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exposição 12x12
Filipa Camacho

12X12: uma exposição que apresenta as obras de arte em caixas de CD

Todas as obras estão à venda por um valor simbólico de 15€ para enaltecer a obra e não o artista que a assina.

Por
Francisca Dias Real
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Quem disse que o formato CD passou de moda? Até pode ter deixado de tocar em muitos leitores, mas há quem lhes atribua outros significados, artísticos até. Entre os dias 10 e 13 de Dezembro, o mercado de Santa Clara recebe mais uma edição do projecto 12X12, uma exposição de pintura, desenho e gravura, cujas obras de arte têm um formato único – 12x12, o da caixa de um CD.

A simplicidade do formato é o que torna este evento anual tão especial, sobretudo nesta que é a sua 10.ª edição, a decorrer pela primeira vez no Mercado de Santa Clara e ao longo de quatro dias, em vez de apenas um, como tem sido habitual. Dentro de uma caixa de CD, pequena e quadradinha, pode caber muita coisa, a liberdade artística é, aliás, o motor deste projecto. 

“Isto começou nos tempos de faculdade ainda, em Belas Artes, onde todos queríamos estar juntos, conhecer os trabalhos dos colegas, fazer trocas e comprar obras”, explica Elsa Bruxelas, uma das cabeças por detrás do 12X12. “Decidimos começar a fazer exposições privadas, só entre nós, tudo a um preço simbólico, era uma espécie de encontro de amigos artistas”. Mas a coisa cresceu. Aos artistas foram-se juntando as respectivas famílias e amizades, que acabavam a entrar nesta partilha de trabalhos, e quando deram por isso outros curiosos começaram a aparecer e a querer fazer parte.

“Queríamos demarcar-nos do mercado da arte, que muitas vezes pode ser perverso para os artistas, e na altura éramos mais novos, foi uma forma de começarmos”, diz. “Quem nos visitava acaba a pedir mais edições do 12X12, e assim acabámos a fazer disto uma coisa mais séria e que envolve muito mais pessoas, tanto artistas como público”. 

Os encontros começaram por acontecer no ateliê próprio de Elsa, e passaram depois para a Galeria Arte Graça, sendo que apenas este ano se mudaram para o Mercado de Santa Clara. As restrições aos eventos, as limitações de horários e de número de pessoas por metro quadrado ditaram a mudança,  com o apoio da Junta de Freguesia de São Vicente que cedeu o espaço do Mercado de Santa Clara. “Num ano diferente, teremos uma exposição diferente, com menos público de cada vez mas com mais espaço para trazer mais obras e mais artistas”, refere Elsa.

Nesta mostra estão representados mais de 200 artistas, sendo que cada um deles pode apresentar entre duas a 20 obras – número que cresceu nesta edição –, e a única exigência é mesmo o suporte da obra ser o de uma caixa de CD. 

Todas as obras estão à venda por um preço simbólico de 15€, sejam elas de artistas já conhecidos como Mimi Tavares, João Figueiredo ou João Charrua, ou de outros jovens emergentes. A arte aqui quer-se democrática, com uma igualdade de suporte para todos os artistas, uma forma de valorizar a expressão plástica e a qualidade das obras, independentemente dos valores estabelecidos pelos mercados da arte.

“As pessoas não escolhem as peças pelo seu autor, escolhem pelo que gostam e é precisamente essa ideia de valor que queremos passar, daí o custo ser completamente simbólico”, explica. “O 12X12 junta uma autêntica misturada de pessoas, com vários tipos de trabalho e técnicas, que aqui são desenvolvidos em liberdade total. Não interessa quem assina, interessa a obra”.

Com as limitações impostas pelas regras de segurança e higiene dos espaços, Elsa tem esperança que se cultive até mais a relação entre o artista e o público que visita o Mercado de Santa Clara entre esta quinta, 10, e domingo, 13 de Dezembro. 

Mercado de Santa Clara. Dias 10 e 11 16.00-22.00, dias 12 e 13 09.30-12.30. Entrada livre.

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