Sete vilões do cinema do piorio

O herói ficar com a glória está certo. É o que se espera e é justo. Mas, e quando a personagem que fica na memória é a do vilão? Para lá de considerações psicanalíticas sobre o que isto significa, aqui vão sete maus da fita inesquecíveis.
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ANTON CHIGURH, NO COUNTRY FOR OLD MEN (2007)
Por Rui Monteiro |
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São os tipos a evitar e passam os filmes a congeminar e a fazer mal das mais variadas e imaginativas maneiras. Contudo, vai-não-vai, quem fascina numa história é mesmo o tipo – ou a tipa, que isto da ruindade não tem género – que mata e esfola ou, mais perversamente, planeia a matança dos inocentes com requintes de malvadez. Sete exemplos de vilões do cinema inesquecíveis.

Sete vilões do cinema do piorio

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A Bruxa Má do Oeste – O Feiticeiro de Oz (1939)

O nome atribuído à personagem interpretada por Margaret Hamilton fala por si. E o papel da Bruxa Má do Oeste em O Feiticeiro de Oz é vingar a morte da irmã, a bruxa Má do Este, esmagada debaixo de uma casa vinda directamente do Kansas. Assim, faz todas as maldades possíveis a Dorothy e à sua trupe mal saem da alçada protectora da fada boa da fita, incluindo um exército de macacos voadores com mau feitio.

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Leatherface – Massacre no Texas (1974)

Gunnar Hansen bem pode passear à-vontade na rua, ir ao supermercado, ou jantar num restaurante com a certeza de não ser incomodado. Primeiro, porque ninguém sabe quem ele é, apesar de ter participado em quase três dezenas de filmes. Segundo, porque quem sabe que ele interpretou Leatherface prefere manter-se ainda mais ao largo do que se se cruzasse com Freddy Kruger. O psicopata mascarado (pudera, com aquela cara) de Massacre no Texas que, com uma serra eléctrica e muita maldade estragou a visita à avó – e a vida – daqueles irmãos de quem ninguém se lembra, é, sem dúvida, dos mais arrepiantes e marcantes alguma vez registados pelo cinema.

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Darth Vader – Guerra das Estrelas (1977-1983)

David Prowse deu-lhe a figura, que ninguém esquece, mas o que se pensa primeiro quando se pensa em Darth Vader é na voz de James Earl Jones. A voz que domina a trilogia central (a primeira a estrear) de Guerra das Estrelas. A voz que reúne em si e provoca ainda mais medo que as suas próprias acções de matador frio e objectivo, carregado de poderes dignos de um daqueles inumanos de Agentes de S.H.I.E.LD., hábil manejador do sabre de luz, a bem dizer, ele próprio uma arma de destruição maciça.

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Hannibal Lecter – O Silêncio dos Inocentes (1991)

Sejamos francos, quando estamos à beira de encetar um pernilzinho humano com azevias e puré de nabos gelificado numa redução de Porto, naquele momento em que se hesita entre o vinho a escolher, muitos gostariam do sábio conselho gastronómico do doutor Hannibal Lecter. Embora, estou certo, não apreciem a companhia de um canibal, o sofisticado matador psicopata interpretado por Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (e em mais um par de filmes pouco significativos). Ele é um dos tipos mais cultos e… requintadamente mau que o cinema produziu, capaz de fazer a cabeça à querida Clarissa (Jody Foster) o mais educadamente possível e a seguir arrancar a espinal medula a um guarda antes de lhe cozinhar as entranhas.

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Patrick Bateman – Psicopata Americano (2000)

Há os que entram à bruta e os que vêm com pezinhos de lã. Os piores geralmente entram com pezinhos de lã e depois, pronto, quando entram à bruta é mesmo à bruta e vai de machado, serra eléctrica ou o que estiver à mão, desde que não estrague a primorosa decoração nem deixe pingos de sangue ou pedaços de cérebro no espremedor de citrinos Stark. Entre estes, pior ainda são os que, vestindo caríssimos fatos de pura lã virgem, mostrando cartões de visita em papel de alpaca manufacturado por um artesão que só trabalha quatro dias por ano, ou pagando rodadas de milhares de dólares por puro exibicionismo, escondem uma profunda misantropia assassina. Por exemplo: Patrick Bateman, a personagem saída da imaginação do romancista Brett Easton Ellis, como metáfora do jovem capitalista dos anos de 1990, sanguinariamente interpretada no cinema por Christian Bale.

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Bill, o Carniceiro – Gangs de Nova Iorque (2002)

Daniel Day-Lewis é daqueles actores capazes de tornar interessante a leitura da bula de um medicamento. Quando aceita um papel é para fazer mesmo como deve ser, e tanto faz ser um desgraçado artista tetraplégico como o carniceiro sedento de poder que Martin Scorsese lhe deu para interpretar em Gangs de Nova Iorque. Filme (em que o protagonista é Leonardo DiCaprio, embora ninguém se lembre) no qual não lhe faltam oportunidades, logo a partir da cena de abertura, para sangrar o próximo pelos mais variados meios e com os mais diversos instrumentos com a mesma eficiência com que faz um lombo em bifes.

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Anton Chigurgh – Este País Não é para Velhos (2007)

Já passou tempo suficiente para afirmar com segurança que Anton Chigurgh é um (senão “o”) vilão do mais frio e eficaz e desumano que alguém imaginou, com uma voz e uma pose perante as vítimas ainda mais assustadora que o corte de cabelo, o qual, por si só, põe logo uma pessoa na retranca. Aliás, não é certo que o assassino sem coração criado pelo romance de Cormac McCarthy, passado ao cinema pelos irmãos Coen, fosse o poço de maldade em que o actor Javier Bardem o transformou. O certo, no entanto, é que nas mãos do actor espanhol Anton Chigurgh deu novas valias aos atordoadores de vacas a ar, ao mesmo tempo que, com um rasto de mortos, ganhou lugar a disputar o pódio da vilanagem.

Tenha medo, muito medo

Filmes

O melhor de Stephen King no cinema e na televisão

'Carrie', de Brian De Palma, 'The Shining', de Stanley Kubrick, 'Christine-O Carro Assassino' de John Carpenter, 'A Purificação de Salem', de Tobe Hooper , mas também filmes realistas como 'Conta Comigo', de Rob Reiner, constam desta lista de obras do mestre do terror americano Stephen King levadas ao cinema e à TV.

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