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Neighbourhood
Fotografia: Duarte Drago

A vizinhança nova em Santos dá-lhe a provar o melhor de cá

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Vieram da Austrália e trouxeram com eles o café australiano. Ricky e Ben Foran abriram o Neighbourhood em Setembro e querem mostrar o melhor que há no nosso país. Fazem-no de forma simples, com recurso aos produtos do bairro, que usam nas tostas, e à cerveja local. Também há vinho orgânico para um copo ao final de tarde.

A história que se segue poderia ter sido inventada, mas a descrição dos factos ocorridos corresponde na íntegra à realidade. Trata-se pois de uma sucessão de acontecimentos fortuitos, exponenciados por uma pitada de álcool a mais no sangue dos protagonistas. Ben e Ricky, irmãos, haviam passado a maior parte da vida na Austrália. Depois de 15 anos no outro lado do mundo, trocaram o Pacífico pelo Atlântico e fixaram-se em Londres durante nove anos. Mas a vivência por lá também lhes deixou de fazer sentido.

Em 2018, Ricky Foran, 36 anos, queria mudar. E decidiu correr o mundo com a namorada para perceber qual seria o sítio ideal para se fixar. Pelo caminho, avisou o irmão Ben, de 31 anos, à altura cartógrafo no exército britânico, e perguntou-lhe se se queria aventurar com eles, apesar de não terem um local definido. Seguiu-se um período intenso de viagens. “Fomos a Bali, Berlim, Barcelona, San Sebastian, Biarritz, Nova Iorque e a mais uns quantos sítios. Íamos numa quinta-feira e voltávamos numa terça-feira”, diz.

Sempre que visitavam uma cidade elaboravam folhas de cálculo em que incluíam detalhes como o preço das casas, do café e da cerveja, da comida, do arrendamento ou até das escolas, caso quisessem ter filhos. “Fomos a uma série de sítios e todos nos perguntavam se já tínhamos ido a Lisboa”, recorda Ricky. Vieram cá e não perceberam bem o encanto da cidade. “Só visitávamos a zona turística e não percebíamos bem a atracção”.

Fotografia: Duarte Drago

Mas foi durante esta visita aparentemente destinada ao falhanço e ao desinteresse que se sucederam os tais acontecimentos fortuitos que acabaram por alterar os planos à família Foran. “Uma noite ficámos bêbedos e estávamos a passar por esta rua [Largo Conde Barão] e achámos que esta zona era muito fixe”, lembra Ricky. “Entretanto o meu irmão caiu num buraco no meio da rua e começou a barafustar. Eu, que estava bêbedo, ri-me muito, mas enquanto tudo isto acontecia, olhei para cima e vi esta loja e fiquei impressionado.”

Na altura, o número 25 deste largo era uma loja de kebabs. “Estava cheia de pessoas na esplanada e nós queríamos uma loja de esquina com esplanada”, explica. Este era o espaço ideal na cidade. Ricky tirou umas fotografias e falou com um tipo de uma agência imobiliária. Explicou-lhe que era um sítio destes que queria, mas foi lhe logo dito que nunca o conseguiria. Passados três meses tudo mudou e assim começou o Neighbourhood.

“Assinámos contrato em Fevereiro, mudámo-nos para cá em Março e começámos as obras em Maio.” A ideia era mudarem-se para um sítio onde o café de especialidade não fosse muito forte, em que as pessoas fossem simpáticas e perto da praia. No fundo, algo diferente de Inglaterra e da Austrália. Aqui, em Portugal, reuniam-se todos os requisitos.

Chamaram ao café Neighbouhood porque queriam trabalhar dentro do bairro. Lá, servem-se tostas abertas e tostas convencionais. Há café de especialidade da Roasting Party, vinho orgânico da Rebel Rebel e cerveja da Dois Corvos. Os legumes e frutas vêm todos do Time Out Market, a charcutaria e queijos da Mercearia do Poço dos Negros, ali perto. “Não somos de cá mas queremos abraçar tudo o que há de bom aqui”, resumem os irmãos.

O café de especialidade é “uma grande cena”. Há espressos (1,30€), machiattos (2€), cortados (2€), flat whites (2,60€), cappuccinos (2,90€), entre outros. Usam Captain Blend da marca inglesa e fazem o típico duplo ristretto ao estilo australiano. “O café tradicional demora entre 7 a 10 segundos a sair e o nosso demora 28. Procuramos um determinado momento em que o café perde a amargura e só então é que o paramos.” Quando juntam o leite, tudo se transforma e desperta os sabores presentes no café. Faz com que a acidez do café seja neutralizada. “Foi assim que aprendi a fazer café desde pequeno”, assegura o irmão mais velho. Há café de filtro do The Barn, “o melhor café do mundo”, dizem, feito em Berlim, e Dark Arts oriundo de Londres.

 

Flat White
Fotografia: Duarte Drago

 

Em matéria de tostas, a coisa está bem estudado e o resultado final apurado. A tosta aberta de abacate com jalapeños, queijo feta, coentros e rabanete (7€) realça o sabor do picante sem exagerar. A tosta fechada de cachaço de porco com queijo de São Jorge (6,50€) é uma viagem gastronómica ao melhor do nosso país e é capaz de o satisfazer para uma refeição. Também há uma tosta aberta de manteiga de amendoim com banana-mel ou agave que funciona bem como sobremesa ou opção para o pequeno-almoço (7€).

 

Tosta aberta de abacate e jalapeños
Fotografia: Duarte Drago

 

A cerveja da Dois Corvos é à pressão e há sempre três estilos diferentes para pedir ao balcão. De momento há uma Pilsner (2,20€), uma Session IPA (2,50€) e outra que vai rodando (2,20€) todos os meses. No departamento dos vinho, as referências vão mudando todos os meses – de momento há dois tintos e dois brancos (4-5€/copo).

O plano a curto prazo é introduzir na carta pratos com ovos e fazer uns spicy kimchi eggs, que também virão do Mercado da Ribeira. Querem ainda ter um prato de acompanhamento de salmão curado feito na casa e o pão da padaria ISCO, de Alvalade. A ideia é ainda que o espaço tenha eventos temáticos que passarão por noites vínicas ou pop-ups de chefs locais que queiram um espaço para mostrarem o melhor da sua comida. O objectivo aqui é mesmo trabalhar-se em comunidade, dando a mão ao vizinho, que nem ambiente de bairro.

 

Há sempre uma nova cerveja todos os meses
Fotografia: Duarte Drago

 

Além das garrafas da Rebel Rebel, os vinhos da Ladidadi Wines, espaço instalado na Graça, também passarão a estar presentes. Umas das próximas novidades será a noite “We’ve got 99 problems but wine ain’t one”, com R&B e hip-hop da velha-guarda, enquanto se provam seis vinhos diferentes (dois tintos, dois brancos, um rosé e um espumante).

Ricky e Ben, mais do que tudo, querem contribuir de forma positiva para a cidade em que escolheram viver. Não querem ser apenas mais uns estrangeiros que cá chegaram para encher os bolsos. Palavra de dois australianos.

Largo Conde Barão, 25 (Santos). Seg 08.00-17.00, Ter-Qui 08.00-20.00, Sex-Sáb 08.00-23.00, Dom 08.30-20.00.

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