Os oito melhores álbuns de 2017 até agora

Mac DeMarco, Loyle Carner, Kendrick Lamar. Estamos quase a meio do ano, altura ideal para analisar quais os melhores álbuns de 2017. Atenção: até ao lavar dos cestos é vindima
Kendrick Lamar
Photograph: Shutterstock
Por Miguel Branco |
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Os oito melhores álbuns de 2017 até agora

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Loyle Carner – 'Yesterday’s Gone'

Eis uma belíssima estreia. O primeiro LP de Loyle Carner, Yesterday’s Gone, editado em Janeiro com selo AMF e Caroline, é um dos grandes discos do momento. Numa época em que o trap e o grime assumem uma espécie de regime autoritário em Londres, Loyle Carner pode ser considerado um resistente. Atira-se para um rap que tanto assume um registo funky, de uma festa relativamente calma durante a tarde, dá-nos também a melancolia, o amor de mãe, em instrumentais mornos e melódicos. 

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Mac DeMarco – 'This Old Dog'

Este aqui não nos sai da cabeça, nem dos ouvidos, tal tem sido a exaustão com que o temos escutado. Editado pela Captured Tracks há uma semana, This Old Dog é seguramente o melhor disco do canadiano Mac DeMarco e arriscaríamos dizer o melhor do ano. 2017 parece ter trazido uma postura menos brincalhona a DeMarco e isso só traz coisas boas. Olhem para nós embrenhados num objecto de beleza rara, de um oxigénio tão limpo que até se estranha a falta de poluição, uma folk de ode ao amor, o mais confortável dos lugares. 

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The Courtneys – 'The Courtneys II'

As três amigas de Vancouver não desiludem. Ao segundo disco, mais uma incursão ao indie-garage-rock onde a simplicidade marca todos os pontos e mais alguns. São hinos de vários contextos, entre a estupidez juvenil dos rapazes, que só queremos maltratar depois de ouvir “Lost Boys”, e o bucolismo repetitivo de quem não quer assim tanto explorar recantos psicadélicos e/ou aéreos. Estamos junto ao chão e estamos lindamente. Editado em Fevereiro pela Flying Nun Records, este é um álbum a não perder.

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Kendrick Lamar - 'DAMN.'

Yo, yo. Não sobram muitas mais palavras para um artista desta dimensão, com esta singularidade, com uma espécie de ginga tão própria. Como o próprio diz em “Element”, um dos temas do ano: “If I gotta go hard on a bitch, I’ma make it look sexy”. Com selo da Top Dawg Entertainment, o seu colectivo artístico desde sempre, DAMN. não pode ser comparado a To Pimp A Butterfly, pelo menos na sua longitude, na sua carga emocional, até mesmo na produção e instrumentação, não deixa, no entanto, de ser um enorme disco, com faixas incríveis. É, a bom ver, a luta de Lamar com os seus demónios e o seu ego de melhor rapper da actualidade.

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Vagabon – 'Infinite Worlds'

Lætitia Tamko é uma das grandes surpresas deste ano. É a prova de que o indie-rock também pode ser feita por afro-americanos, por uma rapariga que sempre se sentiu deslocada em nova-iorque e que cresceu suportada pela guitarra que os pais lhe demoraram a oferecer. O que se ouve em Infinite Worlds, LP de estreia, são desabafos numa linguagem rockeira sobreposta sobre uma voz límpida, com bastante soul. À imagem das Courtneys é uma aproximação clara a um rock adolescente para quem muita gente já não tem paciência. Deve ser culpa do trap.

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Sleaford Mods – 'English Tapas'

English Tapas foi editado em Março pela Rough Trade e pela Popstock. É o décimo disco dos Sleaford Mods mas podia ser um objecto de arremesso político. Jason Williamson e Andrew Fearn são, no fundo, os maiores inimigos da sociedade britânico, que mandam abaixo sempre que podem, com letras mordazes e um punk minimalista a pedir motim, a roçar a postura de rapper. “Moptop” e “Army Nights”, são cantigas obrigatórias, a soar a Brexit.

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King Gizzard & The Lizard Wizard – 'Flying Microtonal Banana'

Podemos-lhe chamar banda, mas os King Gizzard & The Lizard Wizard são quase uma matilha. Um grupo de bandidos australianos, bandidos na arte de criar música, claro, numa linguagem em que o psicadelismo e o desvario são figuras de proa. Flying Microtonal Banana é o primeiro de cinco discos a editar este ano, dizem eles. E nós, a julgar pela sua constante loucura, sentimo-nos tentados a acreditar. É um objecto envolto em xamanismo, um rock tribal feito por encantadores de serpentes.

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Slow J – 'The Art of Slowing Down'

Há sempre um lugar ao sol para os portugueses numa lista como esta. Só que Slow J não o obteve por mera circunstância, pelo contrário, Slow J, sem ser arrogante, exigiu-o. Depois do The Free Food Tape EP, editado em 2015, o rapper setubalense dá-nos um enorme disco, que consta, certamente, dos melhores discos de hip-hop nacional feitos nos últimos anos. E metam anos nisso. Há beats de funaná, arranjos de jazz, coisas mais electrónicas. Slow J é para tudo e para todos e é dos melhores desta geração de músicos nacionais.

Entrevistas Time Out Lisboa

 Slow J
©DR
Música, Rap, hip hop e R&B

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Conversámos com um dos nomes maiores do hip-hop nacional enquanto bebia um chá na Champanheria do Largo. Ainda disponibilizou uma fita métrica para servir do suporte do gravador. Slow J é um artesão sem medidas fixas.   

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Luis severo
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Luís Severo: “Espero que o Padre Borga não fique ofendido com o meu sacro-pop”

Meio aos tropeções, Luís Severo aterra no Linha d’Água que nem um explorador deslocado. Um aceno chega, afinal este é só um clássico lugar para entrevistas, pouco tem a ver com o habitat do músico português. Ele que vive na Penha de França há um ano e meio, e que, neste momento, já só consegue rogar pragas a esta Lisboa do city-tour e do co-work. Este segundo disco enquanto Luís Severo (homónimo, que sucede a Cara d’Anjo) está por aí, entre o amor, esta cidade e uma atmosfera sónica que apela a uma missa pop que leva todos à igreja. 

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