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Dez concertos da Orquestra Metropolitana de Lisboa a não perder

A Orquestra Metropolitana de Lisboa já revelou os pratos principais do seu programa para a temporada 2019/20.

Por José Carlos Fernandes |
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Luca Francesconi
©DR Luca Francesconi

A temporada é marcada por duas grandes efemérides: em 2019, assinalam-se os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães; em 2020, os 250 anos do nascimento de Beethoven. No que a explorações ousadas diz respeito, há outra data “redonda” a assinalar: os 50 anos da chegada do homem à Lua (ou, segundo gente muito bem informada, da encenação em estúdio, dirigida por Stanley Kubrick, da chegada do homem à Lua). Todos estes aniversários serão celebrados com música apropriada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML).

Em 2019/20, os artistas associados da temporada serão Luca Francesconi, compositor e maestro nascido em 1956 em Milão e que foi aluno de Karlheinz Stockhausen e Luciano Berio, e o pianista António Rosado, que há muitos anos colabora regularmente com a OML. A temporada barroca no Museu Nacional de Arte Antiga, sempre ao sábado, tem Bach e a corte de Fredrico o Grande da Prússia como fio condutor. O Ateliê de Ópera da OML, que terá várias apresentações em diferentes datas e locais, tem este ano por matéria L’Elisir d’Amore, de Donizetti.

Dez concertos a não perder na temporada 2018/19 da OML

Enrico Onofri
©Maria Svarbova
Música, Clássica e ópera

Bach, J.S. & C.P.E: Magnificat

Vários locais

O Magnificat alude à Visitação – o anúncio a Maria pelo arcanjo Gabriel de que em breve será mãe do Messias – cuja festa, no tempo de Bach, se celebrava a 2 de Julho (em 1969 foi mudada para 31 de Maio), mas sabe-se que em 1723, em Leipzig, J.S. Bach estreou a primeira versão do seu Magnificat no dia de Natal, pelo que a obra assenta bem a um concerto desta quadra. Neste caso terá a companhia do Magnificat Wq.215 (H.772) que Carl Philipp Emanuel Bach compôs em 1749, que é a mais antiga obra sacra deste compositor que se conhece. A interpretação será de Eduarda Melo e Alexandra Bernardo (sopranos), Marina de Liso (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor), André Henriques (barítono) e do Coro Voces Caelestes, com direcção de Enrico Onofri (na foto), profundo conhecedor da música barroca (em tempos foi 1.º violino do ensemble Il Giardino Armonico).

[Excerto do do Magnificat de C.P.E. Bach, pelo Coro Accentus e a Insula Orchestra, com direcção de Laurence Equilbey, ao vivo na Philharmonie de Paris, 2015]

Sebastian Perlowski
©DR
Música, Clássica e ópera

Beethoven e Tchaikovsky

Teatro Thalia, Sete Rios/Praça de Espanha

Em 2020 assinala-se a passagem de 250 anos sobre o nascimento, em Bona, de Ludwig van Beethoven e esta é uma ocasião que a OML não poderia deixar de celebrar. E fá-lo com o Concerto para violino que Beethoven estreou em 1806, uma obra exigente, complexa, inovadora e também desgastante para o solista (que nesta ocasião é José Pereira), já que se estende por três quartos de hora – só o primeiro andamento dura 25 minutos, o que supera a duração usual da soma dos três andamentos dos concertos para violino compostos até então. Não lhe faltam motivos de interesse nem induzirá sono em ninguém, pelo que todos estarão bem despertos para ouvir a popular suíte do bailado A Bela Adormecida, de Tchaikovsky. A direcção é de Sebastian Perlowski (na foto).

