Queen + Adam Lambert: “Isto é quase puro Queen”

Queen + Adam Lambert tocam na Altice Arena na quinta-feira. Fomos a Londres falar com eles
Queen + Adam Lambert
Bojan Hohnjec
Por Luís Filipe Rodrigues |
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Os Queen são um nome histórico do rock britânico. Mas estavam encostados às boxes quando, em 2009, Brian May e Roger Taylor, os dois fundadores da banda que continuam no activo, acompanharam Adam Lambert, um dos finalistas daquela edição do American Idol, na final do programa. Podia ter sido uma vez sem exemplo, mas a coisa correu tão bem que, passados dois anos, estavam a tocar juntos numa cerimónia de entrega de prémios. E desde 2012 que andam em digressão pelo mundo juntos. Vieram a Lisboa pela há dois anos e regressam na quinta-feira para um concerto na Altice Arena.

Uma semana antes do concerto, este que vos escreve foi a Londres falar com Adam Lambert, Brian May e Roger Taylor – o trio que, ao vivo, é acompanhado por Spike Edney, nas teclas, Neil Fairclough, no baixo, e Tyler Warren, nas percussões. E eles garantiram que o concerto vai ser melhor e maior do que o de há dois anos no Rock in Rio Lisboa.  

Têm andado a tocar uma das canções do Adam Lambert, "Whataya Want From Me", nos últimos concertos. Como é que os vossos fãs reagem?

Adam Lambert: Muitos deles conhecem a canção. Foi um grande sucesso há nove anos, por isso é normal que a conheçam. É a única canção minha que estamos a cantar e estou muito grato a estes senhores por terem aceitado tocar a minha pequena canção pop.

Brian May: Não tocamos as suficientes, para dizer verdade.

AL: Eu acho que é mais do que suficiente. Tocamos uma canção minha. Mais do que isso seria inapropriado. É uma honra partilhar a minha canção com estes cavalheiros. 

BM: É uma boa canção. Devíamos tocar mais. 

Quem vai aos vossos concertos?

AL: Acho que são sobretudo fãs dos Queen. A maior parte do público parece ter sido fã a vida toda.

BM: Eu vejo muitos cartazes que dizem "Amo-te Adam".

AL: Eu vejo muitos que dizem "Amo-te Brian" e "Amo-te Roger". E "Amo-te Freddie".

BM: Olha que eu vejo muitas tiaras, e essas não são para mim (risos).  

Roger Taylor: O Brian foi muito bem aceite e já é um de nós. E ele tem muitos fãs. Nos nossos concertos, mas também nas digressões dele a solo.

BM: Sim. E eles têm T-shirts dele e assim, isto é um facto. Acho que os nossos fãs se tornaram fãs de Queen + Adam Lambert e isso é muito bom. 

AL: Estamos a trabalhar e a tocar juntos há seis anos, portanto já temos pessoas que são mesmo nossas fãs, o que é óptimo. Mas eu sei, ou pelo menos penso, que uma boa parte do público foi fã a vida toda e consegues ver que sabem todas as letras. Estão a cantar connosco, a chorar e a rir, e isso é a minha parte favorita. Poder tocar com estes músicos espantosos para um público incrível, independentemente de onde formos.

Vocês tocaram juntos pela primeira vez numa final do American Idol. Já tinham ouvido falar no Adam antes disso?

BM: Sim. Para aí um milhão de pessoas disseram-me que tínhamos de ver este gajo e que ele devia ser o nosso próximo vocalista, por isso vimos tudo o que ele fez.  Assistimos à evolução e ao progresso dele com muito interesse. E foi bom irmos lá actuar com ele. Sentimos logo que havia ali futuro. Pelo menos eu e o Roger sentimos. Não sei o que o Adam sentiu.

AL: Eu senti o mesmo, sem dúvida. Lembro-me de ter ficado muito contente por ter escolhido aquela canção ["Bohemian Rhapsody"] para a minha audiência, porque não sei se eles teriam ido ao programa se não o tivesse feito. Lembro-me de ter sentido uma certa ressonância quando tocámos juntos. Não sei como explicar, mas senti qualquer coisa. 

RT: Sem dúvida. Na verdade foi o nosso teclista, o Spike, que me enviou um e-mail a dizer que eu tinha de ver um concorrente que era um cantor incrível, e que seria óptimo trabalhar com ele. E quando eu vejo o programa o Adam estava a cantar a “Whole Lotta Love”, dos Led Zeppelin e fiquei boquiaberto, “wow”. Era incrível. E depois, por acaso, trabalhámos juntos na final do programa.

Isso foi em 2009, mas depois só se voltaram a juntar passado um par de anos. Porquê esperar? 

AL: Eu estava ocupado. Tinha de lançar um álbum e fazer a minha própria digressão primeiro, sabes? Tinha acabado de sair do programa. Até que finalmente surgiu uma oportunidade.

