Concertos a não perder na temporada Reencontros

De 6 a 28 de Julho, todas as sextas-feiras e sábados, o Palácio de Sintra transforma-se numa máquina do tempo.
Odhecaton
©Odhecaton Odhecaton
Por José Carlos Fernandes |
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Se a música mais antiga que conhece é o “tan-tan-tan-tcham” da Sinfonia n.º 5 de Beethoven, está a precisar de descobrir os tesouros da Idade Média e Renascimento revelados na temporada "Reencontros: Memórias Musicais do Palácio de Sintra". De 6 a 28 de Julho, todas as sextas-feiras e sábados, o Palácio de Sintra transforma-se numa máquina do tempo que revela música que habitualmente não faz parte dos programas de concertos mas que nem por isso é menos merecedora de atenção. O programa abre, não com música antiga, mas com a Compañia Flamenca Cadencia Andaluza, que combina guitarras, contrabaixo e cajón, vozes e dança, sob a direcção de Rubén Martínez, e que propõe dois programas diversos: “Senderos flamencos” na sexta-feira 6 e “Somos magia” no sábado 7.

Concertos a não perder na temporada Reencontros

Camera
Música, Clássica e ópera

L’Arpeggiata

O ensemble dirigido pela austríaca Cristina Pluhar começou pela recriação da música antiga mas tem investido cada vez mais na livre reinvenção de antigas partituras à luz da linguagem do jazz e da fusão com músicas tradicionais da Europa e da América do Sul.

O programa “Mediterrâneo: Música de Espanha, Itália, Grécia, Turquia e Macedónia” fará esbater as fronteiras entre a música tradicional dos países mencionados (com ênfase nas canções da comunidade grega de Salento, no “tacão da bota” italiana) e as reinterpretações de composições do barroco italiano, da autoria de Maurizio Cazzati, Girolamo Kapsberger e Claudio Monteverdi. O ensemble instrumental faz alinhar corneto, guitarra barroca, teorba, contrabaixo, cravo e percussão e conta com as vozes da soprano Céline Scheen e do “sopranista” Vincenzo Capezzuto.

[Excertos do álbum Mediterraneo (2013, Virgin Classics)]

Camera
Música, Clássica e ópera

Ala Aurea

Após um périplo pelo Mediterrâneo, a demanda do Santo Graal: o programa “Cundrîe la Surziere: Um trajecto medieval em busca de Chrétien de Troyes e Wolfram von Eschenbach” tem como fio condutor a feiticeira Cundrîe, personagem das lendas arturianas (que Wagner faria, séculos depois, surgir como Kundry na ópera Parsifal).

Uma vez que não há música medieval sobre Cundrîe, o grupo Ala Aurea, dirigido por Maria Jonas, usou de artes mágicas para arquitectar uma narrativa dos eventos decisivos da vida da feiticeira e apoiá-la em música “contrafeita”, que sobrepõe excertos dos romances de Chrétien de Troyes e Wolfram von Eschenbach a música de trovadores provençais e germânicos, composições modernas ao estilo medievais e a doses liberais de inventividade e improvisação.

[Excerto do programa “Cundrîe la Surziere” (II acto: Cundrîe deixa a corte do Rei Artur), ao vivo na cripta de St. Michael, Colónia, 2012]

 

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Camera
Música, Clássica e ópera

Odhecaton

O programa “Flos florum: Simbologia do número e devoção mariana na polifonia flamenga” (sexta-feira 20), reúne motetos de temática mariana de outros flamengos activos nas cortes e igrejas italianas nos séc. XV e XVI. Não precisará de ser devoto da Virgem Maria nem de ter um doutoramento em matemática para ficar rendido às peças de compositores de génio como Brumel, Compère, Dufay, Josquin, Mouton, Obrecht, Ockeghem e van Weerbecke, nas interpretações esmeradas do ensemble vocal masculino Odhecaton, formado por especialistas na música vocal da Idade Média e Renascimento.

