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A santidade Rabbit Hole reúne-se num fim-de-semana de performances

The Wormhole, de Mariana Nobre Vieira
DR

A Rabbit Hole está de volta e convoca toda a gente para uma reunião pouco secreta na Rua das Gaivotas 6. São três dias de programação, com performances, cinema, instalações, vídeo, espectáculos e conversas.

Fumo branco para os lados da Rua das Gaivotas 6. Depois de um período em que os membros do colectivo Rabbit Hole estiveram mais focados nos seus próprios projectos artísticos, o Conclave, assim decidiram chamar a este come back, reúne-se na cidade para um evento de três dias, “um profano e sagrado acontecimento”, dizem eles, com “oito projectos de diferentes artistas do colectivo”.

Não se vai escolher o próximo papa mas será um evento importante para deliberar os próximos passos da associação cultural, quase uma santidade no panorama artístico de Lisboa desde a sua fundação, em Dezembro de 2013.

Tudo começou com um DJ set de Mariana Nobre Vieira e Pedro Marum, na ILGA. “Era o ano novo chinês do coelho e entrou essa ideia”, recorda a co-fundadora do colectivo. “Na génese [da Rabbit Hole] está a festa enquanto espaço performativo e isso também vai ser claro aqui [no Conclave], com as propostas apresentadas”, continua.

Alguns membros do colectivo estudam ou trabalham fora do país e esta é uma oportunidade para se juntarem e apresentarem um trabalho colectivo multidisciplinar no contexto do programa YEP - Young Emerging Performers. “A Rabbit Hole tornou-se muito activa desde 2013 a propor plataformas artísticas com artistas convidados que ocupavam espaços”, começa a artista e produtora Mafalda Miranda Jacinto também co-fundadora. “Neste caso do Conclave são os vários artistas da Rabbit Hole a apresentarem a proposta.”

Entre as míticas festas dos primórdios da Rabbit Hole está, por exemplo, a Shit Show, em 2013, no Teatro do Bairro, com “pessoas nuas cobertas de mousse de chocolate”, recorda Mariana. A ideia do colectivo sempre foi abrir caminho para “diferentes expressões”, de dia ou de noite, e durante algum tempo as festas foram a sua imagem de marca. “Festas com uma componente conceptual e a primeira festa queer mais expansiva [da cidade], um espaço para diferentes expressões de identidade e de género”, resume.

O Conclave, de sexta a domingo, na Rua das Gaivotas 6, marca uma fase de amadurecimento do colectivo, mais focada na performance, no espectáculo e na instalação.

Entre os oito projectos a serem apresentados no fim-desemana está Complex of Fluids, uma projecção de cinema e performance auditiva guiada de Pedro Marum, Anémona, uma performance musical de Mariana Pinho e Giorgio Gristina, a vídeoperformance de João Estevens WWW.WE WANT WAFLES #1.2 e a instalação de vídeo de Joana Sousa, Quando Se Consegue Ver o Fim das Coisas.

Mariana Nobre Vieira apresenta a performance The Wormwhole, “um projeto espalhado por entre vídeos, brinquedos de plástico made in China e uma minhoca que se passeia pelo meio da tralha”, explica, enquanto Sara Leite ocupa a casa de banho com a performance Pensava Que Sabia. Mas Afinal Não….

Mafalda Miranda Jacinto criou Endland, uma “peça de teatro visual para três performers e um carro telecomandado”, enquanto Artur Jóia e João Robalo criaram a sugestiva instalação Chuva Douradoira. Uma programação recheada que termina no domingo, a partir das 18.00, com uma conversa com o público regada a vinho.

Sex a Dom, Rua das Gaivotas 6 – Teatro Praga. Sex-Sáb 18.30 – 23.30, Dom 18.00-23.30. 10€ passe de três dias, 5€ passe de um dia

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