Seis filmes de assaltos e perseguições de automóveis indispensáveis

A estreia, esta semana, de 'Baby Driver-Alta Velocidade', de Edgar Wright, sobre um rapaz que guia os carros de uma quadrilha de ladrões, dá o mote para esta selecção de fitas da mesma escola

RICHARD FOREMAN JR SMPSPDrive (2011)

Os "heist movies", ou "filmes de assaltos", em que há engenhosos e ousados roubos de bancos ou ourivesarias, e espectaculares perseguições de automóveis, são um subgénero consagrado do cinema policial. Eis meia dúzia dos melhores, assinados por nomes como John Huston, Jules Dassin, Walter Hill e até Ben Affleck.

Seis filmes de assaltos e perseguições de automóveis indispensáveis

‘Quando a Cidade Dorme’, de John Huston (1950)

Baseada num livro de W.R. Burnett, esta realização de John Huston é uma das grandes referências do heist movie, ou “filme de assaltos”, tendo estabelecido para a posteridade a matriz deste subgénero do policial, desde a composição da equipa de assaltantes, que inclui os “cérebros”, ou planeadores do golpe, e os “músculos”, ou executores do mesmo, até ao fatalismo que paira sobre toda a iniciativa, e que a fraqueza humana se encarrega de confirmar. Além de um elenco de betão armado, que inclui Sterling Hayden, Sam Jaffe, Louis Calhern e James Whitmore, bem como uma Marilyn Monroe a começar a mostrar-se, Quando a Cidade Dorme tem uma memorável sequência de assalto a uma ourivesaria, que dura 11 minutos.

‘Rififi’, de Jules Dassin (1955)

Mais um clássico, este realizado em França com base num policial francês (de Auguste Le Breton), por um realizador americano que deixou os EUA durante o mccarthysmo. Jules Dassin é também um dos quatro principais actores da fita, desempenhando o papel de César, o arrombador de cofres italiano que, após uma “golpada” logistica e tecnicamente perfeita a uma ourivesaria de Paris, deita tudo a perder por causa de um rabo de saias. A longa sequência da entrada no estabelecimento, da neutralização do alarme e da abertura do cofre-forte é um prodígio de narração visual e de suspense, em que não se ouve uma única palavra, apenas os sons dos profissionais a “trabalhar”. Rififi é ainda um regalo para todos aqueles que gostam de carros da época.

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‘O Profissional’, de Walter Hill (1978)

Este é menos um “filme de assaltos” do que um retrato de uma das figuras mais importantes dos mesmos: o condutor do(s) carro(s) do golpe e da fuga, personagem fulcral nesta modalidade do cinema policial. Ryan O’Neal é o “profissional” do título (o original é The Driver – nenhuma das personagens tem nome, são referidas pelas suas funções ou características físicas), um sobredotado do volante, indivíduo solitário e lacónico, e o melhor do seu “ramo”. Walter Hill foi buscar a inspiração visual desta fita à pintura de Edward Hooper, e preocupou-se em dar-lhe um ponto de vista original mas sempre dinâmico, filmando as sequências de acção motorizada e as perseguições quase sempre de dentro do carro conduzido pela personagem de O’Neal.

‘Heat-Cidade Sob Pressão’, de Michael Mann (1995)

Al Pacino está do lado da Lei e Robert de Niro do lado do crime neste soberbo heist movie que tem no centro da narrativa um assalto a um banco cuidadosamente planeado mas que acaba por correr mal, dando origem a uma longa e violentíssima perseguição. Que neste caso é feita não de carro mas sim a a pé, pelas ruas cheias de transeuntes e automobilistas, causando várias vítimas dos dois lados, bem como entre os civis. Michael Mann presta quase tanta atenção à vida familiar e emocional das personagens como à preparação e execução da golpada, e à subsequente caça ao homem, resultando em que Heat-Cidade Sob Pressão é um dos filmes mais elaborados quer em termos de realismo, quer de caracterização das personagens, deste subgénero.

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‘A Cidade’, de Ben Affleck (2010)

É um assalto a um banco em Boston, levado a cabo por quatro amigos de longa data organizados numa quadrilha, e filmado por Ben Affleck de forma tradicional, com eficácia e sem espalhafato, que lança a intriga desta segunda longa-metragem do actor, também encarregue de um dos papéis principais. Ou seja, em A Cidade, o roubo audacioso não está no centro do enredo nem representa o clímax do filme (que se baseia num livro de Chuck Hogan). Mas desencadeia uma relação sentimental que vai ser fulcral ao desenvolvimento da acção e ao modo como as principais personagens se vão relacionar a partir daí. Há ainda um segundo assalto a um banco na história, seguido por um tiroteio, ambos decisivos para todos os envolvidos.

‘Drive-Risco Duplo’, de Nicolas Winding Refn (2011)

Estamos de volta aos automóveis e aos profissionais da condução em assaltos, com esta fita realizada nos EUA pelo dinamarquês Winding Refn e rodada em Los Angeles. Um Ryan Gosling imperturbável e de poucas falas interpreta o papel de um enigmático mecânico e “duplo” de cinema que também se dedica a guiar carros em golpadas. A personagem não tem nome, tal como a de Ryan O’Neal em O Profissional, já referido nesta lista, sendo também conhecido apenas por Condutor. Refn explora a personagem de Gosling de uma forma mais romanesca e com interesse pela sua psicologia, embora a acção e a violência nunca deixem de estar presentes no filme, e as perseguições de automóveis piquem devidamente o ponto.

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