Sete filmes sobre o 25 de Abril

A ficção sobre o regime e a guerra colonial é escassa. Ainda assim, existem alguns filmes sobre o 25 de Abril. Descubra-os connosco

É verdade, sim, a maioria dos cineastas nacionais não são muito dados a escarafunchar o passado, desenterrar e autopsiar o salazarismo. A guerra colonial, essa, então, é praticamente tabu. Poucos ousaram. Sete estão a seguir registados. São os melhores filmes sobre o 25 de Abril.   

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Sete filmes sobre o 25 de Abril

Um Adeus Português (1986)

Poucos filmaram a resignação e o fatalismo perante a perda com a emoção de João Botelho. Ao seu segundo filme, o realizador arregimentou Ruy Furtado, Isabel de Castro, Maria Cabral, Fernando Heitor, Cristina Hauser e João Perry para o elenco do que é a primeira longa-metragem de ficção sobre os efeitos da guerra colonial na sociedade e nos portugueses em particular. Para tal, o cineasta recorreu a um argumento onde convivem um reencontro familiar, uma dúzia de anos após a morte de um dos seus, soldado numa das guerras de África, com imagens, melhor, recordações a preto e branco das colónias em 1973. 

'Non', ou A Vã Glória de Mandar (1990)

Manoel de Oliveira foi outro realizador que não fugiu ao confronto com a memória da guerra. Neste filme construído em quadros, episódios da história militar portuguesa são contados por um oficial aos seus soldados em missão de combate em África, um ano antes do 25 de Abril. Luís Miguel Cintra, Diogo Dória e Miguel Guilherme interpretam as principais personagens desta espécie de fábula sobre a história de um país agarrado a um sonho de passado e hesitante sobre o futuro.

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Cinco Dias, Cinco Noites (1996)

O clima de opressão e repressão política que se vivia em Portugal é bastante bem retratado neste filme de José Fonseca e Costa, adaptação do texto homónimo de Manuel Tiago, isto é, o pseudónimo literário do mítico secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal. Ao contrário de Até Amanhã Camaradas, o romance mais popular do autor, Cunhal, e com muita fidelidade e o apoio de Vítor Norte e Paulo Pires também Fonseca e Costa, não esmiúça a vida aventurosa e perigosa de um funcionário político clandestino, mas antes a fuga, a salto, para o estrangeiro, de um militante perseguido pela PIDE.

A Hora da Liberdade (1999)

Para saber como foi a operação militar do 25 de Abril, passo a passo, momento a momento, mais coisa menos coisa, a reconstituição realizada para a SIC por Joana Pontes, com argumento seu, de Emídio Rangel e Rodrigo Sousa e Castro, é um exemplo de precisão e didactismo, e ainda de algum sentido de humor na descrição dos planos de deposição do regime e das contrariedades e peripécias da sua execução. 

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Capitães de Abril (2000)

O objectivo expresso da actriz Maria de Medeiros ao abalançar-se para a realização de uma longa-metragem era a de reflectir sobre o idealismo por detrás do movimento dos Capitães, mas, principalmente, homenagear o capitão Salgueiro Maia, o mais humilde dos revolucionários e durante tempo de mais o mais esquecido entre os mentores e executores do golpe militar. Stefano Accorsi, Joaquim de Almeida, Luís Miguel Cintra, a própria Maria de Medeiros e Pedro Hestnes integram o elenco desta obra singela e honesta.

Amanhã (2004)

Amanhã (2004)

Acontece, nesta fantasia de Solveig Nordlund, que um rapaz de nove anos, cansado de discussões entre mãe e padrasto, dá em fugir e logo na noite de 24 de Abril de 1974. Procura o pai, mas não sabe a morada. Além de que há uma certa convulsão nas ruas de Lisboa e o gaiato, para escapar a um polícia, esconde-se num grande edifício Nem mais nem menos do que a sede da PIDE, então a ser evacuada em grande velocidade. Vai tudo acabar e bem e o petiz até fica convencido de que a mãe provocou a revolução para o salvar.

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As Ondas de Abril (2013)

Aconteceu mesmo no início de Abril de 1974, como Lionel Baier conta, romanceando, no seu divertido filme, que a direcção do canal francês da rádio estatal da Suíça tentou impor ao seu director de informação, Philippe de Roulet, reportagens menos anti-sistema que o habitual. Roulet não gostou, no entanto, para aliviar a pressão, resolveu enviar dois jornalistas para Portugal, “um país subdesenvolvido mas simpático” onde não acontecia nada. E eles vieram. E quando chegaram a revolução caiu-lhes em cima com a oportunidade, como um bónus de deliciosa ironia, de Julie (Valérie Donzelli), Cauvin (Michel Vuillermoz) e Bob (Patrick Lapp) realizarem a reportagem das suas vidas.

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