BM: Eu estava muito impaciente, para dizer a verdade. Não sei se o Adam se lembra, mas tentei entrar em contacto com ele quando eu estava em Los Angeles a fazer qualquer coisa, não me lembro o quê. Eeu acho que fiz uma proposta e o Adam respondeu “não, não, não”.

AL: Eu não disse “não, não, não”. Acho que alguém falou por mim.

BM: Tinhas um contrato com uma editora, não era?

AL: Sim. Tinha de lançar um disco, ou pelo menos era o que esperavam de mim.

BM: Mas eu estava mesmo com vontade de tentar fazer qualquer coisa, e quando surgiu a oportunidade de tocarmos juntos numa cerimónia qualquer na Irlanda...

AL: Nos MTV Europe Music Awards.

BM: Tocámos um par de canções e tudo mudou.

Depois tocaram na Ucrânia, certo?

BM: Pouco depois, sim. Tocámos para não sei quantas pessoas, umas 200 mil. Foi de loucos. E ele saiu-se bem. Ele diz que estava nervoso, mas... 

AL: Estava aterrorizado.

Adam, ainda te lembras de como foram esses primeiros concertos com os Queen?

AL: Aterrorizadores. Era um sonho tornado realidade e uma oportunidade espantosa. E eu sabia que era uma combinação perfeita, mas mesmo assim foi assustador. Naquele primeiro concerto fizemos um set de duas horas e tivemos nove dias para ensaiar juntos, por isso para eles provavelmente foi na boa. São veteranos da estrada. Mas eu…

RT: Estava lá meio milhão de pessoas. Era muita gente.

AL: E é muito material para aprender. Eu conhecia muito bem uma boa parte dos maiores sucessos, mas depois havia algumas canções mais obscuras, que não. E tive de aprender todas as palavras e… É muita coisa para decorar.

De repente estás a cantar com os Queen, uma das maiores bandas de sempre. Alguma vez sentiste que não eras suficientemente bom?

AL: Senti, sem dúvida. Ao início. Acho que agora já provámos o nosso valor… Que eu provei o meu valor. E somos bem recebidos. Mas ao início tinha algumas reservas, porque o Freddie Mercury era incrível. É um dos meus cantores favoritos de todos os tempos. E acho que todas as pessoas que nos vão ver pensam o mesmo. Ele é amado. E foi levado muito cedo. Por isso ocupar o lugar dele foi assustador. Porque não sabia como iam reagir os fãs. E ao início houve alguma controvérsia.

Pois.

AL: Mas eu ouvi essa controvérsia, prestei atenção às críticas e acho que isso me obrigou a fazer melhor e a desafiar-me. E isso foi bom para mim.

Como é que o vosso trabalho com o Adam Lambert se compara com o que fizeram com o Paul Rodgers na década passada?

BM: O trabalho com o Paul Rodgers foi um pouco diferente, se queres mesmo saber. Foi uma ligação muito orgânica, porque o Paul era um dos nossos heróis. Ele tem praticamente a nossa idade, mas era como se fosse de uma geração anterior, porque tinha tido sucesso antes de nós. Para mim e para o Roger era um prazer tocar as canções dele, dos Free e dos Bad Company. Por isso tentámos encontrar um compromisso entre a música dele e a nossa. Era algo novo, algo diferente. Foi muito divertido, mas passado um bocado esgotou-se, muito naturalmente. Porque o Paul não ia passar a vida a cantar canções dos Queen, e quanto mais longe do Reino Unido tocámos, mais as pessoas esperavam que ele fosse o vocalista dos Queen e não o Paul Rodgers. Por isso tivemos de nos separar. Mas continuamos a dar-nos bem. Com o Adam é diferente. Porque ele vai a todas. Tem tido a delicadeza de explorar todo o espectro musical dos Queen. Por isso podemos dizer-lhe para tentar cantar esta ou aquela canção e ele diz logo que sim. E canta tudo muito bem. Incrivelmente, mesmo. Portanto, de certa forma, é mais uma continuação do nosso trabalho com o Freddie. Isto é quase puro Queen.

RT: Sim. Há seis anos que fazemos isto, e estamos cada vez melhor. Sobretudo neste espectáculo de agora, que tem nível de produção diferente. É melhor do que os anteriores e estamos muito orgulhosos.

O que é que entendes por um nível de produção diferente?

RT: É mais avançado do ponto de vista tecnológico, é mais dramático, é mais moderno e mais efectivo, acho eu. Estamos muito contentes. 

Tu e o Brian são milionários. Podiam estar sossegados em casa, a viver de royalties. Porque continuam a tocar?

BM: Deve ser porque adoramos isto. Nós temos orgulho no que fazemos e ainda podemos fazê-lo, graças a deus. E enquanto pudermos fazer isto vai ser incrível. Nós nunca fizemos nada disto pelo dinheiro, assim como assim. Mesmo a sério. Nós começámos a fazer música porque adorámos isto, e continua a ser assim. Ainda vemos os sorrisos na cara das pessoas quando tocamos. E, com o Adam, podemos conquistar o mundo como sonhámos quando éramos crianças. E lá no fundo continuamos a ser crianças.

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