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A DragÓVisão é a festa da Eurovisão no Finalmente

Por Clara Silva
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A Eurovisão chega uma semana mais cedo ao Finalmente com a estreia do novo espectáculo da casa no sábado, a coincidir com o 42.º aniversário. Falámos com Fernando Santos (Deborah Kristall), o director artístico e estrela do clube.

A febre da Eurovisão começa na próxima semana (a primeira semifinal acontece na terça, dia 8), mas os primeiros sintomas já se estão a sentir cidade fora. No Finalmente, por exemplo, onde se fazem os últimos ensaios para a DragÓVisão, uma Eurovisão em versão drag, mas ainda sem os fatos. São feitos por medida e quando visitámos o mítico clube alfacinha ainda não estavam prontos, explicam-nos.

Toilette completa só no sábado, data da estreia do novo espectáculo da casa, a coincidir com a festa do 42.º aniversário, “com uns dias de atraso”, lê-se num comunicado da festa. “A ideia é passar um bocadinho a história da Eurovisão, com dez números e algum sentido de humor”, conta Fernando Santos, o director artístico desta DragÓVisão, mais conhecido pela personagem que criou, Deborah Kristall, a “vedette” do Finalmente, como lhe chamam no site do clube. “Não queremos fazer nada muito sério, nem temos capacidade para isso”, adianta Fernando. “São dez canções trabalhadas para dar alguma graça, a estrear precisamente na altura em que o festival está à porta.”

O festival está à porta e uma avalanche de turistas também promete fazer fila à porta do clube a funcionar desde 2 de Maio de 1976 – histórico na noite LGBT da cidade. O espaço não é muito grande, tal como não é o elenco da casa, que se vai repetindo ao longo dos números. Além de Deborah Kristall, as veteranas Samantha Rox, Jenny LaRue, Nyma Charles e a mais nova Stefany Duvet, do elenco habitual, participam nesta DragÓVisão, que dura perto de 50 minutos. Quem falhar o espectáculo de sábado terá outras hipóteses, em princípio todas as “quintas, sextas e sábados”, diz Fernando, e provavelmente durante os próximos meses. Depende de como correr, até porque “o público do Finalmente é muito exigente e está sempre a querer coisas novas”, explica.

O alinhamento do espectáculo está no segredo das deusas do Finalmente, mas se está com vontade de cantar o “Waterloo” dos ABBA e recordar vencedoras que se tornaram ícones da comunidade (Conchita Wurst ou a cantora israelita trans Dana International, por exemplo), não vai ficar desiludido. E mais não dizemos para não estragar a surpresa.

Com 42 anos, histórias para contar não faltam ao Finalmente – e não estamos só a falar de passado. Em Novembro, recebeu pela primeira vez a visita de Rossy de Palma, a musa de Almodóvar, galardoada o ano passado com o 2º Troféu Internacional Artes Cénicas depois de uma votação do júri – o primeiro foi entregue em 2016 a Herman José. Alturas houve em que “as mulheres estavam proibidas de entrar” na casa, recorda Fernando. Ordens do antigo proprietário, Armando Teixeira, “uma pessoa muito especial, que teve quase meia Lisboa proibida de entrar”. “Depois não entravam transexuais”, recorda. “[O clube] atraía outro tipo de gente que naquela época criava muita confusão. Hoje é um bar gay assumido, a causa gay é mais liberal, há outra liberdade. Está sempre cheio, mas com público diverso, as pessoas vão ver o espectáculo, não é tão pesado como era nos anos 80.”

Fernando Santos, que começou a fazer transformismo com o nome Suzy Flower, estreou-se pela primeira vez na casa em 1984. “Não aguentei a pedalada, jurei nunca mais trabalhar lá”, recorda. Voltou na passagem de ano de 1993 (esteve até 1996) e depois em 2000, altura em que nunca mais saiu – só durante pouco tempo, para projectos como o filme Morrer Como Um Homem, de João Pedro Rodrigues, que estreou em Cannes em 2009.

Nos últimos tempos, o público do Finalmente tem-se renovado, principalmente graças a esta “nova fornada”, como lhe chama, que surgiu nos últimos dois anos. “Miúdos muito giros, com umas tendências novas”, continua. “O RuPaul’s Drag Race estimulou[-os] um bocadinho, não entram às escuras.” O Lugar às Novas, às segundas, uma das noites fortes da casa e uma tradição já antiga, é uma oportunidade para novos talentos subirem ao palco e quiçá conquistarem um lugar no elenco fixo da casa. Foi o que aconteceu à talentosa Stefani Duvet (Tiago Santos), “um miúdo muito bonito, de 19 anos, que já foi capa da revista Cristina”.

Sábado, 00.00-06.00, no Finalmente. Rua da Palmeira, 38 (Príncipe Real). 7€

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