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Kady
Mariana Valle Lima

Kady: “Para mim, é uma missão usar a minha voz para combater”

Artista cabo-verdiana reinventa-se com ‘Lumenara’, EP que chega esta sexta-feira a todo o lado. Na próxima semana, é um dos nomes no cartaz do Super Bock em Stock.

Editado por
Cláudia Lima Carvalho
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Se para muitos Kady é ainda um nome desconhecido, os mais atentos já terão dado por ela – ainda há pouco tempo foi um dos destaques da programação do Jardim de Verão, na Fundação Calouste Gulbenkian, seguindo-se um concerto no Sol da Caparica. Nascida na ilha de Santiago, em Cabo Verde, a música acompanha-a desde o berço, não fosse filha de uma das fundadoras do grupo Simentera, a cantora Terezinha Araújo. 

Aos discos, chegou em 2015, quando editou Kaminho. Seguiu-se uma participação no Festival da Canção, em 2020, onde interpretou o tema “Diz Só”, da autoria de Dino d’Santiago e Kalaf Epalanga. Com o EP Lumenara editado esta sexta-feira e que terá uma apresentação no Super Bock em Stock, no dia 26 no Cinema São Jorge, a cantora renasce, ou reinventa-se. “Eu já não sou a mesma pessoa. Senti a necessidade de procurar uma identidade musical. Apesar de ser grata por todo o meu processo, não tinha sentido que tinha chegado à identidade que eu queria”, conta. “Estou a ir para um estilo novo, diferente do que fazia antes, mas sempre naquela fusão da música cabo-verdiana com a pop e o afro.” 

Não é errado dizer que Kady é hoje uma mulher resolvida, empoderada até. “Djunto”, com Dino D’Santiago, e “Tempu” foram os avanços de um trabalho em que a cantora se apresenta segura e com uma visão artística completa. Não há detalhe deixado ao acaso, do guarda-roupa aos vídeos, sempre com a direcção criativa de Urivaldo Lopes. O foco é só um: falar do que está a acontecer. “Às vezes parece cliché, mas nunca é demais falar, por exemplo, do empoderamento da mulher negra, até porque ainda temos muitas vítimas”, diz, sem medo do peso das palavras. 

“Para mim, é uma missão usar a minha voz para combater.” Tal como já havia feito a sua avó, Amélia Araújo, ou Maria Turra, voz da Rádio Libertação do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) durante a luta pela independência. Não por acaso, Kady sabe bem o lugar que ocupa e a diferença que pode fazer, seja cantando em português ou em crioulo, a língua em que se sente mais à vontade. “Eu penso em crioulo, sonho em crioulo, é-me natural.” Sem pressão de julgamentos, como admite já ter sentido. “A nossa maior artista é a Cesária Évora, que sempre cantou em crioulo. Acho que essa é a magia da música.”

Este artigo foi originalmente publicado na edição impressa da Time Out Lisboa, Outono 2022

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