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A Torre do Tombo queer

Por Clara Silva
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André Murraças é o criador do queerquivo, um site que reúne histórias e testemunhos escritos a várias mãos, de maneira a criar um arquivo LGBT nacional. Em Setembro vira livro. Contamos-lhe a história deste projecto que aceita colaborações de todos.

“Um arquivo emocional” ou “uma Bíblia sobre aqueles que nos tornaram melhores cidadãos”. É assim que André Murraças, dramaturgo, encenador, ilustrador e criador da websérie gay Barba Rija, define o seu novo projecto, o queerquivo, um arquivo LGBT nacional.

Lançado online a 15 de Maio, reúne histórias e testemunhos de várias pessoas sobre tudo e mais alguma coisa. “Neste momento já é possível ler os textos que Lila Fadista (do projecto Fado Bicha) escreveu sobre Amália, quão António Variações marcou a adolescência de Carlos Reis ou ainda como um filme protagonizado por Ana Zanatti foi revelador para uma então jovem lésbica Anabela Rocha”, explica André, o criador e curador.

Ilustração Queerquivo, de André Murraças

“O projecto é transversal, abrangendo as áreas da literatura, espectáculo, televisão, cinema, política, e figurando pessoas conhecidas, de bastidores e cidadãos anónimos.”

Os textos são publicados semanalmente e entre os mais recentes está um do designer de comunicação João Infante sobre a importância de Ana Malhoa para a comunidade LGBT nacional ou sobre como Simone de Oliveira inspirou a personagem Symone de Lá Dragma, de Simão Teles. Há ainda uma contribuição do escritor moçambicano Eduardo Pitta, com um texto sobre Guilherme de Melo, um dos primeiros a assumir a sua homossexualidade em Portugal.

"Tenho sido eu na maioria dos casos a propor por convite a determinada pessoa para escrever sobre outra. É quase um trabalho de curadoria. Ou então de casamenteiro ao pensar que certa personalidade seria a ideal para escrever sobre outra”, conta André. “Mas também tenho sido surpreendido por emails de pessoas que querem muito partilhar um texto sobre como determinada figura LGBT portuguesa os marcou.”

Ilustração Queerquivo, de André Murraças

Mais que uma perspectiva histórica, a ideia é juntar testemunhos emocionais. “Nesse sentido há abertura para ir além das personalidades assumidas e entrar no mundo dos ícones, como Simone de Oliveira, falar da importância de eventos como a Eurovisão ou dos espaços sociais como o Frágil ou o bar das Primas”, refere André. “Sempre sem esquecer os abandonados e maltratados, como o talentoso bailarino Valentim de Barros, cuja história de uma vida passada no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda tem de ficar registada.”

Há textos novos até ao fim de Setembro, altura em que serão compilados num livro em que toda a gente com ideias pode colaborar. Fica o desafio: “Qual é a drag portuguesa que te faz vibrar? Porque é que aquela canção da Amália te chegou ao coração? Que efeito teve em ti o coming out de determinado português? Porque é que a Eurovisão é o teu evento preferido? O que sentiste quando viste a Deborah Krystal ao vivo pela primeira vez? Como foi ver o primeiro beijo lésbico numa telenovela portuguesa? Como foi a tua primeira ida ao Frágil?”

É escrever.

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