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157 anos depois, a Casa Chineza fechou

Pastelaria da Baixa abriu no século XIX como comércio de chás, café e louças orientais. Edifício deverá dar lugar a hotel.

Rute Barbedo
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Rute Barbedo
Jornalista
Casa Chineza
Arlei LimaCasa Chineza
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A Casa Chineza deixou de ter tartes de maçã, broas de mel e folares nas vitrinas. O espaço histórico que oferecia bolos, salgados, sumos naturais e também refeições, e que era frequentado por muitos locais em pleno 2023, fechou portas depois de 157 anos de actividade. O motivo oficial do encerramento não é conhecido, mas entre os comerciantes vizinhos questionados pela Time Out circulam rumores de que no edifício da Rua do Ouro (há vários anos sem moradores) nascerá um hotel. 

Recorde-se que, no século XIX, quando a Casa Chineza abriu, as montras eram ocupadas sobretudo por louças vindas do Oriente (principalmente da Índia, da China e do Japão), mas também artigos de mercearia, sobretudo chás e cafés. Em 1866, a sua abertura foi um acontecimento, já que esta viria a ser a "mais importante de todas" as casas do género em Lisboa, conforme registou o jornal A Capital. Uma das provas da sua relevância é a inscrição do nome do estabelecimento na calçada portuguesa, bem como as seguintes gravações à entrada do edifício, ainda hoje visíveis: "Chá e café", "Casa Chineza" e "Louças da China e Japão". Esta porção do passeio da Rua do Ouro integrou, aliás, o levantamento fotográfico para a candidatura da calçada portuguesa a património cultural imaterial da UNESCO.

Recorde-se que, em Outubro, a mesma rua viu abrir um hotel de cinco estrelas, alguns números abaixo da Casa Chineza.

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