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A coreógrafa brasileira Lia Rodrigues de volta à Culturgest

Por Mariana Duarte
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Lia Rodrigues, a mais internacional das coreógrafas brasileiras, apresenta Para Que o Céu Não Caia, de quarta a sexta na Culturgest. Entre a dança, política e a ecologia, falámos com a artista.  

Verão no Rio de Janeiro, favela da Maré. 42 graus sem ar condicionado à vista, chuva e tempestade, helicópteros e sirenes. Para Que O Céu Não Caia também é isto – o lugar onde nasceu, o lugar onde foi feito. “Qualquer trabalho que faças na Maré vai ser diferente. É um lugar muito rico e muito desafiador”, diz à Time Out Lia Rodrigues, a mais internacional das coreógrafas brasileiras, que passa na Culturgest de quarta a sexta-feira com o espectáculo Para Que O Céu Não Caia. “Na Maré a situação está muito difícil por causa da violência”, continua a autora. “Mas alguns de nós, que não vivemos lá e só trabalhamos, pouco sofremos com isso. O morador é que está sofrendo.” 

Lia Rodrigues instalou a sua companhia na favela da Maré em 2004, onde ajudou a erguer o Centro de Artes e a Escola Livre de Dança, hoje com cerca de 300 alunos. E foi nessa escola, em 2015, que começou a ser germinada esta criação, a partir de um questionário que envolveu alunos do Núcleo 2, bailarinos da companhia e uma estagiária portuguesa, Francisca Pinto. “Dividimo-nos em grupos, cada grupo inventou uma abordagem diferente e fomos para as ruas da Maré. Cada grupo tinha perguntas para fazer e podia fazê-las de várias formas”, explica. “Houve um dia muito forte para todos nós que foi passado com uma comunidade de utilizadores de crack, que está perto do Centro de Artes.” As perguntas estavam relacionadas com o corpo, a dança, a relação com o outro e com o próprio Centro de Artes. Feita a recolha, Lia pediu aos bailarinos para organizarem esteticamente a experiência. “Aí as ideias começaram a brotar.”

O tema das alterações climáticas e do Antropoceno acabou também por se cruzar com a pesquisa. “Era algo que estava muito presente nas minhas inquietações e que eu passei para os bailarinos”, diz a coreógrafa, dando como referência o livro A Queda do Céu, do xamã e activista indígena Yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo Bruce Albert. No Brasil, esta queda do céu pode ter vários significados: o genocídio das populações indígenas, a par da destruição das florestas, o país com “um governo ilegítimo que está a andar para trás a todos os níveis, económico, cultural, social, político”. Para Que O Céu Não Caia é também um espectáculo sobre resistir. “É uma alquimia, um laboratório… A gente segura o céu para não cair, fazemos rituais para continuarmos vivos, para continuarmos a segurar o céu um dos outros”, diz Lia Rodrigues. “O Brasil está a ser puxado para trás por este governo , mas a gente não pode desistir, tá?.” Tá.

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