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Pixies
© Simon Foster

Paz Lenchantin: “Sem os Pixies, muitas bandas não seriam o que são hoje”

Os Pixies são um nome histórico do indie rock americano. Falámos com a baixista Paz Lenchantin sobre o novo disco

Por Luís Filipe Rodrigues
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Black Francis, David Lovering, Joey Santiago e Kim Deal precisaram só de cinco anos (de 87 a 91) e outros tantos discos para deixar uma marca indelével no indie rock americano. Pouco depois, separaram-se. A história parecia ter terminado assim, mas os Pixies regressaram em 2004 e desde então nunca mais nos deixaram. Isto apesar de Kim Deal ter saído da banda em 2013, sendo temporariamente substituída por Kim Shattuck, antes de a baixista Paz Lenchantin se juntar definitivamente aos Pixies no ano seguinte. Desde então, o quarteto tem tocado por todo o mundo e já lançou três novos discos – a actual baixista gravou dois deles. O mais recente, Beneath the Eyrie, foi editado há pouco tempo e é a desculpa para mais uma actuação em Lisboa, esta sexta-feira, no Campo Pequeno.

Antes do concerto, falámos com Paz Lenchantin. A baixista, hoje com 45 anos, vive da música há mais de 20. Nesse período, tocou ao lado de figurões como Maynard James Keenan (mais Billy Howerdel, Josh Freese e Troy Van Leeuwen) nos A Perfect Circle, ou Billy Corgan (mais Jimmy Chamberlin, Matt Sweeney e David Pajo) nos Zwan, e colaborou com Queens of the Stone Age, Silver Jews e Jarboe, entre outros artistas. Pelo meio ainda gravou e editou discos a solo. Mas agora está concentrada a tempo inteiro nos Pixies, e dá a entender que não são só mais uma banda. São a sua banda. 

Já tocas com os Pixies há mais de cinco anos. Ainda te lembras de como reagiste quando eles te convidaram?

Sim. Estava em Biarritz [no sul de França] quando entraram em contacto comigo. Lembro-me de estar a trocar e-mails com o meu grande amigo e ex-colega de banda Josh Freese. Ele estava muito entusiasmado com as notícias, de tal maneira que fiquei ainda mais entusiasmada só de pensar que estava prestes a ser a nova baixista dos Pixies.

Alguma vez te sentiste intimidada por estares a tocar com uma banda icónica?

Nunca. Ao início estava expectante, quando muito. Tinha muita curiosidade, muita vontade de perceber quem eles eram enquanto pessoas, com quem é que ia estar a viver e a tocar. E alegra-me poder dizer que hoje os amo como se fossem da minha família.

Tocaste com uma série de músicos influentes ao longo das duas últimas décadas. Como é que essas experiências anteriores se comparam com tocar com os Pixies?

É sempre diferente. Mas a principal diferença é que agora tenho mais experiência. Aprendi muito ao longo dos meus 20 anos de discos e digressões, e posso partilhar essas experiências com os Pixies.

O que leva uma banda lendária, como os Pixies, a fazer novos discos? Principalmente, tendo em conta que os anteriores não foram muito bem recebidos.

Precisamos de estar sempre a fazer música nova, para manter as coisas interessantes. E, verdade seja dita, eu adoro o novo álbum, Beneath the Eyrie. Acho mesmo que é tão bom como os discos antigos.

O Beneath the Eyrie foi o segundo álbum dos Pixies que tu ajudaste a fazer. O que é foi diferente desta vez, face ao anterior Head Carrier?

Gravámos o disco numa igreja do norte do estado de Nova Iorque, numa cidade perto de Woodstock. Como era o nosso segundo disco com o produtor Tom Dalgety conseguimos montar as coisas e começar a trabalhar num instante.

O processo de gravação pôde ser acompanhado através do podcast documental It’s a Pixies Podcast, partilhado antes da edição do disco. Quem teve essa ideia?

Foi o nosso manager que teve a ideia, e toda a gente parece ter adorado o podcast. Pessoalmente, gostei muito de ouvi-lo.

Costumas ouvir podcasts?

Nem por isso. Mas é algo que quero começar a fazer. Gosto muito de ouvir contar histórias, e os podcasts são óptimos para isso.

Não é preciso dizer que os Pixies influenciaram inúmeros músicos ao longo dos anos. Mas a coisa funciona no sentido inverso? Ou seja, sentes que algum desses artistas influenciou o que vocês fazem agora?

Não olho para as coisas dessa forma. É verdade que, se não fosse pelos Pixies, muitas bandas não seriam o que são hoje, mas eu não penso nesses termos. Eu faço o que faço, sem ligar muito a isso. Limito-me a seguir os meus instintos.

O que vão tocar em Lisboa? Sobretudo canções novas ou as mais antigas?

Um pouco de tudo.

Preferes interpretar os clássicos dos 80s e 90s ou as canções novas, que ajudaste a compor

Gosto de ambas. Se bem que gosto ainda mais de tocar coisas acabadas de fazer. Canções que nunca gravámos, nem tocámos antes. Se calhar também vamos fazer isso em Lisboa.

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