10 anos, 10 discos: o melhor que ouvimos em cada ano da Time Out Lisboa

Nos últimos dez anos passaram pela redacção da Time Out centenas de discos portugueses. Eis os melhores de cada ano
Norberto Lobos
©Clarita Phiri Norberto Lobos
Por Editores da Time Out Lisboa |
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Passaram centenas de discos portugueses pela redacção da Time Out Lisboa nos últimos dez anos. Da electrónica ao rock e do fado à folk. Desde músicos que toda a gente conhece há muitos e muitos anos a relativos anónimos e nomes que se tornaram conhecidos ao longo desta década.

Estes foram os melhores discos, ano a ano. Desde o primeiro de Norberto Lobo, Mudar de Bina, em 2007, a Nua, o segundo de Gisela João, no ano passado – nem por acaso, ele e ela são os únicos repetentes da lista. Pelo meio, encontram-se nomes como B Fachada, Buraka Som Sistema e os Sensible Soccers, entre outros.

10 anos, 10 discos: o melhor que ouvimos em cada ano da Time Out Lisboa

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Norberto Lobo - Mudar de Bina (2007)

O primeiro álbum de Norberto Lobo pode não ser o seu melhor, mas foi (e é) o mais surpreendente. Pardaoxalmente simples mas complexo, tranquilo e inquietante, é um disco que tem tanto de português (olá, Carlos Paredes) como de americano (bons ouvidos o oiçam, John Fahey). Um disco onde uma guitarra consegue ser maior do que a vida.

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Tiago Guillul - IV (2008)

É difícil conceber o que seria a música portuguesa em 2017 se a FlorCaveira não tivesse obrigado parte do país a prestar-lhe atenção e a mudar com ela no final da década passada. IV, de Tiago Guillul, é um dos mais cruciais registos da editora de Queluz, introduzindo novas referências no léxico musical autóctone. Um cocktail (molotov) lo-fi de folk, punk e afro-pop cujo fogo continua a alastrar.

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B Fachada - B Fachada (2009)

O segundo álbum do 2009 de B Fachada continua a ser um dos seus melhores. Um disco pop quase perfeito, mas que é tornado (ainda) melhor pelas suas imperfeições. Ao longo destas 11 canções assombradas pela música portuguesa e brasileira, bem como pela canção popular anglo-americana, Vitorino é parafraseado, José Afonso objecto de reverência, o pessoal torna-se matéria histórica. Foi a partir deste disco, deste momento, que se tornou impossível ignorar B Fachada.

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Lula Pena - Troubador (2010)

Foi preciso esperar 12 anos para ouvir o segundo álbum de Lula Pena. Qualquer coisa abaixo da excelência teria, por isso, sido uma desilusão. Não foi. Ao longo de sete actos, a cantora atirava-se ao fado, à música brasileira e até ao folclore argentino. Num registo inimitável e sem nunca perder a coerência.

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Buraka Som Sistema - Komba (2011)

Depois da festa planetária que conseguiram encaixar em Black Diamond (2008), os Buraka Som Sistema optaram por ir directos ao assunto. Aliás, por ir directos ao kuduro – minimal, maníaco, ultratecnológico. Com pedaços de dubstep, reggaeton e rock pelo meio, é certo, mas fiel a uma África contemporânea e de raízes pulverizadas pelo planeta.

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Norberto Lobo - Mel Azul (2012)

Em 2012, Nobero Lobo já era dono e senhor de um dos mais fundamentais corpos de trabalho da música portuguesa contemporânea. Ao quarto disco, continuou a criar uma linguagem própria, bebendo com a mesma sofreguidão de Carlos Paredes e da tradição portuguesa ou de John Fahey e dos bárbaros gentis da Takoma. Mas sem nunca parar de evocar outras latitudes e sons: da Índia ao Brasil, passando pelo jazz.

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Gisela João - Gisela João (2013)

É mais do que um disco – é uma revelação. Imprimindo uma marca autoral sem escrever uma única palavra, tatuando-se em canções que já pareciam ter dono, percebendo que aquilo de que o fado sempre precisou não foi de tristeza, mas de intensidade, Gisela João revelou-se uma das melhores e mais completas fadistas portuguesas. Ao primeiro disco já tinha o destino traçado.

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Sensible Soccers - 8 (2014)

Há poucas bandas assim em Portugal. Que consigam criar canções a partir das quimeras tântricas dos sintetizadores e das guitarras. Que transformem partículas celestiais em melodias que apontam para o infinito. Os Sensible Soccers conseguiram isso com as oito faixas do álbum com que se estrearam. Música de mente aberta. Psicadélica e progressiva, experimental e repetitiva, mas verdadeiramente apaixonada.

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Pega Monstro - Alfarroba (2015)

Desde que soaram os primeiros acordes de “Paredes de Coura”, canção que apresentava o EP de estreia O Juno-60 Nunca Teve Fita que as Pega Monstro geraram reacções apaixonadas. Em 2012 chegou o disco homónimo e as opiniões permaneceram polarizadas. Mas com Alfarroba, o Tratado de Tordesilhas opinativo que dividia o mundo em adoro/odeio foi rasgado. As canções continuaram ruidosas, mas o tempero dado ao disco foi suficiente para agradar a mais gente sem deixar um amargo de boca aos fãs de antanho.

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Gisela João - Nua (2016)

Gisela João tem o condão de se superar a si própria e de continuar a cativar gente desligada do fado. Porque os sentimentos que canta são universais e intemporais, mas a forma como os comunica é só dela. O que ela canta é sempre fado, mesmo quando se descalça para bailar um vira minhoto, quando sai à rua para uma noite picante de São João, quando tem um encontro imediato com um extraterrestre ou quando demonstra a mais rara sensibilidade emocional em canções do sambista Cartola.

Especial aniversário: 10 anos da Time Out

Rive-Rouge - Mercado da Ribeira
©DR
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Dez grandes bares abertos nos últimos dez anos

Nos últimos dez anos a Time Out escreveu sobre centenas de novos bares em Lisboa. Muitos fecharam entretanto, mas alguns continuam de portas abertas. E uma pequena fracção marcou indelevelmente a cidade. É o caso destes dez. Desde a Cerveteca, o primeiro bar de cerveja artesanal em Lisboa, aberto em 2014, às Damas, que injectaram nova vida na noite da Graça sem 2015, passando pela Pensão Amor, espaço fulcral da renovação do Cais do Sodré na presente década. Sem estes bares, Lisboa não era o que é.

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