadeiramente memoráveis, javardos e, sobretudo, hilariantes.

Uma Família às Direitas

É possível ter empatia por um americano chauvinista, intolerante, machista, ignorante, racista e pouco dado a qualquer demonstração de civismo? A resposta é sim. Mas antes que pense que isto é apenas um ataque gratuito a Donald Trump, outra pergunta: lembra-se de Archie Bunker? É a ele, a personagem brilhantemente construída por Carrol O’Connor que devemos essa coisa de sentir amizade por uma personagem capaz de ofender todas as sensibilidades e minorias em 30 segundos de conversa. O homem que, em plena era Nixon, levou a televisão a sítios onde nunca tinha ido e desconcertava com as discussões familiares sobre temas que nenhuma outra série havia arriscado antes: racismo, homofobia, aborto, controlo de armas, sexo antes do casamento, religião. Na típica casa de classe média norte-americana dos anos 70, no bairro de Queens, este estivador convivia com a sua maravilhosamente estridente mulher Edith; Gloria, a sua filha única; e o genro - estudante, democrata, activista e polaco. Um quarteto capaz de fazer um país rir das suas próprias contradições, representando o average american com uma crítica acutilante, uma piada hilariante e uma dignidade comovente  A série correu de 1971 a 1979 e tem uma das melhores canções de genérico de todos os tempos.

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Uma Família Muito Moderna

Eis uma das grandes séries de comédia da actualidade. Modern Family agarra no suporte falso documentário para provocar o fartote geral. Criada por Christopher Lloyd e Steven Levitan, a série vai na sua oitava temporada, transmitida na ABC, e acompanha a vida de uma das famílias mais disfuncionais que a televisão conheceu. Jay Pritchett (Ed O’Neill) e a sua mulher mexicana Gloria (Sofia Vergara) são a primeira entrada na árvore genealógica aqui presente. O resto já se sabe, um bando de filhos, netos e seus afluentes, que garantem constragimentos familiares exagerados…ainda que possivelmente mais próximos da realidade do que todos achamos.  

Viver no Campo

A memória nem sempre vai tão longe. Sim, que 1965, parecendo que não, ainda fica a uns quantos quilómetros de onde estamos hoje. Viver no Campo (Green Acres é o título original) foi transmitida na CBS de Setembro de 1965 a Abril de 1971 e é uma paródia que explora a ruralidade. Isto é, Oliver Wendell Douglas (Eddie Albert) é um advogado de sucesso em Nova Iorque até que decide rumar ao campo, a uma pequena quinta em Hooterville, juntamente com a sua mulher húngara Lisa Douglas (interpretada por Eva Gabor, irmã de Zsa Zsa Gábor). É o frenesim da cidade que o faz tomar esta atitude, contra a vontade da mulher, encantada pelo glamour de Nova Iorque. Era suposto a vida do casal ficar mais calma, mas os habitantes da vila asseguram que isso era apenas o seu desejo.

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Veep

Pensemos em todos os jogos políticos que cabem em Washington D.C. Agora pensemos de novo, mas sob um ambiente de pura comédia. Aí temos Veep e logo à boleia de Julia Louis-Dreyfus (que já em Seinfeld, como Elaine Benes era incrivelmente engraçada) que é garantia de gargalhada. Criada por Armando Iannucci, esta produção da HBO estreou em 2012 e vai para a sexta temporada, já no próximo mês de Abril. Selina Meyer (a personagem que Louis-Dreyfus interpreta) começa por ser uma Vice-Presidente com muito pouca habilidade política e com uma equipa caricata em seu redor. É notório que é preciso humor para lidar com as disputas de corredor na Casa Branca. Mais: é preciso humor para suportar esta líder política.

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