[Moteto “Nuper Rosarum Flores” – uma das peças do programa “Flos florum” – pelo pelo ensemble Odhecaton, dirigido por Paolo da Col]

“Os humores de Orlando di Lasso” (sábado), centra-se num único compositor flamengo: Roland de Lassus (1530/32-1594), que aos 20 e poucos anos já era mestre de capela em S. João Latrão, uma das mais importantes igrejas de Roma, e passou a maior parte da carreira ao serviço dos Duques da Baviera, em Munique. Os Odhecaton farão uma panorâmica da obra de Lassus, ilustrando a variedade de técnicas, estilos e estados de espírito do compositor.

[“Madonna Mia Pietà” (1555), de Lassus, pelo ensemble Odhecaton, dirigido por Paolo da Col]

Camera
Música, Clássica e ópera

Accademia del Piacere

A Accademia del Piacere, dirigida por Fahmi Alqhai, assume diversas geometrias consoante o programa que apresenta e nestes dois concertos que versam o apogeu da música espanhola, que coincide com similar florescimento nas letras e na pintura e a máxima expansão territorial do império – o chamado Siglo de Oro –, surge como um ensemble de violas da gamba, cravo, guitarra barroca e percussão.

O programa “Fantasías, diferencias y glosas na música espanhola dos séculos XVI e XVII” (sexta-feira 27) dá a ouvir variações e reinterpretações instrumentais de peças famosas da época, como “O Felici Occhi Miei”, de Arcadelt, “Mille Regretz”, de Josquin, ou “La Spagna”, com uma energia e um colorido que estão por vezes mais perto do jazz e do flamenco do que da compostura que se associa usualmente à “música erudita”.

[Excerto do programa “Fantasías, diferencias y glosas na música espanhola dos séculos XVI e XVII” pela Accademia del Piacere, ao vivo na St. Mark’s Episcopal Cathedral de Minneapolis, EUA]

“Hispalis splendens: Músicas da Sevilha do Século de Oro” (sábado 28) faz-nos recuar até oa tempo em que Sevilha era o pivot do comércio ultramarino espanhol e empregava compositores como Francisco Correa de Arauxo, Francisco Guerrero, Alonso Lobo, Alonso Mudarra ou Cristóbal de Morales.

Mais música clássica em Lisboa

Joana Carneiro
©Dave Weiland
Música

Concertos gratuitos de Jazz & Clássica em Julho

Chega o Verão e com ele uma vasta oferta cultural. O programa de concertos gratuitos de Julho oferece música nos mais diversos estilos e para as mais variadas formações em diferentes sítios da cidade. Esta lista de 30 sugestões permite-lhe ouvir música ao vivo durante quase todo o mês sem gastar um cêntimo. Em igrejas, jardins, parques e museus. Para que se oriente e organize a agenda, nós dizemos-lhe os concertos gratuitos de jazz e clássica que não pode perder em Julho em Lisboa. 

Margarida na Roca
©DR
Música, Clássica e ópera

Sete canções românticas que precisa de ouvir

Na música, o período Romântico cobre quase todo o século XIX e os primeiros anos do século XX. Há quem veja o Beethoven dos últimos anos de vida como o primeiro romântico e Rachmaninov, que continuou a compor música nos moldes oitocentistas muito depois das revoluções operadas por Debussy, Ravel, Stravinsky e a Segunda Escola de Viena, como o último romântico. Nestas contas não costumam entrar os Neo-Românticos da década de 1980, como os Duran Duran e os Human League, cuja contribuição se exerceu menos na área da música do que na do hairstyling & makeup. 

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Música, Clássica e ópera

Sete obras clássicas compostas por miúdos

Num cartoon de Calvin & Hobbes, a dupla está a ouvir música e o tigre, lendo a contracapa do LP, informa Calvin de que Mozart teria composto a peça que estão a ouvir aos quatro anos. Calvin fica perplexo e responde que essa foi a idade com que ele tinha aprendido a fazer as suas necessidades na casa de banho. A forma como o cérebro humano se relaciona com a música é um enigma e uma fonte de prodígios e permite que crianças e adolescentes imaturos nos restantes aspectos da vida sejam capazes de criar obras musicais de sofisticação e profundidade comparáveis às de um compositor adulto. 

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