[II andamento (Larghetto) do Concerto para violino de Beethoven, por Janine Jansen e a Deutsche Kammerphilharmonie Bremen, com direcção de Paavo Järvi (Decca)]

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Pedro Amaral
©David Rodrigues
Música, Clássica e ópera

Beethoven (1)

Teatro Thalia, Sete Rios/Praça de Espanha

Neste concerto, com direcção de Pedro Amaral (na foto), a Sinfonia n.º 7 tem a companhia do Concerto para piano n.º 1, em que será solista Marta Menezes. O concerto, composto em 1795, estreado pelo próprio Beethoven em 1795, em Viena, leva o n.º 1, mas na verdade foi o terceiro na ordem de composição: em 1784, quando tinha apenas 14 anos, Beethoven compusera um concerto para piano, que nunca foi publicado e cuja partitura orquestral se perdeu. E o Concerto n.º 2 foi escrito em 1787-89, sofrendo uma revisão em 1795, antes de ser publicado (também o n.º 1 foi revisto antes da publicação em 1801).

[I andamento (Rondo: Molto Allegro) do Concerto para piano n.º 1 de Beethoven, por Vladimir Ashkenazy e a Filarmónica de Londres com direcção de Bernard Haitink, ao vivo no Royal Albert Hall, Londres, 1974]

Aapo Hakkinen
©DR
Música, Clássica e ópera

Da Saxónia a Brandenburgo

Museu Nacional de Arte Antiga, Estrela/Lapa/Santos

Outro dos concertos da temporada barroca no Museu Nacional de Arte Antiga que merece destaque é o que traz a Lisboa o cravista e maestro finlandês Aapo Häkkinen (na foto), num programa que volta a ter a corte de Frederico o Grande e a família Bach como temas, e que alinha o Concerto para cravo n.º 1 BWV 1052 de Johann Sebastian e o Concerto para dois cravos F.46 do seu filho mais velho, Wilhelm Friedemann, alternando com sinfonias de W.F. Bach (F.65) e de Frederico o Grande (em ré maior).

[I andamento (Un poco allegro) do Concerto para dois cravos F.46 de W.F. Bach, por Andreas Staier e Robert Hill (cravos) e Musica Antiqua Köln, em instrumentos de época, com direcção de Reinhard Goebel (Archiv)]

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Eivind Gullberg Jensen
©DR
Música, Clássica e ópera

Brahms: Requiem

Centro Cultural de Belém, Belém

A Páscoa está associada – pelo menos para os crentes – a uma mensagem de esperança e redenção, pelo que é apropriada a escolha do Requiem Alemão de Brahms, que não é um Requiem como os outros: em vez do texto canónico da Missa de Defuntos, em latim, usado pelos restantes compositores, Brahms fez uma escolha pessoal de textos da bíblia luterana, selecção em que não há lugar para o terror apocalíptico do “Dies Irae”, colocando antes ênfase no sofrimento da humanidade e no conforto que a fé na clemência divina proporciona aos que vivem em angústia. As palavras de abertura dão o tom: “Abençoados sejam os que choram, pois serão confortados”. Com Sónia Grané (soprano), André Baleiro (barítono) (na foto) e Coro Sinfónico Lisboa Cantat, com direcção de Eivind Gullberg Jensen.

[I andamento (“Selig Sind, die da Leid Tragen”) do Requiem Alemão de Brahms, pela Wiener Singverein e a Filarmónica de Viena, com a direcção de Herbert von Karajan, ao vivo em Viena]
António Rosado
©DR
Música, Clássica e ópera

Beethoven et al.

Teatro Thalia, Sete Rios/Praça de Espanha

Mais um concerto inserido na comemoração dos 250 anos do nascimento de Beethoven: neste programa, com direcção de Pedro Amaral, o Concerto para piano n.º 2, em que é solista António Rosado, é emparelhado com excertos da música para o bailado As Criaturas de Prometeu, estreado em 1810 em Viena.

[III andamento (Rondo: Molto Allegro) do Concerto para piano n.º 2 de Beethoven, por Arthur Rubinstein e a Filarmónica de Londres com direcção de Daniel Barenboim (RCA Red Seal)]

Mais música clássica

András Schiff
©Birgitta Kowsky
Música, Clássica e ópera

Dez concertos para piano que precisa de ouvir

Desde Mozart até aos nossos dias, o concerto para piano é um dos géneros mais apreciados, ao equilibrar a imponência e colorido orquestral com o brilho e virtuosismo do solista, e muitos foram os compositores que nele investiram a sua melhor inspiração.

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