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Solteira e Boa Rapariga: a RTP tenta mas não chega lá

A nova série da RTP1 padece de subnutrição cómica. Mas continuem a tentar.

Solteira
DR
Por Eurico de Barros |
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☆☆☆

No genérico de Solteira e Boa Rapariga (RTP1, Seg a Sex 21.00/ RTP Play), uma mulher tenta fazer um bolo de casamento, mas sai-lhe torto e feio e a figura da noiva, que põe no topo, desaba. Está tudo dito.

Estamos perante alguém sem muito jeito para as coisas do coração. Ela é Carla (Lúcia Moniz), de 40 anos, tradutora, a viver com dois gatos. Uma encalhada. Tem uma mãe muito “tia” que a incita a voltar à actividade sentimental e sexual, e uma psiquiatra algo heterodoxa. Apoiada pelo amigo gay, um polícia, e nas redes sociais, ela vai sair com um homem diferente por episódio.

É tentando que se consegue, e a RTP não desiste, e bem, de tentar fazer ficção portuguesa apresentável e correr a vários géneros, incluindo a comédia. Mas não consegue uma Sara quem quer. Nove em cada dez tentativas não dão em nada, ou então só em muito pouco.

Carla é como que uma Bridget Jones alfacinha, em mais trapalhão e menos pândego, um conjunto de pequenos clichés de caracterização; os homens que conhece são demasiado caricaturais (o neurótico com terror da ex-mulher, o fanático do fitness, o tímido com um boneco de ventríloquo – episódio particularmente atroz), e o riso é esporádico, enfezado, pálido.

Solteira e Boa Rapariga padece de subnutrição cómica. Mas continuem a tentar.

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