O melhor do ciclo "1917 no Ecrã" em Outubro

Era 1917. A I Guerra Mundial estava dura e para durar. Em Fátima apareceu a mãe de Jesus a uns pastores. Na Rússia fez-se uma revolução. E o mundo mudou, como a Cinemateca continua a mostrar em Outubro no ciclo "1917 no Ecrã"

©DRAs Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolchevistas (1924)

A programação do ciclo "1917 no Ecrã" é, em Outubro, particularmente magra. Mas nem por isso deixa de incluir filmes fundamentais para a compreensão da Revolução Bolchevique e de como ela mudou o mundo, moldando o resto do século XX, para, 100 anos depois, ainda ter muito para contar.

O melhor do ciclo "1917 no Ecrã" em Outubro

As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques (1924)

Como bónus na apresentação deste filme mudo de Lev Kulechov, o acompanhamento ao piano da película é da responsabilidade de Mário Laginha. O que é acompanhamento merecido para uma película considerada entre os clássicos do cinema mudo na sua brincadeira com as convenções do cinema burlesco norte-americano de então. Com Boris Barnet, Vladimir Vogel, Pyotr Galadzhev e Anatoli Gorchilin, numa sessão apresentada por Peter Bagrov, acompanhamos as deambulações de um americano e do seu cowboy guarda-costas em Moscovo. Na capital da União Soviética, estes improváveis heróis lutam contra um grupo de bandidos, ao mesmo tempo que descobrem as delícias progressistas do socialismo e, claro, abandonam os seus preconceitos sobre o paraíso da classe trabalhadora.

Sábado, 7, 21.30

Outubro (1927)

O grande filme do ciclo, em Outubro, é, precisamente, Outubro, de Sergei M. Eisenstein, com Vassili Nikandrov e Nikolai Boris Lianov. Filme mudo, apresentado em versão musicada, como era regra da época, realizado um par de anos depois de O Couraçado Potemkine, a obra foi uma encomenda para a comemoração do 10º aniversário da Revolução Bolchevique, e, ironicamente, marca as primeiras manifestações de desagrado das autoridades estalinistas para com o cineasta, que se tornariam definitivos quase 20 anos depois por ocasião da estreia de Ivan, o Terrível, obra que Estaline considerou uma metáfora da crueldade da sua direcção política. Adiante, pois em Outubro, evidentemente uma reconstituição ficcionada (e fantasiada) da revolução, o realizador trocou a chamada “montagem de atracções”, característica de O Couraçado Potemkine, pela “montagem intelectual”, isto é, “uma tentativa de veicular ideias abstractas através de imagens.” O que faz da película a obra mais experimental do cineasta russo e ao mesmo tempo (daí a ironia da baixa da sua cotação junto do governo) um filme que teve papel fundamental na criação do mito da revolução.

Segunda, 9, 21.30

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O Revolucionário (1917)

Esta sessão abre com A Queda da Dinastia Romanov, obra dirigido por Esther Chub, uma antiga colaboradora de Eisenstein, que acompanha, muitas vezes com basta ironia, a queda dos Romanov. Mas o prato de substância é O Revolucionário, ou melhor, os 34 minutos do primeiro filme russo que alude à futura Revolução Bolchevique que sobraram dessa exemplar película de Evgueni Bauer, um cineasta mestre na manipulação da luz e na direcção de actores (Ivan Perestriani, Vladimir Strijevsky, Zoia Barancevich). O filme foi distribuído em Abril, e Bauer faleceu em Julho, meses antes da revolução, sem receber quaisquer louros pelo feito.

Quarta, 11, 21.30

O Regresso de Máximo (1937)

Dois anos depois de A Juventude Máximo, Grigori Kozintsev e Illya Trauberg, outra vez com Boris Chirkov, agora assessorado por Valentina Kibardina, Aleksandre Kuznetsov e Aleksandr Chistyakov, estreiam o segundo tomo desta trilogia. A acção, tratada com o habitual formalismo dos seus autores, passa-se agora em 1914, no início da I Guerra Mundial, e o herói de serviço, já um bolchevique completo, mais os seus camaradas, organizam greves e participam em acções contra a guerra, sendo mais de uma vez obrigados a enfrentar a polícia czarista.

Segunda, 23, 21.30

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Clássicos de cinema para totós

Lição 1: o cinema mudo

À falta de palavras, usa-se a expressão. À falta de cor, manipulam-se todos os cinzentos existentes entre o preto e o branco e fazem-se malabarismos na montagem. Assim começou o cinema. E assim começou a tornar-se arte. Alguma inesquecível, como estes 10 exemplos incontornáveis.

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Por Rui Monteiro

Lição 2: os anos 30

A ascensão do cinema falado acabou com o mudo e com as carreiras de muitos actores. A tecnologia do som (e depois da cor) provocou uma, como agora se diz, “destruição criativa”. Certo é que, apesar das baixas, a década de 1930 é uma das mais dinâmicas da história de Hollywood, culminando no excepcional ano de 1939, quando nasceram três destes 10 clássicos de cinema obrigatórios.

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Por Rui Monteiro
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Lição 3: os anos 40

A guerra foi a principal preocupação do mundo durante metade da década de 1940. Mas isso não impediu o cinema de crescer como arte, nem estes filmes deixaram de entreter o público, umas vezes como escapismo, outras como alerta de consciências. Sempre, porém, progredindo na narrativa e na montagem, dando a ver um novo e cada vez mais diverso cinema.

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Por Rui Monteiro

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