Sete filmes para o Dia da Mãe

Ver filmes com a mãe pode ser uma aventura, principalmente no Dia da Mãe. Siga as nossas dicas

Juno, uma mãe pouco convencional

Oferecer prendas à mãe é difícil – principalmente para quem não viu a nossa lista de 100 sugestões para o Dia da Mãe. Agora, fazer companhia à mãe e com ela ver um filme, isso, acrescenta sempre uns pontos. Mesmo que à ilharga venha um saco de roupa para lavar e engomar. A palavra-chave é, portanto, companhia. O filme é o pretexto. Assim, ficam aqui sete pretextos. Só falta acertar no gosto da mãe.

Sete filmes para o Dia da Mãe

Alma em Suplício (1945)

Mildred Pierce tem todas as razões para se sentir mal. O marido abandona-a por uma mulher mais nova e ela tem de criar as filhas por sua conta e risco. O que faz, empenhadamente, atirando-se ao trabalho no negócio de restauração e procurando dar uma boa vida e melhor educação às filhas, nem sempre com êxito, mas sempre à beira do abismo se necessário for. Michael Curtiz foi o realizador deste drama maternal que deu a Joan Crawford um Óscar pela sua tocante interpretação. Se o objectivo for ganhar pontos maternais (afinal a roupa não se lava sozinha e uma lasanha congelada dá sempre jeito) o melhor é optar pela excelente versão televisiva, Mildred Pierce, com a extraordinária Kate Winslet. Sempre são quase sete horas.

A Minha Mãe é Uma Sereia (1990)

O filme protagonizado por Cher é o ideal para ver com mães excêntricas, ou pelo menos com aquelas que, mesmo lá no fundo, gostavam de ter uma vida mais colorida, ou tiveram, até a maternidade criar deveres e a festa acabar entre fraldas sujas, ou ainda, pelo menos, por mães com assegurado sentido de humor. Pois a mãe desta película de Richard Benjamim é um caso sério de comportamento tão irresponsável quão divertidas são as peripécias em que envolve as filhas, Charlotte (Winona Ryder) e Kate (Christina Ricci). Coisa que depois das gargalhadas tem as suas consequências, pois as miúdas crescem, pensam, reflectem e quando agem são como um comboio sem travões numa descida.

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Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento (1991)

Por falar em mãe capaz de fazer literalmente tudo para manter o filho vivo até ele ter idade e conhecimento e habilidade militar para chefiar a revolta dos humanos contra os robôs e salvar a terra da ditadura esclavagista-cibernética… Não é preciso procurar mais: Sarah Connor (Linda Hamilton) já o mostrara no primeiro episódio da série, nesta altura ainda dirigida por James Cameron, e, aqui, enfim, se uma pessoa estiver metida num sarilho, com robôs ou simples humanos de má catadura, o melhor mesmo é chamar pela mãe.

O Piano (1993)

Com certeza muito adequado a mães de personalidade mais melancólica e romântica e dadas à poesia trágica, O Piano, de Jane Campion, é o filme (já agora, um dos raros filmes mãe-filha escritos e/ou dirigidos por uma mulher) exemplar para ver no Dia da Mãe. Este encontro de uma delicada pianista muda e da sua jovem filha, interpretadas com rigor e emoção por Holly Hunter e Anna Paquin, com a brutalidade da selva neo-zelandesa, intermediado pela boa vontade de um marido de ocasião (Sam Neill) e a paixão primal da personagem criada para Harvey Keitel, tudo regado pela música de Michael Nyman, podem necessitar do apoio de um par de pacotes de lenços, mas são um êxito garantido.

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Segredos e Mentiras (1996)

Agora o caso complica-se um bocadito, porque no filme de Mike Leigh em que Marianne Jean-Baptiste faz de Hortense, uma rapariga negra em busca da sua mãe biológica (Brenda Blethyn), e descobre, chocada, ser a senhora branca, proporciona um belo, mas triste conjunto de cenas capaz de pôr em causa os conceitos dominantes de maternidade. Ainda assim, com esforço e determinação, e de maneira tão realista como racional, as duas mulheres, vasculhando o passado, expurgando fantasmas, a bem dizer encontrando uma forma de redenção, criam uma espécie de nova de relação familiar.

Juno (2007)

A mãe adolescente, a rapariga da gravidez não desejada mas mantida, é tema um pouco arriscado, mas, o mais das vezes, compensador, principalmente com aquelas mães dadas ao perdão dos erros e às segundas oportunidades. Por outro lado, o argumento de Diablo Cody para a realização de Jason Reitman, com Ellen Page e Michael Cera, é uma feliz reunião de realismo e humor satírico que proporciona uma cumplicidade, quase uma identificação, com os sentimentos da protagonista, capaz de tocar as progenitoras mais conservadoras – embora seja de esperar um sermão no fim, porque, quer dizer, uma mãe é uma mãe.

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Ricki e os Flash (2015)

Por falar em Diablo Cody. É também do seu teclado artilhado por sentido de observação e ironia que sai este filme, realizado pelo ainda há pouco falecido Jonathan Demme, com a “sobrestimada” (Trump dixit) e sempre excelente (apesar de aqui um nadinha em piloto automático) Meryl Streep, a mãe que não quer saber porque tem como missão divulgar o rock até depois da idade da reforma. Mas, convenhamos, tirando casos extremos, não há mãe que não queira saber quando o ex lhe telefona para contar que perdeu o momento em que a filha se foi abaixo e se afundou. Depois é uma história de orgulho e redenção com um patético romance a rematar e moral do estilo a família é sempre a família.

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