Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right A partir de sábado, os miúdos aprendem a falar estranhês no D. Maria II

A partir de sábado, os miúdos aprendem a falar estranhês no D. Maria II

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Sabe o que é um bustocarrum? Uma ventresta? Um servieto? Fomos aprender a falar estranhês com a ajuda da nova peça de teatro infantil do projecto Boca Aberta, que chega ao D. Maria II já este sábado. 

"É muito difícil conversar contigo!", desabafa o desgrenhado Óscar depois de se apresentar ao engomadinho Olaj. Um fala português, o outro fala estranhês – e enquanto a amiga que têm em comum Olinka não chega ao seu próprio acampamento de aniversário (é tão gulosa que pelo caminho se distraiu a devorar todos os biscoitos), ninguém se entende. Ou lá se vão entendendo entre mal-entendidos e a linguagem gestual que arranca gargalhadas aos miúdos na plateia.

 

Falas Estranhês?
Filipe Ferreira

 

A estreia de Falas Estranhês? não acontece no Salão Nobre do D. Maria II (essa está marcada para este sábado às 16.00), mas sim numa sala de aula da Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa. As cobaias, vestidas com batas aos quadradinhos, são alunos de 4 e 5 anos de várias nacionalidades, que percebem muito bem do que trata a nova peça de teatro infantil do projecto Boca Aberta. “Na rede pública pré-escolar há uma misturada de proveniências, línguas e culturas. A linguagem e a comunicação são temas muito importantes de abordar”, diz a encenadora Catarina Requeijo, que desde 2015 desenvolve espectáculos para crianças em parceria com o Teatro Nacional. “Apesar de eles serem muito pequenos, percebem a mensagem. Há aqui um posicionamento político: a variedade e a diferença são enriquecedoras. Somos pró-integração e pró-multiculturalidade.”

 

Falas Estranhês?
Filipe Ferreira

 

A peça, que estará em cena todos os sábados à tarde até ao dia 1 de Junho, e que durante a semana chegará a dezenas de escolas da cidade, não se fica pela língua e a comunicação. Também a necessidade de aceitação de diferentes culturas é abordada: por exemplo, para Óscar, o Natal é a época universal de receber presentes de toda a família, mas Olaj desconhece a tradição, apresentando em troca o Patruscus, uma celebração ao pôr-do-sol que inclui uma grande comezaina. A amiga de ambos Olinka conhece-a bem: não só porque é uma grande comilona, mas porque os pais são estranheses como Olaj.

 

Falas Estranhês?
Filipe Ferreira

 

Mas será que é quando ela finalmente sobe ao palco (ou entra pela sala de aula adentro) que a conversa se torna mais fácil? Nem por isso. Olinka bem traduz o que Óscar e Olaj dizem entre a tenda de campismo e a mesa de piquenique (bustocarrum é autocarro; ventresta é janela, servieto é guardanapo), mas parece que a comunicação  – e as relações – são um jogo um bocadinho mais complicado. É que a moral desta história não é a mesma da do famoso mito da Torre de Babel. Aqui, o que interessa, é que a amizade não olha a línguas. Então não é que nem o obssessivo-compulsivo Olaj nem o despassarado Óscar se lembraram do bolo de anos da sonhadora Olinka? O que vale é que “os amigos não têm apelido” e todos sabem cantar os “Parabéns a você”. Em português, em estranhês e em todas as línguas – reais ou inventadas.

TNDMII, Salão Nobre. Todos os sábados às 16.00 até 1 de Junho. 4€. Maiores de 3

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