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A Revolução
Emmanuel GuimierA Revolução

A nova série de época da Netflix vai redimir Joseph-Ignace Guillotin

‘A Revolução’ é uma versão ficcional da Revolução Francesa em que a aristocracia é afectada por um vírus muito peculiar. Estreia-se esta sexta-feira.

Por
Hugo Torres
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Joseph-Ignace Guillotin era um médico diligente. Nos corredores do poder francês, que apodreciam sob a coroa de Luís XVI, destacava-se por se bater pela melhoria de vida das pessoas comuns. Empenhava-se particularmente nos temas relacionados com a saúde e foi por isso que, em plena Revolução Francesa, meses após a Tomada da Bastilha, defendeu que todos os condenados à morte deveriam ser executados de forma rápida e indolor, por decapitação, até então um privilégio da nobreza, e com recurso a uma “máquina”. O feitor do aparelho decepador foi outro, mas Guillotin, que se opunha à pena capital, não se livrou do ignóbil legado e de ver o seu nome transformado num utensílio de carrasco. Mais de dois séculos depois, o criador Aurélien Molas propõe em A Revolução, série de oito episódios a estrear-se na Netflix nesta sexta-feira, uma herança para o famoso médico que vá para lá da guilhotina – a descoberta de um vírus que muda o comportamento humano.

O vírus é oportunamente designado por Sangue Azul. Primeiro porque parece afectar apenas aristocratas, dos quais se diz terem sangue azul, figurativamente, para sublinhar uma alegada condição natural de superioridade; e depois porque o vírus torna essa expressão literal, mudando de facto a cor do sangue de quem o contrai, de vermelho para azul. Além deste efeito colorido, o vírus tem um outro bem mais pernicioso: em vez de matar o hospedeiro, faz com que este sinta uma inapelável vontade em matar os outros. Embora de forma selectiva: os aristocratas enfermos sentem-se compelidos a passar a fio de espada as pessoas do povo, e não os seus pares bem-falantes. É esta epidemia, que provoca a rebelião nesta versão da história, que é levada ao ecrã com um elenco composto por Amir El Kacem (Joseph Guillotin), Isabel Aimé González-Sola (Katell), Laurent Lucas (Charles de Montargis), Julien Frison (Donatien de Montargis), Marilou Aussilloux (Elise de Montargis), Gaia Weiss (Marianne) e Lionel Erdogan (Albert Guillotin).

A Revolução é o “confronto brutal” entre os poderosos e quem não tem nada a perder, rebeldes que se intitulam de Fraternidade. As poucas imagens que se conhecem da série, reveladas no Dia da Bastilha, abundam em violência, com perseguições, execuções e sangue a jorrar de ambos os lados. Nos salões, uma personagem assegura, a si e aos outros, que os poderosos serão sempre poderosos, insinuando uma ordem genuína e inalterável das coisas. Nos esconsos de Paris, os insurgentes empolgam-se com o discurso oposto: “Os nossos inimigos são poderosos. Mas, se nos unirmos, somos mais numerosos do que eles. Todos terão de lutar”, diz uma outra personagem. É nesse contexto que Guillotin atravessa barricadas, enquanto investiga a morte de uma jovem mulher, e tenta fazer sentido da sua descoberta epidemiológica. Os dados são escassos e o caso de um aparente elemento da Fraternidade com sangue azul vai aumentar as dúvidas do médico.

A Revolução
NetflixA Revolução

A narrativa tem início dois anos antes da Revolução Francesa (ou seja, em 1787), o mesmo tempo que demorou a produzir a série – a Netflix não tirou esta ideia da cartola para apresentar em plena pandemia. A Revolução foi apresentada com pompa e circunstância, em Janeiro último, aquando da inauguração dos vistosos escritórios da empresa em Paris, como parte de um conjunto de “originais” a produzir pela plataforma de streaming em França. Desse lote faziam parte a série de Damien Chazelle The Eddy, o documentário Anelka: O Incompreendido, ambos já estreados, e Big Bug, o próximo filme de Jean-Pierre Jeunet (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), que só deverá chegar em 2021. 

Netflix. Sex (Estreia T1)

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