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A Gerador gerou um Festival Exquisito para Setembro em Telheiras

Por Renata Lima Lobo
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Entre 13 e 15 de Setembro, a primeira edição do Exquisito, um festival de criação artística emergente da Gerador, vai invadir um bairro até agora pouco habituado a estas andanças: Telheiras.

"Isto é muito esquisito." Foi assim que Pedro Saavedra, director artístico da associação Gerador, arrancou a apresentação deste novo festival. Estávamos no antigo Lagar da Quinta de São Vicente, hoje um dos pólos da Junta de Freguesia do Lumiar, e o jantar estava a ser preparado. Enquanto se falava de artes e espectáculos, o chef Hugo Brito (Boi-Cavalo) e o cientista dos sorbets Pedro Torgal Viana (Laboratório do Gelado) iam preparando pratos à primeira vista esquisitos com a ajuda de azoto líquido. Comemos coisas como cacto e gelado de tinta de choco e ficámos a saber as esquisitices que vêm a caminho de vários espaços de Telheiras. Perdão, exquisitices.

O X em substituição do S não está aqui por acaso. A mudança que baptiza mais uma criação da Gerador pisca o olho ao termo inglês “exquisite” que significa “requintado”, termo que se alia ao esquisito português a remeter para algo que é estranho. O Exquisito, que tem como programadores o designer e ilustrador Daniel Neves (artes musicais), a bailarina Rosana Ribeiro (artes performativas) e a curadora Carolina Trigueiros (artes visuais), quer abrir as mentalidades para novas ideias e novos caminhos da cultura portuguesa. As mentalidades do público e também de artistas emergentes e consagrados que foram desafiados a sair das suas zonas de conforto para criar “coisas difíceis de definir”, explicou Pedro Saavedra. 

Queremos criar um festival de raiz portuguesa que permita dar total liberdade de expressão aos autores, que procure a indefinição das fronteiras artísticas e que se assuma que é assim, esquisito, difícil de definir, mas que temos a coragem de o dizer logo à partida”, acrescenta o responsável em comunicado. Tudo isto para testar os limites de cada área, que nesta primeira edição vai das artes visuais às performativas e musicais. 

“Depois das Certezas Absolutas” é o mote do festival, não deixando margem para dúvidas. Todas as certezas vão ser questionadas, por exemplo, nas Conversas Exquisitas, dedicadas a cada uma das áreas da programação. Nas artes visuais vai falar-se sobre o potencial da arte enquanto unificador de diferentes visões, enquanto na música se vai debater o passado, o presente e o futuro deste meio através das muitas visões dos artistas convidados. Já nas artes performativas vai questionar-se o que é afinal uma performance.

Falando de certezas absolutas, perguntámos ao director artístico se tinha a certeza de que um festival assim iria correr bem. “Absoluta. Quanto começas uma coisa num sítio inusitado, e com ideias inusitadas, o que tens a perder? Um festival deste género no CCB ou em Serralves, não era um desafio. As pessoas esperam que aconteça ali, aqui não. As pessoas do Lumiar e Telheiras continuam a dizer que vão ali a Lisboa. E não faz sentido nenhum. A estação de metro é ali”, defendeu.

O programa do Exquisito é essencialmente pós-laboral e conta com nomes como Joana Gama, Luís Fernandes, Tomaz Hipólito (que vai fazer uma instalação site specific numa cozinha desactivada), Sturqen + MMMOOONNNOOO, Clothilde, Die Von Brau, auééé-Teatro ou a companhia de teatro Crianças Loucas, num cartaz que ainda não está totalmente fechado. Mas nada como espreitar o site oficial (uma morada também esquisita) para ir sabendo tudo o que vai acontecer.

O passe geral para os três dias custa 15€ e o bilhete diário 8€. Mas antes da abertura de portas, todos os dias às 18.30, poderá contar com um evento na rua gratuito: no primeiro dia há um concerto, no segundo uma instalação e no terceiro novo circo.

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